Jornalistas denunciam aumento de violência contra categoria

Audiência pública das comissões de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) e de Cultura (CCULT) para discutir sobre as violações de direitos humanos de jornalistas. Representante do Sindicato de Jornalista do DF, Wanderlei Pozzembom.

Audiência pública das comissões de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) e de Cultura (CCULT) para discutir sobre as violações de direitos humanos de jornalistas. Representante do Sindicato de Jornalista do DF, Wanderlei Pozzembom.

Jornalistas denunciaram nesta terça-feira (23/11/2016) o aumento da violência contra a categoria no Brasil, durante audiência pública das comissões de Direitos Humanos e Minorias; e de Cultura da Câmara dos Deputados.

O proprietário do Novo Jornal, Marco Aurélio Carone, relatou a perseguição que sofreu por publicar notícias contra a gestão do então governador de Minas Gerais Aécio Neves. “Fui preso em janeiro de 2014 e solto cinco dias depois da eleição presidencial. O Ministério Público falou na denúncia que eu iria atrapalhar a sucessão presidencial”, afirmou. Após ser solto, a Justiça arquivou o processo contra Carone. Segundo ele, atualmente é impossível imaginar que haja liberdade de imprensa no Brasil.

O membro da Coordenação Geral do Sindicato de Jornalistas do Distrito Federal Wanderlei Pozzembom afirmou que a categoria tem sofrido agressões de diferentes meios, seja por processos na Justiça sem justificativa ou por ameaças. “Cada dia mais os jornalistas são alvo dessa violência. E a sociedade precisa saber disso. Sem uma imprensa livre, a democracia não existe, ela não existirá”, afirmou.

Asfixia financeira

O diretor do jornal capixaba Século Diário, Rogério Medeiros, disse que o veículo começou a perder anunciantes depois de uma série de matérias sobre corrupção no Judiciário local. “Agora que nos criminalizam, ninguém anuncia mais. Com 17 anos de vida, o jornal escreveu um momento importante da história do Espírito Santo. Mas não vemos futuro”, disse Medeiros. Segundo ele, em nenhum dos processos movidos por desembargadores os fatos denunciados foram negados, apenas a maneira como foram descritos.

Para o presidente da Comissão de Direitos Humanos, deputado Padre João (PT-MG), os jornalistas têm sido “os grandes profetas de anunciar e denunciar” abusos praticados e, por isso, são perseguidos. “Tenho certeza de que não se pode descuidar. Essa perseguição é uma das formas, mas há pessoas que matam, executam sem dó nem piedade.”

O deputado Edmilson Rodrigues (Psol-PA) criticou a existência de um Estado policial no País, que ameaça a liberdade de imprensa. “Tenho medo que vocês acabem sofrendo revezes, e a grande maioria dos brasileiros não saberá da existência de vocês”, disse.

Violência dobrada

Os casos de violência contra jornalistas quase dobraram de 2015 para 2016, saltando de 116 para 205, de acordo com dados da Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e TV (Abert). Segundo o diretor de Assuntos Institucionais da Abert, Cristiano Lobato Flores, o aumento foi causado pelo acirramento das manifestações sociais de cunho político.

“Também houve fatos como a agressão policial por identificar no jornalista alguém que pode falar de suas más condutas. E os manifestantes que não identificam no jornalista um trabalhador”, disse Flores. Apesar do aumento do número geral, houve queda nos homicídios de jornalistas de 8 em 2015 para 2 neste ano.

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