Juiz Sérgio Moro diz que PF fez “afirmação leviana” ao citar ministro Dias Toffoli em investigação

O juiz federal Sérgio Moro determinou hoje (14/11/20169) que a Polícia Federal (PF) refaça um relatório de inteligência no qual o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli foi citado. Na decisão, Moro classificou a menção como “afirmação leviana”.

A decisão foi proferida após Moro receber relatório da quebra do sigilo telefônico do empresário Maurício Bumlai, filho do pecuarista José Carlos Bumlai, ambos investigados na Operação Lava Jato.

Ao analisar a agenda do aparelho celular que foi apreendido, a PF encontrou contatos de diversas autoridades e concluiu que a família Bumlai “tinha influência no PT” e sobre outros agentes da administração pública. No documento, a polícia reconheceu que a mera citação não significa o envolvimento dos acusados com os fatos investigados na Lava Jato.

“A influência não era somente em agentes políticos da administração pública, mas também na Suprema Corte, na pessoa do ministro Toffoli”, diz o documento da PF.

Ao tomar conhecimento da citação, Moro determinou que o relatório seja refeito em três dias e pediu que PF esclareça o ocorrido. Para o juiz, a citação ao ministro do STF “não tem base empírica e é temerária”.

“O fato de algum investigado possuir, em sua agenda, números de telefone de autoridades públicas não significa que ele tem qualquer influência sobre essas autoridades. Assim, o relatório, sem base qualquer, contém afirmação leviana e que, por evidente, deve ser evitada em análises policiais que devem se resumir aos fatos constatados”, decidiu Moro.Foro privilegiado

Apesar de o juiz não mencionar na decisão, a citação de um ministro do STF no processo de Bumlai poderá gerar uma contestação sobre a validade da investigação. Os advogados poderão alegar que, ao citar um detentor de foro privilegiado, Moro não pode continuar investigando os acusados.

Em setembro, Moro condenou Bumlai a nove anos e dez meses de prisão em uma das ações penais oriundas da Lava Jato.

PF

Após ser notificado sobre a decisão de Moro, o delegado Felipe Pace informou ao juiz que a decisão será cumprida e que houve “erro material” no relatório.

Pace reconheceu que “é faticamente e probatoriamente impossível” atribuir suposta influência de José Carlos Bumlai sobre Dias Toffoli.

*Com informação da Agência Brasil.

Outras publicações

PSDB, DEM e PPS entrarão no STF contra manutenção de direitos políticos de Dilma Rousseff Em 29 de agosto de 2016, presidente Dilma Rousseff participa da sessão de julgamento do processo de impeachment. O líder do PSDB no Senado, Cássio C...
Ministra Rosa Weber destaca violação à Constituição Federal praticada por decisões de magistrados de primeiro grau com relação a liberdade de imprensa Ministra Rosa Weber suspende decisão que mandava excluir de site publicações sobre promotor no Espírito Santo. A ministra Rosa Weber, do Supremo Tri...
“Temos que pagar pelos nossos erros”, diz deputado que assume vaga de Eduardo Cunha O deputado federal Marquinho Mendes (PMDB-RJ) assumirá a vaga de Eduardo Cunha na Câmara dos Deputados. O deputado Marquinho Mendes (PMDB-RJ), que a...

Sobre o autor

Redação
O Jornal Grande Bahia é um portal de notícias com sede em Feira de Santana. Para enviar informações, fazer denúncias ou comunicar erros do jornal mantenha contato através do e-mail: editor@jornalgrandebahia.com.br