Fundação Gregório de Mattos recebe exposição itinerante do ‘A arte da lembrança – a saudade na fotografia brasileira’

Cartaz da exposição itinerante do 'A arte da lembrança – a saudade na fotografia brasileira'.

Cartaz da exposição itinerante do ‘A arte da lembrança – a saudade na fotografia brasileira’.

O Teatro Gregório de Mattos e o Espaço Cultural da Barroquinha abrem as portas da Galeria da Cidade e da Juarez Paraíso, para o público prestigiar a partir de 12 de outubro de 2016, a exposição itinerante promovida pelo Itaú Cultural ‘A arte da lembrança – a saudade na fotografia brasileira’ que apresenta um percurso iconográfico de um sentimento pessoal e universal registrado em um arco de 80 anos, a partir da década de 1930, nos estados da Bahia, Pará, Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo.

A mostra, que fica em cartaz até 11 de dezembro, de quarta a domingo, das 14 às 19h, reúne 123 imagens de 36 artistas brasileiros, ou residentes no país, incluindo sete baianos – Adenor Gondim, Aracy Esteve Gomes, Aristides Alves, Iêda Marques, Lita Cerqueira, Luciano Andrade e Voltaire Fraga. A montagem da exposição em Salvador é resultado da parceria com a Fundação Gregório de Mattos, órgão vinculado à Secretaria de Cultura e Turismo, Prefeitura Municipal de Salvador.

Com curadoria de Diógenes Moura, pesquisa de Samuel de Jesus e projeto expográfico de Henrique Soares e Érica Pedrosa, do Itaú Cultural, A Arte da Lembrança – A Saudade na Fotografia Brasileira chega a Salvador, terceiro destino da itinerância, tendo passado antes por São Paulo e Belém. Segue depois para Fortaleza, em janeiro.

Todas as imagens em A Arte da Lembrança – A Saudade na Fotografia Brasileira transcorrem da década de 1930 até o ano de 2014, em variados estilos e linguagens de expressivos fotógrafos brasileiros. Reunidos na Galeria da Cidade, estão 110 trabalhos de artistas contemporâneos e de outros representativos na produção fotográfica do país, como Alcir Lacerda, Irene Almeida, Luiz Braga, Gilvan Barreto, Paula Sampaio e Márcio Távora.

Neste conjunto, entre documentações, ensaios e paisagens, se encontram trabalhos de seis dos fotógrafos da Bahia, como Voltaire Fraga, de quem são as imagens sobre o cotidiano da cidade, a vista noturna e paralisante da Rua Chile, de Salvador, e ainda de pescadores e crianças à beira-mar. Destacam-se também a contemporaneidade de Adenor Gondim, o qual revela um sentimento de vazio na lida religiosa, as fotos produzidas nos anos de 1950 de Aracy Esteve Gomes, imagens coloridas datadas de 1980 em diante de Aristides Alves, outras preto-e-brancas de Lita Cerqueira e de Luciano Andrade, cuja temática gira em torno da relação das pessoas com o urbanismo e a arquitetura. Os mais contemporâneos que representam a Bahia nesta mostra são Márcio Lima e Iêda Marques. Além de terem em comum as cores, ambos os artistas são autores de séries. Lima é responsável pelo tríptico Aquela Música que Escutei (2009), que remete à solidão em um baile de madrugada e Iêda, pela sequência Morada Enfeitada I, estrada do Vau da Boa Esperança (2014), que fala de dor e despedida no registro real do velório de sua mãe.

Na Galeria Juarez Paraíso, no Espaço Cultural da Barroquinha, há 13 obras pertencentes ao acervo do Itaú Cultural e outras fotos selecionadas pelo curador durante a pesquisa para a exposição, exibidas em formato de vídeo-projeção. Elas remontam ao início do movimento modernista na fotografia nacional, nos anos 1940, de autoria de German Lorca, José Oiticica Filho, Ademar Manarini, José Yalenti, Julio Agostinelli e de dois estrangeiros residentes no país, o letão Alexandre Berzin e o austríaco Kurt Klagsbrunn. Neste espaço ainda há trabalhos de Luciano Andrade, nascido em 1950, na Bahia, cujo olhar contemporâneo dialoga com o dos demais artistas.

“A Arte da Lembrança convida o espectador a iniciar um percurso singular em um espaço de associação de ideias onde se juntam as experiências sensíveis que detemos do mundo”, observa o curador. Pernambucano, poeta, fotógrafo e ex-curador de fotografia da Pinacoteca do Estado de São Paulo, ele ganhou, em 2014 o prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) pela exposição Retumbante Natureza Humanizada, realizada no Sesc Pinheiros com fotos de Luiz Braga, um dos participantes de A Arte da Lembrança.

Para Moura, a tradução de saudade vibra nas imagens selecionadas para esta exposição “Nos rostos anônimos oferecidos ao passante curioso, dispostos no cenário improvisado de um fotógrafo popular”, diz complementando: “No desvio de uma rua, ou no meio da praça pública, percebemos a estranha sensação do seu limiar imagético.”

Até chegar ao conjunto da mostra, ele fez uma extensa pesquisa em todo o país em acervos particulares e instituições públicas. Reuniu cópias de época e ampliações únicas em pigmento mineral sobre papel algodão, entre outras, tanto em P&B quanto em cor e videoprojeções. Organizou um percurso curatorial, sem ordem cronológica, mas, sim, sensorial, agrupando as imagens nas epígrafes Diante do limiar, Devaneio do flâneur, Fantasmagoria, Levar o véu, A poética da dormência, Árida como a morte.

 Para citar algumas, encontra-se neste percurso fotos de ambientes desolados, que denotam as marcas recentes da passagem de alguém, feitas por Márcio Távora em 2011; de rastros de uma família e suas sutis tradições impressas em detalhes, pelo premiado fotógrafo oriundo do Pará, Luiz Braga.

Vê-se ainda o piso que restou de uma casa destruída no interior do Pernambuco, clicada por Gilvan Barreto em 2011; uma mulher consultando seu relógio, entre outras, diante do cinema na Cinelândia, no Rio de Janeiro, feita por Kurt Klagsbrunn no final da década de 40. Conte-se aqui também as videoprojeções Vazio, realizada por Alberto Bittar, em 2012, e Sonoro Diamante Negro, do ano de 2014, de Suely Nascimento.

Como escreve o curador, são, enfim, registros das cidades e suas demolições, da perda das paredes do tempo, de objetos vazios à mercê da poeira do passado; da ausência e morte de entes queridos por alguém.

Agenda

Data: 12 de outubro a 11 de dezembro de 2016

De quarta-feira a domingo, das 14h às 19h

Galeria da Cidade – Teatro Gregório de Mattos – Praça Castro Alves, s/n, Centro – Salvador, BA

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