Governo da Bahia apoia implantação de Bancos de Sementes em comunidades do Litoral Sul da Bahia

Implantação de Bancos de Sementes em comunidades do Litoral Sul da Bahia.

Implantação de Bancos de Sementes em comunidades do Litoral Sul da Bahia.

Com o objetivo de fortalecer a soberania alimentar dos povos, preservar as culturas nativas do Bioma Mata Atlântica, produzir e difundir as sementes crioulas ou nativas no estado da Bahia,  bem como gerar renda a partir da autonomia deste essencial insumo para a Agricultura Familiar, a Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), empresa pública vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), firmou convênio com a Associação Territorial Agroecológica Povos Cabruca e Mata Atlântica (TEIA) para a implantação do Banco de Sementes Comunitários  no Território de Identidade Litoral Sul.

O projeto, que teve investimentos na ordem de R$ 262 mil, prevê a produção de sementes nativas, numa área total de 10 hectares e tem ainda a finalidade de perpetuar as espécies plantadas, escolhidas de acordo com as condições locais do clima e do solo, permitindo a preservação dos interesses culturais, econômicos e reprodutivos. As sementes produzidas devem reunir características que assegurem o alto vigor, boa germinação, pureza física da variedade e ser livre de patógenos que provocam doenças. A escolha das espécies e variedades,

A produção dos Bancos de Sementes é feita pelos próprios agricultores familiares o que permite a redução de custos e troca de sementes entre as famílias beneficiadas. A iniciativa conta com a atuação do Instituto Biofábrica de Cacau (IBC), instituição financiada pelo Governo do Estado, por meio da CAR/SDR, que atua na realização de mobilizações, acompanhamento técnico, capacitações e intercâmbios de conhecimento, além de apoiar implantação dos Bancos de Sementes Comunitários.

“Com o resgate das sementes crioulas, buscamos o fortalecimento dos territórios. Nesse sentido, a Biofábrica contribui com mobilizações e oficinas técnicas, por meio do projeto Dia de Campo, a exemplo dos que já foram realizados em Arataca, Pau Brasil e Ibicaraí”, explica o diretor-geral do IBC, Lanns Almeida.

Implantação

Os bancos estão sendo implantados em 12 áreas de comunidades estratégicas: quatro no território da aldeia Pataxó Hã-Hã-Hãe, em Pau Brasil, duas no território da aldeia Tupinambá, em São José da Vitória e Buerarema, duas no Assentamento Terra Vista, em Arataca, que detém o banco central, duas no Assentamento Canaã, em Canavieiras, e duas na sede da Comissão Estadual Trabalhadores Campesinos (CETA).

“Essa é a nossa luta para proteger a biodiversidade. A semente crioula tem uma trajetória de milhares de anos, chegando ao Brasil com os povos africanos, e, guardar esse conhecimento, é uma questão estratégica para defender a soberania alimentar e desenvolver a autonomia das comunidades, além de ter uma responsabilidade florestal, com a parceria da Biofábrica. Seus conhecimentos ajudam-nos no empoderamento, com noções de ciência e tecnologia, tanto para os bancos de semente quanto para as florestas. A ação evita ainda que essas populações fiquem num regime de pedinte, ou seja, todo ano esperando sementes do Estado”, diz Joelson Ferreira, da coordenação TEIA.

Como funciona

Escrito pela TEIA dos Povos, por meio da Associação Territorial de Agroecologia dos Povos da Cabruca e da Mata Atlântica (Acabruca), o Banco de Sementes Comunitário doa sementes de feijão, maniva, milho e abacaxi, para atender a comunidades próximas às áreas estratégicas.

Cada comunidade retira a quantidade desejada e, após a colheita, precisa devolver 30% daquela quantidade, de modo que não faltem sementes para outras comunidades. Pelo projeto, 7,5, do total de 10 hectares, já estão em processo de produção. Os bancos, que funcionam nas áreas Tupinambá e do Assentamento Terra Vista, já estão realizando doações. “As sementes que recebi do Terra Vista, já foram plantadas e, uma parte das sementes de milho, feijão e maniva, levei para os que precisam. Fiz doações para várias pessoas de Itajuípe e Pau Brasil”, conta a líder indígena Tupinambá, Maria José Muniz, a Maya.

“Com um banco sempre teremos sementes, então a gente pode plantar na data certa. Ter um banco de sementes dentro das comunidades deixa a gente menos dependente de receber sementes de outros lugares e temos como plantar mais e distribuir, garantindo a devolução e acesso de várias comunidades”, completa o Cacique Nailton da tribo Pataxó-Hã-Hã-Hãe, em Pau Brasil.

Para Carlos Viana, da coordenação da TEIA,  a atuação da Biofábrica é fundamental no trabalho  de sensibilização das comunidades, com difusão de tecnologia e propagação das sementes nos dias de campo, e a matriz genética das mudas.

“A Biofábrica dá notoriedade a esses bancos de sementes, quebrando uma dinâmica concentrada nos grandes setores de produção, que colocam as sementes em regiões que não têm afinidade. Imagine você plantar 10 mil mudas de abacaxi e colher 80 mil mudas, e um produto de qualidade. Então, com o instituto, a gente potencializa a produção de acordo com a realidade de cada comunidade, numa etnoprodução, além de aproximar o Governo do Estado, de forma mais direta, às comunidades, que são ouvidas. Talvez, sem a parceria da Biofábrica, não teríamos atingido os 65% que já atingimos com o projeto”, completa.

Os Bancos de Sementes Comunitários são acompanhados por um grupo de anciãos e um corpo técnico. Duas feiras de troca de sementes já foram realizadas, em Terra Vista e Pau Brasil, e está prevista a realização de um festival de sementes.

A Biofábrica

A Biofábrica de Cacau está sob a gestão do Instituto Biofábrica de Cacau, uma organização social sem fins lucrativos, constituída em 1999, no distrito de Banco do Pedro, município de Ilhéus, contratado pelo Governo do Estado da Bahia, por meio da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), empresa pública vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), para gerir, promover, criar, implantar e manter a unidade de produção. A unidade é constituída por 50 hectares de jardins clonais, quatro hectares ocupados com 20 viveiros, com capacidade para 4.400.000 mudas, por ciclo, e um laboratório de micropropagação vegetal construído em uma área de 546,11m².

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