Dica de leitura: ‘À sombra do poder: os bastidores da crise que derrubou Dilma Rousseff’

Faixas e Cartazes são fixados no Planalto por movimentos sociais contrários ao impeachment que continuam ocupando o local.

Faixas e Cartazes são fixados no Planalto por movimentos sociais contrários ao impeachment que continuam ocupando o local.

Após notificação de afastamento da Presidência da República, Dilma Rousseff discursa na saída do Palácio do Planalto.

Após notificação de afastamento da Presidência da República, Dilma Rousseff discursa na saída do Palácio do Planalto.

No dia 12 de maio de 2016, a presidente Dilma Rousseff foi afastada provisoriamente do cargo com a instalação do processo de impeachment que, três meses depois, culminaria com a posse de seu vice, Michel Temer. A agonia do governo foi acompanhada de perto pelos brasileiros que, contra ou a favor da permanência de Dilma no poder, grudaram seus olhos nas telas de TV e páginas de jornal em busca de mais detalhes dos acontecimentos.

Agora, o público terá a chance de conhecer os bastidores de sua queda vistos de dentro do Palácio da Alvorada. Secretário de imprensa da presidente nos últimos nove meses de mandato, o cientista político e jornalista Rodrigo de Almeida acompanhou e trabalhou na administração das crises mais agudas que construíram o calvário presidencial.

À sombra do poder une a força de um relato jornalístico preciso à análise arguta da sequência de problemas externos e internos enfrentados pelo governo para manter-se em pé. Os problemas com o Congresso, a Lava-Jato, o vice-presidente conspirador, o abandono dos partidos da base aliada, a polêmica nomeação de Lula para a Casa Civil, Eduardo Cunha, o distanciamento em relação ao PT e o estado de espírito de Dilma até as últimas horas antes de ser afastada temporariamente fazem parte deste livro imprescindível para quem busca conhecer os detalhes de um episódio fundamental da história política do país.

Resenha

Sobre o livro, comentou a Thaís Oyama em resenha para a Revista Veja “‘À sombra do poder: os bastidores da crise que derrubou Dilma Rousseff’ é o primeiro livro sobre o impeachment escrito por um insider. Nessa condição, escapa do que seria a sua pior sina — virar uma peça de defesa póstuma da gestão petista. Almeida, também um cientista político com experiência acadêmica, esforçou-se para produzir um relato em que figura sobretudo como observador da história que se passou diante de seus olhos. Se sua obra traz poucas informações que já não tenham sido veiculadas pela imprensa, ela tem o mérito de revelar como os protagonistas do poder enxergaram cada episódio do impeachment que o Brasil acompanhou pelo noticiário. O trabalho de Almeida também ajuda a tornar um pouco mais nítido o retrato de uma presidente que ele classifica como “íntegra, honesta, porém difícil”. O livro revela vislumbres de uma Dilma avessa a sentimentalismos, temerosa de ser enganada por assessores e surpreendentemente suscetível em alguns momentos.”

Trechos do livro ‘À sombra do poder: os bastidores da crise que derrubou Dilma Rousseff’

Plantações palacianas

Encerrada a reunião, o Planalto começou a espalhar a versão de que o vice teria, na audiência com Dilma, desqualificado o pedido de impeachment. Jaques Wagner e Edinho Silva foram mais longe ainda: forçaram a mão ao dizer para a imprensa, em declarações on the record, que Temer assessoraria a presidente na batalha contra o impeachment.

Era uma estratégia arriscada. A ideia: forçar um posicionamento público do vice-presidente, uma forma de evitar aquele silêncio inquietante a que ele optara. O Palácio do Planalto buscava, com isso, induzi-lo a alguma mensagem de apoio, ou de solidariedade, durante
a tramitação do processo. Ou, no mínimo — para usar uma expressão dita reservadamente pela presidente —, evitar que ele se movimentasse com tanta desenvoltura. O problema é que ninguém combinou com os russos alojados na Vice-Presidência.”

Quem manda é o Lula

A chegada de Lula à Casa Civil significaria, para a quase unanimidade dos auxiliares mais próximos da presidente, a salvação de um governo acuado e incapaz de sair das cordas (…) Boa parte da imprensa, no entanto, reagia com rudeza e desconfiança. Os prognósticos eram desabonadores: o país terá dois presidentes da República. O verdadeiro poder estaria não mais no 3º andar, onde ficava o gabinete presidencial, mas no 4º, local onde despachava o chefe da Casa Civil. ‘Vai dar confusão’, era o vaticínio unânime. Recomendação de um dos ministros: ‘Se der confusão, a ordem para os ministros é: desobedeçam à presidente. Quem manda é o Lula.

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