Impeachment de Dilma cria ‘precedente perigoso’ para futuro do Brasil, diz Oliver Stone

Oliver Stone condena processo de impeachment no Brasil.

Oliver Stone condena processo de impeachment no Brasil.

O cineasta americano Oliver Stone diz acreditar que o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff cria um “precedente perigoso” para o futuro do Brasil.

“Quando há um golpe político como o que houve no Brasil, por uma questão relativamente menor, você não colhe nenhum benefício”, afirmou.

“Logo que você abre esse precedente e retrocede a um tipo de pensamento político totalmente diferente, você cria um precedente perigoso para o futuro”, acrescentou.

Stone conversou com a BBC Brasil durante o último Festival de Cinema de Zurique, onde promoveu seu novo filme, Snowden ─ Herói ou Traidor, que estreia no Brasil no mês que vem.

No longa, o diretor recria o momento em que o ex-funcionário da Agência Nacional de Segurança Americana (NSA, na sigla em inglês) se apresenta aos repórteres do jornal britânico The Guardian em Hong Kong, na China, e revela detalhes da espionagem utilizada pelo governo americano.

O filme dramatiza também a história de como o americano, anteriormente um republicano patriota que se alistou para lutar na guerra do Iraque, se voltou contra o governo. Edward Snowden é vivido pelo ator Joseph Gordon-Levitt.

Censura

Aos 70 anos, o diretor – que é famoso por filmes políticos, como a trilogia sobre JFK, George W. Bush e Nixon, além de vários documentários sobre ícones da esquerda latino-americana, como Hugo Chávez e Fidel Castro – defendeu o papel de denunciantes como Snowden.

“Denunciantes de uma forma geral são importantes para uma sociedade saudável. Eles geralmente não se dão bem e as penalidades contra eles são muito severas”, assinalou.

“Um caso famoso foi o denunciante da indústria do tabaco. Foi por causa dele que as pessoas finalmente acordaram para o mal do tabaco e da sua indústria corrupta”, disse Stone.

O diretor também falou sobre a dificuldade de fazer seu filme sobre o ex-funcionário da NSA.

“Fazer este filme foi um drama tão grande quanto o retratado pelo filme”, explicou.

“Eu acho que há um fator de medo de censura do governo no momento. E acho que muitas empresas não quiseram patrocinar o filme ou não quiseram estar envolvidas com ele por que o longa destaca uma figura controversa como o Snowden”, acrescentou.

Abalo diplomático

As revelações de Edward Snowden, em 2012, revelaram a espionagem que a NSA fez em emails e telefonemas da ex-presidente Dilma Rousseff, causando mal-estar diplomático entre o Brasil e EUA na época. Dilma chegou a cancelar uma visita de Estado que faria aos EUA naquele ano.

“Snowden mostrou como o governo americano pode ser perigoso sendo seu aliado. Eles se declararam aliados do Brasil, mas têm vigiado a Petrobras e participaram de espionagem industrial pelo mundo. A Petrobras é uma companhia gigantesca e o governo americano está muito interessado”, disse ele.

Sobre o impeachment, o cineasta criticou as classes dominantes no Brasil.

“Há uma certa classe que vive no Brasil que continua a mesma, arrogante. Eles acham que são donos do mundo e que têm o direito de fazer o que quiserem com o povo, ou que o povo não sabe nada”, afirmou.

“No Brasil, Lula foi bem sucedido e popular. Eu conheci a Dilma e gostei muito dela, mas não sou um especialista em assuntos brasileiros. Aparentemente ela não foi uma boa presidente”, ressalvou. “Não foi boa em fazer política.”

Sul da Fronteira

Stone conheceu o ex-presidente Lula pessoalmente, entre outros líderes da América Latina, durante as gravações do documentário Ao Sul da Fronteira (2009), sobre os líderes políticos da região.

Questionado sobre a situação do petista, que se tornou réu pela segunda vez na Lava Jato, após o juiz federal Sergio Moro aceitar denúncia do Ministério Público Federal, o cineasta afirmou que “qualquer coisa pode acontecer”.

“Lula é um homem inteligente e gentil e com sorte ele vai evitar tudo isso. Mas eu não sei quais são as novas regras no Brasil no momento. Aparentemente qualquer coisa pode acontecer”, disse.

“Você tem que ser inteligente para sobreviver porque os inimigos nos Estados Unidos e no Brasil jogam sujo e usarão qualquer manobra para se livrar de você”, completou.

“Seja o que acontecer no Brasil eu desejo o melhor, mas acredito que o país tomou o rumo errado. Entretanto, eles nunca conseguirão reverter as mudanças que o Lula implementou e que foram bem sucedidas”, concluiu.

*Com informação da BBC Brasil.

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