Irrigantes de projeto da Codevasf descobrem na silagem boa alternativa de renda em tempos de seca

Experiência de produtor com silagem é alternativa para diversificação de culturas no Perímetro Irrigado Estreito, em Urandi.

Experiência de produtor com silagem é alternativa para diversificação de culturas no Perímetro Irrigado Estreito, em Urandi.

Em Urandi, no Médio São Francisco baiano, sucesso de um produtor estimula famílias de agricultores do Estreito a apostar em novo cultivo. Agricultores familiares do perímetro público de irrigação Estreito, gerido pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) em Urandi, no Médio São Francisco baiano, descobriram na produção e comercialização de silagem de milho – principal alimento volumoso para animais em confinamento –, uma boa alternativa de renda em tempos de estiagem prolongada, quando o desabastecimento de reservatórios pode afetar a fruticultura.

O produtor Clériston Viana Cardoso e sua bem sucedida aposta no filão motivou os demais irrigantes do projeto. Em maio passado, quando a irrigação foi retomada no perímetro após um período de “baixa” nos reservatórios de Estreito e de Cova da Mandioca, ele decidiu iniciar a produção de milho e investir em tecnologia ao adquirir um equipamento apropriado para o ensacamento da silagem.

Hoje, comercializa mais de 100 toneladas na região a cada colheita, em sacos de 30 quilos. A perspectiva do produtor é de aumentar a área plantada e a produção no próximo ano, tendo em vista a sinalização de um mercado ávido pelo produto em outras regiões do estado e do País. “Os criadores daqui compram silagem ou feno de várias regiões do país, principalmente da região oeste da Bahia e de regiões de Minas Gerais, como Sete Lagoas, e a preço de ouro”, conta o agricultor.

A preocupação em produzir alimento volumoso para os rebanhos, particularmente no período seco do ano quando as pastagens naturais tornam-se cada vez mais precárias, tem aumentado a utilização da silagem especialmente entre os pecuaristas que se dedicam à produção de leite.

Segundo informações da Embrapa, o milho é uma das culturas mais utilizadas neste processo no Brasil por apresentar um bom rendimento de matéria verde, excelente qualidade de fermentação e manutenção do valor nutritivo da massa ensilada. Outras vantagens que o cereal proporciona são um baixo custo operacional de produção e uma boa aceitabilidade por parte dos animais.

“O milho é mais rápido e exige menos água e mão de obra”, atesta Clériston Cardoso. “Até agora não me arrependi, pois o comércio é firme, não tem atravessadores, e, acima de tudo, o pagamento é à vista. Com o recente retorno do nível operacional dos reservatórios que abastecem o Estreito, espero que, nos próximos anos, possamos diversificar o sistema produtivo, melhorando a produtividade, com um uso mais racional da água, e, com isso, possamos buscar uma produção mais verticalizada, com melhores preços”, planeja.

Novas tecnologias

Atualmente, apesar da estiagem prolongada, os reservatórios de Estreito e de Cova da Mandioca, que são operados pela Codevasf em Urandi e que servem à irrigação do perímetro Estreito, estão em nível considerado “normal”. Na barragem da Cova da Mandioca, o volume atual é 57 hm³, o que significa 47% de sua capacidade útil. Já a barragem de Estreito, que também é usada para abastecimento humano de Espinosa, em Minas Gerais, apresenta hoje 24 hm³, ou 33% da sua capacidade útil.

“O comércio de silagem não era algo comum no passado”, observa Leonardo Franklin, técnico da Codevasf no escritório de Guanambi, que é ligado à 2ª Superintendência Regional da Companhia, sediada em Bom Jesus da Lapa. “Esse fato é compreensível porque, de forma geral, as silagens eram e são produzidas em grande escala, o que inviabiliza o comércio. Contudo, nos últimos anos algumas tecnologias foram desenvolvidas e permitiram que este tipo de alimento animal passasse a ser comercializado, inclusive a longas distâncias – e uma dessas tecnologias é a da silagem ensacada”, explica.

De acordo com ele, a tecnologia trouxe praticidade porque pequenos volumes de silagem são comercializados (sacos de 25 a 35 kg), o que facilita o transporte e o manejo. “Não há dúvidas de que o comércio de silagem em pequenas quantidades surgiu como tecnologia benéfica aos produtores das áreas irrigadas dos perímetros públicos geridos pela Codevasf”, complementa Franklin.

Milho é forrageira preferida

Silagem é o produto resultante de um processo específico de anaerobiose por acidificação do material vegetal verde e que permite seu armazenamento por longos períodos, conservando seu valor nutritivo. A ensilagem é o processo que tem por objetivo a conservação de forragem verde, com um valor nutritivo mais próximo do material original, e com perdas mínimas.

O milho é uma das forrageiras mais usadas na produção de silagem, principalmente para suplementação de vacas leiteiras de alta produção. Vários fatores justificam o uso do milho como a forrageira preferida para produção de silagem: sistema de produção já definido, facilidade de cultivo (mecanizado), produção adequada de matéria seca, facilidade de fermentação, alto valor energético e consumo voluntário elevado.

*Com informações da Embrapa

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