Perfil de António Manuel de Oliveira Guterres, Secretário-Geral da ONU

António Manuel de Oliveira Guterres, Secretário-Geral da ONU.

António Manuel de Oliveira Guterres, Secretário-Geral da ONU.

Ex-primeiro ministro de Portugal foi descrito pelo atual presidente do país, Marcelo Rebelo de Sousa, como "o mais brilhante de todos nós" ao citar políticos de sua própria geração; já o secretário-geral da ONU diz que Guterres é "intelligente e tem experiência" para lidar com os desafios atuais.

Ex-primeiro ministro de Portugal foi descrito pelo atual presidente do país, Marcelo Rebelo de Sousa, como “o mais brilhante de todos nós” ao citar políticos de sua própria geração; já o secretário-geral da ONU diz que Guterres é “intelligente e tem experiência” para lidar com os desafios atuais.

António Manuel de Oliveira Guterres nasceu em 30 de abril de 1949. As raízes familiares do filho de Ilda Candida e Virgílio remontam à aldeia pequena de Donas, no Concelho do Fundão, a cerca de 200 km de Lisboa, capital de Portugal. Os moradores mais antigos no local lembram que Guterres era simpático e gostava, desde pequeno, de cumprimentar todas as pessoas, se lembrando do nome delas.

Ainda bem cedo, o aluno dedicado chamou a atenção dos professores. Segundo alguns mestres daquela época e os que vieram depois, Guterres sempre se mostrou sensível às causas sociais, ao combate à pobreza e a construção de um mundo melhor.

Cheias

Em 1967, quando cheias inesperadas atingiram Lisboa matando pelo menos 300 pessoas e deixando milhares de desalojados, o jovem, com então 18 anos, mobilizou-se rapidamente para ajudar a socorrer as vítimas.

Sua vida acadêmica foi marcada por boas notas e um aguçado intelecto que o ajudaram a concluir com louvor o curso de engenharia eletrotécnica como o melhor aluno da turma de 1971 do Instituto Superior Técnico.

A caminhada do jovem engenheiro desde uma rotina de ativismo social ao comando do Partido Socialista (PS), nos anos 90, foi construída com coerência e compaixão, de acordo com a lembrança de alguns de seus contemporâneos.

Capacidade analítica

Um outro atributo mencionado por aqueles que conhecem António Guterres de perto é a capacidade analítica de enxergar soluções para desafios complexos considerando diferentes pontos de vista.

Um desses contemporâneos e amigos de longa data é o atual presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa.

Em entrevista à Rádio ONU, de Lisboa, o presidente afirmou que o homem indicado para suceder o secretário-geral da ONU Ban Ki-moon tem uma virtude admirada por muitos: a humildade.

“Ele pertenceu e pertence à minha geração e foi sempre o melhor de todos nós na sua inteligência, no seu brilho, na sua humildade, na sua capacidade de serviço, no seu sentido social, na sua abertura à humanidade, e essas qualidades e a forma como desempenhou brilhantemente o Alto Comissariado para os Refugiados explicam esta aclamação, este consenso, esta convergência na comunidade internacional.”

Primeiro-ministro

Ban acredita que a “experiência de Guterres como primeiro-ministro de Portugal, seu amplo conhecimento de assuntos globais” e a inteligência dele “vão ser úteis na liderança das Nações Unidas em um período crucial”.

Antes de assumir a Agência da ONU para Refugiados, em 2005, António Guterres construiu uma carreira sólida em casa.

Foi deputado da Assembleia da República, presidente da Assembleia Municipal do Fundão, atuou em política europeia e, em 1995, tornou-se primeiro-ministro de Portugal.

Timor-Leste

Neste posto, teve voz ativa e decisiva em assuntos importantes como a intervenção da Organização do Tratado do Atlântico Norte nos Bálcãs e o início do processo que levou à restauração da independência do Timor-Leste, no sudeste da Ásia.

Ao chegar ao Acnur, Guterres arrumou a casa, tornou a agência mais eficiente e voltada ao terreno. Reuniu-se com chefes de Estado e Governo para pedir apoio para a tarefa.

Ele mesmo viajou a dezenas de países, pernoitou em acampamentos de refugiados, ouviu vítimas de conflitos em várias partes do mundo para entender como melhor responder ao drama e à urgência daqueles que se viam obrigados a fugir de suas casas por causa da violência, da perseguição e outros motivos.

Síria

Um destes conflitos eclodiu em 2011 na Síria. Sobre o tema, António Guterres falou ao Conselho de Segurança várias vezes, explicando que a solução só poderia vir por meios diplomáticos, como ele mesmo lembrou nesta entrevista à Rádio ONU, em agosto de 2012.

“Há que reconhecer com humildade que nós humanitários não resolvemos o problema. Nós mitigamos o problema. O problema só tem uma solução, que é política. E essa solução só o Conselho de Segurança pode criar as condições para que ela se concretize.”

E a clareza de António Guterres em propor soluções foi uma das características que chamaram a atenção justamente do Conselho de Segurança quando o nome dele voltou ao órgão, desta vez, como candidato a chefiar a ONU.

“Diz o que pensa”

Foi o que  comentou o presidente rotativo do Conselho, o embaixador da Rússia, Vitaly Churkin, ao destacar que Guterres é um político de alto nível.

Segundo Churkin, “ele fala com todos, ouve todos, diz o que pensa e é uma pessoa muito aberta”.

Já o embaixador de Angola junto à ONU, Ismael Martins, acredita que a experiência de Guterres será fundamental para definir o futuro da organização.

“António Guterres traz a experiência do terreno, traz a experiência governativa, traz o carisma e uma visão própria para o mundo que nós queremos construir. É um  momento histórico.”

Universalidade

Antonio Guterres jamais esqueceu da visão própria que tem do mundo, do vínculo de seu país com a universalidade, com a tradição de entendimento entre os povos e a tolerância e adaptação ao que é diferente. Com uma das redes diplomáticas mais respeitadas no mundo, Portugal deu origem a pelo menos sete outros países espalhados por quatro continentes.

Representantes de nações lusófonas citaram que a chegada do ex-primeiro-ministro português à ONU é motivo de satisfação para esses países onde alguns dirigentes foram contemporâneos do ex-primeiro-ministro Guterres.

Ao ser perguntado sobre a importância para a lusofonia da escolha de António Guterres pelo Conselho de Segurança, o presidente Marcelo Rebelo de Sousa respondeu:

Lusofonia

“Para o mundo da lusofonia foi este o momento de grande convergência, porque o engenheiro Guterres conhece todos os países, todas as comunidades da lusofonia espalhadas pelo mundo. Esteve em todas elas. Contactou com os seus responsáveis mas também com os seus povos ao longo de décadas. E para o mundo da lusofonia, essa é uma grande oportunidade. Esse é também um momento histórico porque é a possibilidade singular de ter alguém que é uma emanação desse mundo e dessa comunidade numa posição-chave nas Nações Unidas e no mundo. Não podemos esquecer que comunidade da lusofonia é uma comunidade com peso linguístico, com peso cultural, com peso econômico, com peso financeiro e com peso humano. À sua maneira, a vitória do engenheiro Guterres é também a vitória da lusofonia.”

A partir de agora, a vitória no Conselho de Segurança terá de ser confirmada pela eleição na Assembleia Geral, o órgão que pode levar o menino que gostava de saudar os vizinhos dos avós na pequena aldeia de Donas, para o topo da diplomacia mundial como o nono secretário-geral das Nações Unidas.

Com informações da Rádio ONU.

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