Deputado Onyx Lorenzoni retira possibilidade de juízes serem julgados por crime de responsabilidade

Procurador da República Deltan Dallagnol discute, na Câmara, medidas anticorrupção.

Procurador da República Deltan Dallagnol discute, na Câmara, medidas anticorrupção.

A possibilidade de juízes, procuradores e promotores serem denunciados por crime de responsabilidade será retirada do parecer que o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) apresentou à comissão especial que analisa as medidas anticorrupção sugeridas pelo Ministério Público Federal (PL 4850/16).

O anúncio da modificação no texto foi feito nesta segunda-feira (14/11/2016) por Lorenzoni, após uma reunião com procuradores da República.

A chamada “medida 18” do substitutivo entregue na semana passada permitia que juízes e membros do Ministério Público sejam processados por crime de responsabilidade em situações como abuso de poder ou falta de decoro. Atualmente, só podem ser julgados por crime de responsabilidade o presidente da República e seus ministros, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), o procurador-geral da República e os governadores. A lei que trata do assunto é de 1950 (1.079/50) e foi a mesma usada no processo de impeachment contra a ex-presidente Dilma Rousseff.

Lorenzoni foi convencido por procuradores da República de que este não é o momento ideal para discutir crime de responsabilidade: “Parlamento fará isso em outra oportunidade”

Apesar de defender a sua proposta, Lorenzoni disse que ficou convencido com os argumentos dos procuradores de que o momento não é o adequado para tratar do assunto.

“Não queremos misturar um projeto sério, que busca fechar as brechas por onde escapam corruptos e corruptores, com iniciativas que possam ser usadas para cercear a ação de investigadores”, comentou o relator. “Consideramos, portanto, inoportuno discutir a questão do crime de responsabilidade neste momento. Isso deverá ser feito pelo Parlamento em outra oportunidade”, acrescentou.

Lorenzoni afirmou que a decisão de retirar a “medida 18” do texto conta com o apoio do presidente da comissão especial, deputado Joaquim Passarinho (PSD-PA).

Lava Jato

O procurador que coordena a Operação Lava Jato no Ministério Público, Deltan Dallagnol, participou da reunião com Lorenzoni e declarou que o Ministério Público Federal concorda com a atualização da Lei do Impeachment. Segundo ele, no entanto, o assunto é complexo e deve ser tratado em outro projeto, e não no âmbito das propostas de combate à corrupção.

De acordo com Dallagnol, a redação sugerida pelo relator abre a possibilidade de que qualquer investigado pelo Ministério Público entre com ação por crime de responsabilidade contra os procuradores, o que pode fragilizar as investigações de crimes, principalmente a da Lava Jato, que está em pleno curso.

“Em razão da delicadeza deste momento histórico, em que importantes investigações caminham e existem grandes possíveis reações, nós nos preocupamos que sejam discutidos temas que possam trazer retrocessos no combate à corrupção”, declarou o procurador da República.

Votação

Onyx Loreonzoni informou que vai entregar uma nova versão do parecer nesta quarta-feira (16), a fim de que o texto seja votado no mesmo dia ou na quinta-feira (17). Depois de passar pela comissão especial, a matéria será examinada pelo Plenário da Câmara dos Deputados.

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