Caso La Vue: o insustentável peso do governo golpista | Por Bira Corôa

Ministro-chefe Geddel Vieira Lima foi acusado de utilizar o cargo em benefício pessoal.

Ministro-chefe Geddel Vieira Lima foi acusado de utilizar o cargo em benefício pessoal.

Braço direito do prefeito ACM Neto (DEM) e um dos principais ministros do governo golpista, Geddel Vieira Lima (PMDB) foi pego com a boca na botija e conseguiu levantar ainda mais poeira das sujeiras escondidas embaixo do tapete de Temer. Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, o ex-ministro da Cultura, Marcelo Calero, atribuiu sua rápida fuga do governo às pressões que vinha sofrendo para revogar parecer contrário a um empreendimento imobiliário em Salvador onde, ironicamente, o próprio Geddel tem um apartamento de R$ 2,4 milhões.

O projeto em questão é um arranha céu de 30 andares, na Ladeira da Barra, onde se encontra um dos metros quadrados mais caros de Salvador. A estrutura consta de um apartamento por andar, além de ampla oferta de lazer e serviços dos mais diversos. São unidades de 260 m², com quatro suítes e quatro vagas de garagem, além de uma cobertura de 450 metros quadrados.

Em função de sua altura – 107 metros – a obra já havia sido suspensa por liminar judicial para não provocar o sombreamento na Praia do Porto da Barra e macular a paisagem da Ladeira, área cercada por monumentos tombados pelo Patrimônio Histórico. Também obteve parecer contrário do Escritório Técnico de Licenciamento e Fiscalização, integrados por técnicos do Iphan, do Ipac e da Secretaria Municipal de Urbanismo.  Quem mora em Salvador já sabe que construções desta magnitude interessam diretamente ao prefeito da capital. Afinal, não foi à toa que o gestor articulou a aprovação, sem o necessário debate, do PDDU recentemente na Câmara Municipal.

A denúncia contra o ministro Geddel acende também o alerta na Justiça brasileira, da qual esperamos rigor nas apurações. Temos aí mais que convicções partidárias, mais que interpretações pessoais como vem sendo feita em relação às frágeis denúncias contra o ex-presidente Lula. A sociedade precisa saber exatamente qual a relação do ministro da Secretaria de Governo com o empreendimento, a ponto de leva-lo a brigar publicamente, por meio de uma rede social, com banqueiros e vereadores e colocar contra a parede seu próprio colega.

Ao agir por interesse próprio, Geddel cometeu o crime de advocacia administrativa (Artigo 321 do Código Penal – crime contra a Administração Pública que se configura quando um funcionário público, valendo-se de sua condição, defende interesse alheio, legítimo ou ilegítimo, perante a Administração Pública), mas acima de tudo prova que não tem condições de continuar ocupando seu cargo atual, nem mesmo num governo golpista. Nos resta exigir da PGR a investigação e punição efetiva deste e de outros casos de intervenção autoritária, seja para beneficiamento próprio ou de apadrinhados políticos.

*Ubirajara da Silva Ramos Corôa (Bira Corôa) é deputado estadual (PT/BA).

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