São Francisco de Assis e a Imitação de Cristo

São Francisco de assis

São Francisco de Assis

Francisco costumava meditar e orar despido, deitado ao chão, com os braços abertos. Rogou ao Divino Mestre passar pelos mesmos sofrimentos e dores que Ele passou.

Foi quando um Anjo Crucificado desceu do Céu e, frente a Francisco, lancetou, com raios de luz, suas mãos, pés e peito com as Cinco Chagas de Jesus.

Deste dia em diante, a sua saúde física se deteriorou bastante. Mal conseguia andar, com os ferimentos nos pés. Ocultava as chagas e pedia aos amigos mais próximos que só as revelasse após a sua morte.

Francisco de Assis é o primeiro estigmatizado da história da cristandade. Pelos mistérios da Santa Cruz Bendita ele foi consagrado São Francisco das Chagas.

São Francisco de Assis, santo maior da cristandade, é cultuado e louvado no mundo todo. Fez da sua vida a Imitação de Cristo e, com isto, conquistou a sua salvação, sua iluminação.

A vida de Francisco de Assis (5.07.1182 – 3.10.1226) é recheada de milagres e prodígios, desde o nascimento. Dizem que sua mãe, Dona Pica, na hora do parto teve complicações e não conseguia ter a criança, pondo em risco a sua própria vida e a do bebê.  Um homem misterioso bateu à porta de casa e orientou a levarem ela para o estábulo da casa.

Ali, feliz, Dona Pica deu à luz o seu filhinho, que nasceu em uma manjedoura, ao lado de um boi e um burro. Dona Pica batizou a criança com o nome de João.

O pai do bebê recém-nascido, um rico comerciante de tecidos, Pedro Bernadone, estava em viagem de trabalho. Quando retornou à casa, Pedro trocou o nome do filho para Francisco.

Pouco se sabe da infância do menino Francisco, apenas que ele estava sendo criado para seguir a carreira do pai, de rico comerciante de tecidos.

Quando já na juventude, o jovem Francisco se torna um líder de folguedos entre os rapazes de Assis – Itália, com sua alegria, seu espírito festivo, suas cantorias. Se torna boêmio e farrista, mas sempre demonstrando uma personalidade sensível e generosa.

Trabalhava com o pai e praticava caridade aos pobres. Quando não restava moeda no bolso para ofertar, doava partes da sua própria vestimenta aos pobres.

No século XII, na Idade Média europeia, os conflitos políticos e sociais jogavam comunas contra comunas em guerras fraticidas. Dá-se início a guerra de Assis contra a vizinha Cidade de Perugia.

Guerreiro do Amor

Francisco se alista como cavaleiro, com o apoio e entusiasmo do pai, que via nesta guerra uma oportunidade do seu filho conquistar um título de nobreza. Dona Pica, preocupada, chorava por seu menino ir à guerra.

No caminho para a batalha Francisco literalmente “cai do cavalo”, e a voz do Senhor o ordena retorna a Assis, dizendo que aquela não era a sua batalha. Ele não compreende a mensagem. Porém, sem conseguir investir com violência contra o próximo, é feito prisioneiro.

Passa cerca de um ano nas prisões de Perugia, sofrendo de fome e frio. Mesmo assim, Francisco cantava e animava os amigos, vítimas do mesmo infortúnio, lhes dando alento.

Após o pagamento de um milionário resgate por Pedro Bernadone, Francisco é liberto e retorna doente a Assis.

Ocorrem mudanças na personalidade do rapaz. Depois de nove meses acamado, convalescendo. Melhora e se torna um rapaz meditativo, silencioso. Ocupa os dias passeando pelos verdes vales aos pés da colina onde estava estrategicamente edificada a Cidade de Assis. Tem por companhia os pássaros e pequenos animais que o seguiam por toda a parte.

Certo dia entra na arruinada igreja de São Damião para meditar e rezar. Frente a um crucifixo bizantino, Francisco tem uma revelação. O Cristo Crucificado salta à sua frente e lhe fala:

— Francisco, recupere a minha igreja, que está em ruínas.

Ele entende literalmente esta mensagem. E começa a reformar fisicamente aquela igreja, primeiro sozinho, depois com ajuda dos primeiros discípulos. Reforma também uma capela que se torna de sua predileção, a Porciúncula.

Seu pai, Pedro Bernadone, insatisfeito com o caminho que o filho segue, e por suspeitar que Francisco estava usando a sua fortuna para comprar materiais de construção para a reforma das igrejas e capelas da redondeza; e também usando o dinheiro para a caridade aos pobres, o aprisiona em cárcere privado. Quando Pedro viaja, a sua mãe o liberta.

Quem é meu pai, e quem são meus irmãos?

Ainda mais insatisfeito, Pedro leva o caso ao Bispo Dom Guido, acusando o filho de roubo. Frente ao Bispo e toda a Cidade de Assis, Francisco se desnuda e entrega a sua roupa e pertences ao pai e afirma para todos ouvirem:

— A partir de hoje, chamarei de Pai aquele que está no Céu.

Então chegaram a mãe e os irmãos de Jesus. Ficando do lado de fora, mandaram alguém chamá-lo.

Havia muita gente assentada ao seu redor; e lhe disseram:

— Tua mãe e teus irmãos estão lá fora e te procuram.

— Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos? Perguntou ele.

Então olhou para os que estavam assentados ao seu redor e disse:

— Aqui estão minha mãe e meus irmãos! Quem faz a vontade de Deus, este é meu irmão, minha irmã e minha mãe (Marcos 3:31-35).

A relação de Francisco e Pedro Bernadone se torna irremediavelmente conflitiva. Inclusive com Pedro pagando pessoas para xingar e ofender o mendicante Francisco.

O Pobrezinho de Assis pede a um amigo — que viria a se chamar Frei Leão — para que quando alguém chegasse próximo e lhe xingasse e ofendesse, o amigo falasse aos seus ouvidos palavras de afeto, para se sobrepor as ofensas.

No seu apostolado Francisco pratica a caridade aos pobres e aos doentes, principalmente os leprosos. Os alimenta, trata de suas feridas e é dito que em cada beijo que Francisco dava sofre a carne putrificada de um leproso acontecia o milagre da cura.

Com abnegação e perseverança o seu trabalho de caridade frutifica, e ele reúne 12 discípulos. Com receio de perseguições a obra que iniciara, Francisco decide ir a Roma pedir a benção e autorização papal para criar uma ordem religiosa.

Derribai este templo, e em três dias o levantarei

Quando o Papa Inocêncio III vê aquele maltrapilho à sua frente, reconhece o jovem de uma visão que teve: o papa tinha visto a Basílica de São João de Latrão, em Roma, desmoronando, e um jovem com as feições de Francisco a segurando, impedindo de ruir.

Jesus disse-lhes:

— Derribai este templo, e em três dias o levantarei.

Disseram, pois, os judeus:

— Em quarenta e seis anos foi edificado este templo, e tu o levantarás em três dias?

Mas ele falava do templo do seu corpo (João 2:19-21).

Francisco já havia compreendido que o templo em ruína a ser reedificado eram os homens e a Igreja de sua época, corrompida e desviada. Isso também foi revelado por Deus ao Sumo Pontífice, que surpreendentemente autoriza Francisco a criar a sua ordem monástica e a protege e abençoa — surge assim a Ordem dos Frades Menores.

Ordem monástica franciscana

De volta a Assis, Francisco põe em prática a Regra da nova ordem religiosa: os monges deveriam abraçar a Dama Pobreza e fazerem os votos de obediência e castidade.

A Ordem dos Frades Menores foi rapidamente crescendo por toda a Europa, sendo um sopro renovador para a velha e carcomida Igreja da época. Francisco acolhe no seio do seu movimento uma mulher jovem e devotada de nome Clara, pertencente à família nobre.

Clara de Assis é ordenada monja, e com outras companheiras vai residir na reformada Igreja de São Damião. Assim é criada a Ordem Segunda do movimento franciscano, que futuramente receberá o nome de Clarissas.

Os amigos e admiradores de Francisco que não tinham vocação para a castidade não são olvidados. Homens nubentes ou casados que aderiram ao movimento são autorizados a criarem a Ordem Terceira, de leigos, e não eram obrigados a fazer o voto de castidade.

Numa manhã de domingo, assistindo uma missa, Francisco ouviu o sacerdote ler uma passagem bíblica, onde Jesus enviava os seus apóstolos a pregarem o Evangelho “às ovelhas perdidas da casa de Israel”:

— Pregai, dizendo: É chegado o reino dos céus. Curai os enfermos, limpai os leprosos, ressuscitai os mortos, expulsai os demônios; de graça recebestes, de graça dai.

Não possuais ouro, nem prata, nem cobre, em vossos cintos, Nem alforjes para o caminho, nem duas túnicas, nem sandálias, nem cajados, porque digno é o operário do seu alimento.

E, em qualquer cidade ou aldeia em que entrardes, procurai saber quem nela seja digno, e hospedai-vos aí, até que vos retireis. E, quando entrardes nalguma casa, saudai-a; E, se a casa for digna, desça sobre ela a vossa paz; mas, se não for digna, torne para vós a vossa paz (Mateus 10:7-13).

Jesus enviou dois a dois os seus discípulos a pregarem o evangelho, e não levarem nada com eles, apenas uma muda de roupa, pois o trabalhador de Deus deveria ser retribuído em troca do seu apostolado. A família de bem que o acolhessem eles deveriam deixar a sua paz. Porém, a casa que o rejeitassem, que a paz retornasse a eles e seguissem adiante.

Assim também fez Pai Francisco e orientou os seus discípulos a peregrinarem caritativamente, seguindo em tudo os passos de Jesus Cristo, fazendo da sua vida e missão a Imitação de Cristo.

Com a sua Ordem Monástica já consolidada, Francisco viaja em missão de paz para Jerusalém, onde ocorria mais uma sangrenta guerra entre cristãos e mouros, lutando pela Terra Santa.

É feito prisioneiro por um sultão guerreiro. Mas no lugar de ser executado, o sultão se torna seu amigo e discípulo, e o liberta.

Antes de retornar a Itália, peregrina pela Palestina, seguindo os passos do Senhor.

Quando de volta a Assis, encontra a Ordem franciscana totalmente descaracterizada. Isso entristece Francisco. Mas em obediência a Igreja, se resigna e entrega o destino de sua Ordem nas mãos de Deus.

Presépio de Natal

Certo dia, numa data próxima ao nascimento do Menino Jesus, Francisco de Assis passeava ao lado do seu amigo, o Frei Leão, e diz:

— Vamos comemorar a Noite de Natal, este ano, de maneira inovadora.

Mandou então chamar o amigo João, de Grécio, e lhe falou:

— Na Noite de Natal quero lembrar o menino que nasceu em Belém, os apertos que passou, como foi posto num presépio, e ver com os próprios olhos como ficou em cima da palha, entre o boi e o burro.

Ouvindo isso, o homem bom e fiel correu imediatamente e preparou o que o Francisco tinha dito, no lugar indicado. Fizeram um presépio, trouxeram palha, um boi e um burro. Grécio tornou-se uma nova Belém, honrando a simplicidade e louvando a pobreza.

Na Noite de Natal, de muitos lugares homens e mulheres iluminaram a noite com tochas e archotes a caminho da manjedoura. O povo foi chegando e se regozijou com o mistério renovado em sua alegria toda nova.

Os frades cantavam, dando os devidos louvores ao Senhor e a noite inteira se rejubilava. O bosque ressoava com as vozes que ecoavam nos morros. Francisco parou diante do presépio e suspirou, cheio de piedade e de alegria. A missa foi celebrada ali mesmo no presépio, e o sacerdote que a celebrou sentiu uma alegria que jamais experimentara até então.

Francisco cantou com voz radiante o Santo Evangelho. Era uma voz forte, doce, clara e sonora, convidando a todos às alegrias eternas. Depois pregou ao povo presente, dizendo coisas maravilhosas sobre o nascimento do Rei pobre e sobre a pequena cidade de Belém.

Muitas vezes, com muito amor chamava Jesus de “menino de Belém”, e pronunciava a palavra “Belém” como o balido de uma ovelha, enchendo a boca com a voz e mais ainda com a doce afeição. Também estalava a língua quando falava “menino de Belém” ou “Jesus”, saboreando a doçura dessas palavras.

Francisco teve então uma visão admirável. Pareceu-lhe ver deitado no presépio um bebê dormindo, que acordou quando chegou perto.

Francisco falou à criança:

— És tu, Senhor?

E o retirou da manjedoura e o carregou no colo.

O Menino Divino, em resposta, cofiou suavemente a sua barba. Todos os presentes testificaram este sagrado episódio da vida de prodígios que foi a missão do santo maior da cristandade, Francisco de Assis, aqui na Terra.

Os milagres realizados por Francisco fizeram aumentar a sua fama e prestígio nos lugares onde passava. Ele cura doentes, ressuscita mortos, multiplica o pão, cumprindo assim as promessas de Cristo:

— Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço, e as fará maiores do que estas, porque eu vou para meu Pai (João 14:12).

Pois Cristo Jesus havia prometido que outros viriam depois Dele, e fariam os mesmos ou maiores prodígios.

Rosas de São Francisco

Por seu passado de pecador, Francisco era um penitente, e se considerava o maior devedor entre os homens. Por isso, seguia as instruções do Salvador:

— Vigiai e orai, para que não caias em tentação; na verdade, o espírito está pronto, mas a carne é fraca (Mateus 26:41).

Sendo assim, se algum pensamento impuro passasse por sua cabeça, em sendo inverno, Francisco rolava nu sobre a neve, martirizando-se. E há um fato ilustrativo de penitência, ocorrido próximo à Capela da Porciúncula, onde há um grande roseiral.

Pensamentos obscuros, advindos do seu Eu Inferior, o assaltaram. Que fez Francisco para afastar a tentação?

Mirou o vasto roseiral à sua frente, ameaçador, com temerosos espinhos no caule daquelas belas rosas, correu despido e se lançou sobre a touceira, esperando sair lanhado e ferido de lá.

Que aconteceu?

A misericórdia Divina transformou o temível roseiral espinhento em belos arbustos de rosas sem espinhos… Francisco saiu do matagal cheirando a fragrância de rosas e jasmim.

Assim surgiram as “rosas de São Francisco”. As mudas deste roseiral ganharam o mundo e um novo gênero de rosas brotou, pela vontade manifesta do Pai Criador.

Francisco e Clara de Assis

Clara de Assis é a alma gêmea de Francisco, sua irmã espiritual — ou filha, pois ela o chamava de Pai Francisco. O amor entre ambos era puro e angelical. Algumas pessoas na atualidade buscam perceber o amor entre os dois como amor sensorial, sensual. Todavia a realização do Primeiro Mandamento de Deus no Segundo Mandamento, de amar ao próximo como a si mesmo, é o que rege a profunda afeição nutrida entre ambos.

Quando Francisco resolve se afastar de Clara e visitá-la raramente, o que o motivava era não dar margem para as línguas malévolas e as mentiras difundidas pelos inimigos de sua missão.

Poderes crísticos

Por merecimento e pela graça Divina, Francisco adquire total domínio dos mundos mineral, vegetal, animal e hominal, como um yogue realizado.

Ele era um pastor de almas — e ainda hoje continua a ser —  recolhendo almas penitentes e conduzindo-as aos Santos Pés de Jesus.

Sua relação de amizade e entendimento com os animais era plena. Nas imediações da Cidade de Gúbio existia um lobo que atemorizava os aldeões, atacava seus rebanhos e ameaçava os humanos.

Francisco vai até o lobo e, afagando-lhe, dá uma reprimenda:

— Irmão Lobo, sejas um bom animal e não atemorize estas pessoas!

Depois, se dirige aos aldeões e recomenda:

— A partir de hoje vocês deverão cuidar e alimentar o Irmão Lobo. E ele, em troca, lhes fará companhia e dará proteção.

Assim, a Cidade de Gúbio ganhou um mascote: o lobo domesticado, amado por todos.

Francisco sofria de muitas doenças físicas. Uma delas era Tracoma, doença dos olhos. A Igreja ordenou-lhe tratamento. Ele mesmo não acreditava nos procedimentos da medicina de sua época. Porém, obediente, concordou. O tratamento do Tracoma consistia em queimar as têmporas do paciente, para que o fogo “afugentasse a doença”. Assim torturaram Francisco, que, antes do flagelo, abençoou as chamas e pediu:

— Irmão Fogo, seja brando para comigo.

Francisco recebe as 5 Chagas de Cristo

Francisco tinha por hábito se retirar em oração e meditação no Monte Alverne, e levava consigo alguns frades, principalmente Frei Leão. Se afastava do pequeno grupo e chegou a passar 40 dias e 40 noites em total entrega ao Senhor.

Uma vez ao dia Frei Leão ia até ele levar um pouco de pão e água, e aproveitava para espioná-lo. Assim se tornou testemunha ocular dos mistérios, milagres e prodígios do contato místico entre Francisco e o Senhor Jesus Cristo.

Francisco costumava meditar e orar despido, deitado ao chão, com os braços abertos. Rogou ao Divino Mestre passar pelos mesmos sofrimentos e dores que Ele passou.

Foi quando um Anjo Crucificado desceu do Céu e, frente a Francisco, lancetou, com raios de luz, suas mãos, pés e peito com as Cinco Chagas de Jesus.

Neste sagrado momento, o Pobrezinho de Assis se cristificou.

— Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a pela fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim (Gálatas 2:20).

Francisco fez dois pedidos ao Senhor:

— Daime a graça de perdoar os pecados da humanidade, pelo Seu Divino Amor.

O segundo pedido:

— Senhor, não vos peço que retire a minha dor, e sim que me dê forças para suportá-la.

Deste dia em diante, a sua saúde física se deteriorou bastante. Mal conseguia andar, com os ferimentos nos pés. Ocultava as chagas e pedia aos amigos mais próximos que só as revelasse após a sua morte.

Francisco de Assis é o primeiro estigmatizado da história da cristandade. Pelos mistérios da Santa Cruz Bendita ele foi consagrado São Francisco das Chagas.

Morrendo, renasce para a Vida Eterna

Francisco continua o seu apostolado, mesmo com a saúde debilitada. Morreria dois anos após receber os estigmas de Jesus Cristo. Nas últimas semanas de vida passa a maior parte do tempo deitado, sofrendo as dores físicas. E o surpreendente é que muitos daqueles que vinham visitar aquele moribundo recebiam a graça da cura, a recuperação da saúde.

— Eu vim para que todos tenham vida, e vida em abundância (João 10:10).

Pede aos seus amigos que o levem a Igreja de São Damião, para visitar Clara de Assis. Ali, num final de tarde, sentado em posição yogue sobre o promontório, tendo à frente o verde vale de sua existência, em êxtase declama “O Cântico das Criaturas” (ver link abaixo).

Quando se aproxima a hora da morte, pede para morrer na sua Capelinha querida, a Porciúncula.

No 3 de outubro de 1226 ele amanhece cantando, e canta durante todo o dia, acompanhado do coral de seus discípulos e amigos. Pede para ser despido e colocado sobre a Mãe Terra — e assim desposar a Irmã Morte.

Prodígios acontecem, a tarde se transfigura; revoada de pássaros, em cantoria, vem receber o Espírito de Francisco.

E assim, cantando, ele morre neste mundo para alcançar a Vida Eterna.

Amém! Aleluia! Aleluia!

Sobre o autor

Juarez Duarte Bomfim
Baiano de Salvador, Juarez Duarte Bomfim é sociólogo e mestre em Administração pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), doutor em Geografia Humana pela Universidade de Salamanca, Espanha; e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Tem trabalhos publicados no campo da Sociologia, Ciência Política, Teoria das Organizações e Geografia Humana. Diversas outras publicações também sobre religiosidade e espiritualidade. Suas aventuras poético-literárias são divulgadas no Blog abrigado no Jornal Grande Bahia. com.br.