Jornada de Dança da Bahia chega ao oitavo ano e se consolida como fundamental para o desenvolvimento da educação

Grupo Canela Fina.

Grupo Canela Fina.

A Jornada de Dança da Bahia celebra, em 2016, a oitava edição de sua história. Explorando o tema “A mesma dança não pode pertencer a duas pessoas”, o evento, realizado pela Escola Contemporânea de Dança, sob a coordenação da dançarina Fátima Suarez, será realizado entre os dias 12 e 17 de novembro de 2016, no Espaço Xisto Bahia, no Palacete das Artes e no Teatro Castro Alves, além de uma vivência no Cerimonial Loreto (Ilha dos Frades). Convidados da Bahia, de outros estados e também de outros países compõem uma programação, quase toda gratuita, de espetáculos, atividades formativas e interação para artistas, professores, estudantes, crianças e todos os públicos da dança da Bahia.

Grandes nomes do campo estão confirmados, como as norte-americanas Lori Belilove, dançarina e diretora artística da Isadora Duncan Dance Foundation, e Holly Cavrell, doutora em Artes pela Unicamp, residente no Brasil desde 1989 e fundadora da premiada Cia. Domínio Público, bem como o pernambucano Ângelo Madureira, de tradicional família de artistas, com longa e reconhecida carreira nacional e internacional.

“Quando trazemos à tona a questão de que ‘a mesma dança não pode pertencer a duas pessoas’, estamos falando de individualidades. Cada um tem sua música interna e a música, como a dança, é sinestésica: é sentida em cores, sabores e memórias”, reflete Fátima Suarez, que é graduada em dança pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e especializada em dança moderna e coreografia na London Contemporary Dance School, na Inglaterra, e na Isadora Duncan Dance Foundation, em Nova York. “Acredito que esta oitava edição da Jornada acontece em um momento em que precisamos estar cada vez mais atentos e comprometidos com um futuro mais promissor para a educação e a dança em nosso país. Vamos buscar as nossas singularidades sem esquecer que precisamos dos outros para perceber as nossas diferenças, desconstruir modelos e reinventar a nossa dança”, conclui.

Neste clima de erupção sonora e de movimentos íntimos e coletivos, a VIII Jornada de Dança da Bahia reúne trabalhos que interligam de maneira potente a cena e o som. A intenção é difundir múltiplas técnicas de dança para experimentação do corpo e suas possibilidades de expressão, estimulando uma sensibilidade crítica que instiga o aprimoramento.

Além da mostra artística e das atividades formativas, a Jornada promove o IV Fórum de Educadores de Dança, com o objetivo específico de oferecer reciclagem a professores de dança. Sessenta profissionais de diversas origens, selecionados em inscrições públicas e por meio de variadas audições, participam desta ação, que é integralmente gratuita e se volta à reflexão e ao desenvolvimento do ensino da dança, em todo seu potencial transformador, na Bahia e no Brasil.

Tudo isto se desenrola ao redor dos ideais e da filosofia de dança de Isadora Duncan (1877-1927), considerada a mãe da dança moderna. Este traço, uma das marcas mais importantes da Jornada, se revela em diversos aspectos técnicos e conceituais, permeando toda a programação.

A VIII Jornada de Dança da Bahia tem patrocínio do Ministério da Cultura (MinC) e da Termonorte, por meio da Lei Rouanet. O IV Fórum de Educadores de Dança é uma ação patrocinada pelo programa O Boticário na Dança, igualmente via Lei Nacional de Incentivo à Cultura.

A grade de atrações agrega três contextos interligados: a programação artística, que apresenta espetáculos com artistas locais, de outros estados e países, numa mostra de produções de dança moderna e contemporânea; a programação educativa, com oficinas e workshops de diversas temáticas e para diferentes públicos; e o Fórum de Educadores de Dança, ação voltada à reflexão sobre o ensino da dança na Bahia e no Brasil, em sua quarta edição.

Tudo começa na tarde do dia 12, no Palacete das Artes, às 16h, com o “INVente EXperimente”, que apresenta cenas protagonizadas por bailarinos e novos talentos identificados em audições públicas. Com representantes do interior e da capital da Bahia – tanto de seu centro quanto de suas periferias –, o INVEX revela novas faces da dança baiana, abrindo espaço para experimentações e descobertas.

Também no Palacete das Artes, no domingo, 13 de novembro, às 17h, tem a performance de dança contemporânea “Feitocal”, de Rita Aquino e Felipe de Assis (BA). Em seguida, às 18h, pela primeira vez, o evento tem em sua programação um show musical, mas de estímulo sensorial amplo e voltado ao público infanto-juvenil, com o grupo Canela Fina. Neste mesmo dia, aliás, das 15h às 17h, duas oficinas de prática recreativa e corpórea estarão à disposição dos pequenos: “Instabilidade poética”, com Clara Trigo, de desafios motores e de equilíbrio, e “Dragão Voador”, de Beto Carvalho, com técnicas de dança e de circo.

Nos dias 15 e 16 de novembro, a programação artística da Jornada de Dança se instala no Espaço Xisto Bahia para duas noites com seis espetáculos: na terça-feira, estarão em cartaz “Musevi”, da Katharsis Cia. de Dança (BA); o inédito “Outras Dinâmicas”, estreia do Balé Jovem de Salvador (BA); e “Delírio”, de Ângelo Madureira (SP). Na quarta-feira, será vez de “Gaudério”, da Cia. Matheus Brusa (RS); “PSDB”, do Balé Jovem de Salvador e Jorge Silva (BA); e “Afro-Urbania”, do iNsight (BA).

Encerrando a programação, em 17 de novembro, a Escola Contemporânea de Dança apresenta seu espetáculo anual, sob direção de Fátima Suarez e com participação de músicos do Neojiba e dos bailarinos Paulo Fonseca, China e Gilberto Baia. A montagem tem como tema “música” e suas várias formas de conexão com o corpo e terá duas intervenções especiais: nesta mesma noite, se apresentam ainda o dueto “Noturno”, de Isadora Duncan, dançado por Lori Belilove e Fátima Suarez, e “Rosas do Sul”, do Contemporânea Ensemble, que estreia sua mais nova remontagem coreográfica sobre a obra de Isadora.

Completando a lista de oficinas e workshops, haverá atividades com Lori Belilove – um workshop para profissionais e uma oficina para crianças – e com Matheus Brusa, cujas inscrições podem ser feitas no site da Jornada (www.jornadadedanca.com.br).

Pelo quarto ano consecutivo, de 13 a 16 de novembro, a Jornada de Dança da Bahia inclui em sua programação o Fórum de Educadores de Dança, que realiza um intercâmbio de experiências vividas em diferentes contextos, mas conectadas pelo interesse de se abranger repertórios diversos, questionar paradigmas, aprofundar o conhecimento e qualificar a prática. Na grade de trabalho, estão oficinas, bate-papos e um dia inteiro de vivências no Cerimonial Loreto, na Ilha dos Frades – onde haverá também uma apresentação exclusiva da montagem “Da Casa”, em que grupos e artistas independentes que trabalham e residem na Escola Contemporânea de Dança mostram suas mais novas criações. Neste ano, 12 profissionais convidados compartilham seus conhecimentos: Ângelo Madureira (SP), Edith Meric (FR), Fátima Suarez (BA), Flor Violeta (BA), Gisela Tapioca (BA), Holly Cavrell (EUA/SP), Ivete Ramos (BA), Lia Robatto (BA), Lori Belilove (EUA), Matheus Brusa (RS), Rita Aquino (BA) e Verônica Fonseca (BA). As 60 vagas do Fórum já foram ocupadas, mas os bate-papos são abertos ao público, sem necessidade de inscrição prévia.

Agenda

Quando: 12 a 17 de novembro de 2016

Onde: Espaço Xisto Bahia, Palacete das Artes, Teatro Castro Alves e Cerimonial Loreto | Salvador

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