Editorial: a perda de representatividade federal de Feira de Santana e os reflexos das eleições de 2016 no pleito de 2018

Deputados Carlos Geilson e José de Arimateia emergem como possíveis candidatos ao mandato de deputado federal; Targino Machado tem reeleição fortalecida.

Deputados Carlos Geilson e José de Arimateia emergem como possíveis candidatos ao mandato de deputado federal; Targino Machado tem reeleição fortalecida.

As recentes declarações dos deputados federais Antonio Lázaro (PSC) e Fernando Torres (PSD), afirmando que estavam desistindo da reeleição e que pleiteiam disputar mandato estadual, evidencia o esgarçamento da representação federal do município de Feira de Santana, além da necessidade de reposicionamento de mandatos estaduais.

A mudança de postura dos atores políticos demonstra a necessidade de renovação e fortalecimento da representação federal de Feira de Santana. A perda da representatividade federal faz com que o município deixe de receber emendas parlamentares, além de não ter os temas da comunidade debatidos no parlamento nacional.

Esse editorial analisa a postura e o desempenho de parlamentares que possuem base política em Feira de Santana e que fazem parte do bloco suprapartidário de apoio ao prefeito José Ronaldo. A análise do cenário político tem como ponto de partida os resultados das eleições municipais de 2016, as recentes declarações destes atores políticos e como essas declarações refletem no reposicionamento dos demais atores. Não são analisados os políticos de oposição ao prefeito José Ronaldo, à exceção do deputado Fernando Torres (PSD).

O gospel

Em 2014, o único deputado federal eleito “por Feira de Santana” foi o dublê de cantor gospel e político Antonio Lázaro (PSC). Ilustre “desconhecido” de boa parte da comunidade, Antonio Lázaro não tinha participação efetiva na vida política da comunidade, mas, como um político votado no município, ganhou projeção e até espaço na administração municipal do prefeito José Ronaldo (DEM).

Políticos experientes avaliam que a atuação parlamentar de Antonio Lázaro (PSC) foi pouco qualificada. Aliado a esse fator, ocorre o esgotamento dos shows evangélicos que o projetaram como político. Fórmula que deu projeção à imagem de Antonio Lázaro, mas pouco ou nenhum benefício trouxe à população. Além desses aspectos, os experientes políticos inferem que a passagem como secretário do município de Salvador não foi marcada por êxito.

A conjunção destes fatores conduziu ao elevado desgaste político de Antonio Lázaro (PSC). O conjunto de fatores são determinantes para que desista de uma reeleição e tente um mandato estadual.

O comerciante

Fazendo parte do bloco de oposição ao governo municipal, o dublê de comerciante e político Fernando Torres (PSD) ocupa o mandato parlamentar através da suplência. A mudança de poder da República, através do Golpe Parlamentar, em que foi retirada Dilma Rousseff (PT) e colocado Michel Temer (PMDB) na presidência do país, aliado ao resultado pouco expressivo do grupo que apoiou a candidatura de oposição, em Feira de Santana, através de Jairo Carneiro (PP), que obteve apenas 8.812 votos no pleito de 2016, evidencia o enfraquecimento político de Torres.

A tentativa de Fernando Torres de retomar o mandato parlamentar através de uma eleição estadual lhe parece o caminho mais plausível para se manter ativo no processo político e com alguma projeção em Feira de Santana.

Pessoas próximas ao prefeito José Ronaldo e ao deputado Fernando Torres convergem no seguinte raciocínio, de que a ação política de José Ronaldo, em Feira de Santana, não apenas depauperou a liderança de Torres como compromete o futuro político do comerciante.

Emergentes

Três deputados estaduais emergem fortalecidos do pleito de 2016. Os deputados estaduais Carlos Geilson (PSDB) e José de Arimateia (PRB) aparecem com opções para representar a população de Feira de Santana através do mandato federal. Além deles, o deputado Targino Machado (PPS) mesmo não obtendo vitória eleitoral através da candidatura, do filho Tarcísio Machado e da sobrinha vereadora Cíntia Machado, emerge do pleito municipal de 2016 com significativa movimentação na base de sustentação política, fortalecendo o projeto de reeleição.

O comunicador

Dublê de radialista e político, Carlos Geilson (PSDB) é o nome que mais consolidou apoios durante o pleito de 2016. Vários vereadores, eleitos e não reeleitos em Feira de Santana, reconheceram a contribuição do deputado, lhe tecendo elogios. Além do apoio aos vereadores, Carlos Geilson tem atuado em consonância com o líder político José Ronaldo. O deputado estadual segue os passos do prefeito em eventos municipais e apoia as inciativas do líder. Aliado a esses fatores, o deputado estadual organizou a executiva do PSDB em vários municípios, atuando na negociação de candidaturas.

Pessoa de personalidade afável e conciliadora, Carlos Geilson, desde que entrou na política, buscou manter posição ideológica coerente com a própria trajetória, fazendo oposição ao governo do Estado e aproximando-se da principal liderança estadual do Democratas, ACM Neto, prefeito de Salvador.

Segundo fontes do PSDB, existe o desejo do partido em ampliar a base parlamentar federal na Bahia e o nome mais cotado para disputar um mandato federal é o de Carlos Geilson.

Dois outros fatores favorecem a candidatura de Carlos Geilson a um mandato federal, o resultado eleitoral do PSDB no processo político de 2016 e uma crescente consolidação da imagem de Geilson junto a setores da sociedade feirense.

O pastor

Jornalista, pastor e deputado estadual, José de Arimateia está filiado ao partido que maior crescimento nacional obteve no pleito de 2016, o PRB. Arimateia é um político experiente, tendo ocupado mandatos de vereador em Feira de Santana, além de ter sido reeleito deputado estadual em 2014. A atuação parlamentar é bastante positiva, temas como saúde, direitos dos idosos, dos animais e campanhas em defesa da mulher são objeto de permanente ação do parlamentar

No pleito de 2016, Arimateia desistiu de uma candidatura à prefeito de Feira de Santana para apoiar a reeleição de José Ronaldo. Além do apoio ao prefeito, o partido conseguiu reconduzir o vereador Eliziário Ribeiro (Eli Ribeiro, PRB) em Feira de Santana e observou, como em outras partes do país, a ampliação da votação no município.

No conjunto, Arimateia é um dos nomes do PRB para disputar mandato federal. Segundo fontes do partido, existe a possibilidade do PRB ampliar a base federal na Bahia e o nome de Arimateia é o mais cogitado. A articulação conta com o apoio do deputado federal Márcio Marinho (PRB) e com apoio de outros setores do partido.

A recente vitória do senador Marcelo Crivella para prefeitura do Rio de Janeiro ampliou o projeto do partido de buscar, na Bahia, maior espaço político.

O médico

Profissional com décadas de atuação na medicina, atividade que divide com o mandato de deputado estadual, Targino Machado (PPS) é um político experiente e habilidoso. No pleito de 2014, liderados do deputado foram derrotados nas urnas, mas, em política uma derrota pode também representar um potencial eleitoral. Nesse aspecto, os votos concedidos aos liderados do deputado evidenciam um mandato dinâmico, capaz de mobilizar forças sociais.

Exemplo dessa movimentação pode ser observado com através dos 4.054 votos concedidos à vereadora Cíntia Machado (PMB) e os 8.102 concedidos a Tarcísio Machado (PPS), quando candidato a prefeito de São Gonçalo dos Campos.

Além dos fatores citados anteriormente, o deputado apoiou a reeleição do prefeito José Ronaldo, mas condicionou o apoio à indicação do vice-prefeito Colbert Martins Filho (PMDB) à desistência do mesmo a um projeto de eleição para deputado estadual ou federal em 2018. Segundo fontes, o prefeito agradeceu e confirmou que iria apoiar o projeto de reeleição de Targino. Confirmando a informação de apoio recíproco, durante o pleito de 2016, Ronaldo esteve em São Gonçalo dos Campos fazendo campanha para Tarcísio Machado.

Sem mandatos

Dois nomes do bloco de apoio a José Ronaldo buscam conquistar mandatos. José Francisco (Zé Chico, DEM) tentou, sem êxito em 2014, um mandato federal, e é provável que tente a eleição em 2018. Caso se mantenha no Democratas, as chances de vitória serão reduzidas. Outro nome que objetiva retomar o protagonismo político em Feira de Santana é o do ex-deputado federal e atual secretário municipal Sérgio Carneiro (PV). Segundo fontes, o partido deseja que Sérgio Carneiro pleiteie, em 2018, um mandato federal, mas, pessoas próximas ao secretário afirmam que ele objetiva um mandato estadual.

PMDB depauperado

O vice-prefeito eleito de Feira de Santana é o médico Colbert Martins Filho (PMDB). A votação obtida pelos vereadores do partido, pouco mais de 10 mil votos, evidencia o enfraquecimento da liderança de Colbert Filho. Para alcançar a condição de vice-prefeito, o ex-deputado federal teve que assumir o compromisso público de não se candidatar a mandatos eletivos no pleito de 2018.

2020

Em Feira de Santana, a disputa eleitoral de 2018 será um importante balizador para a eleição municipal de 2020. Embora seja um cenário distante, pode-se inferir que o principal cabo eleitoral é o atual prefeito José Ronaldo. Reeleito, Ronaldo estará fora da disputa de 2020.

Nesse contexto, o nome mais próximo do prefeito e o que melhor desempenho obteve no pleito de 2016 é o deputado estadual Carlos Geilson (PSDB). Os deputados estaduais José de Arimateia (PRB) e Targino Machado (PPS) participam do mesmo bloco político, mas tem atuação mais desvinculada do prefeito de Feira de Santana. No contexto atual esses são os nomes que melhor se apresentam para conquista de espaço político no município. Mas, os projetos de 2020 passam por 2018.

Além dos aspectos abordados no editorial, existe um fator permanente de incerteza política em âmbito nacional, que afeta a política local, é o Caso Lava Jato. A delação dos cinquenta executivos do Grupo Odebrecht refletirá no sistema político nacional e liderança de vários partidos serão atingidas.

Como esses elementos podem influenciar na representação política de Feira de Santana, permanece como uma questão em aberto, que será respondida com os desdobramentos eleitorais de 2018 e com as investigações do Caso Lava Jato.

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