Defesa do ex-presidente Lula quer que Justiça esclareça relação do juiz Sérgio Moro com prefeito eleito pelo PSDB João Dória

Prefeito eleito de São Paulo João Dória (PSDB), juiz Sérgio Moro e deputado Fernando Capez, deputado é citado no esquema de corrupção da compra da merenda escolar pelo Estado de São Paulo. Advogados questionam imparcialidade de magistrado que julga ex-presidente.

Prefeito eleito de São Paulo João Dória (PSDB), juiz Sérgio Moro e deputado Fernando Capez, deputado é citado no esquema de corrupção da compra da merenda escolar pelo Estado de São Paulo. Advogados questionam imparcialidade de magistrado que julga ex-presidente.

Os advogados que representam o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva protocolaram nesta terça-feira um pedido junto à Justiça Federal para que seja esclarecida a relação entre o juiz Sérgio Moro e o prefeito eleito da cidade de São Paulo, João Dória Jr. (PSDB).

Está marcado hoje (19/10/2016) o julgamento solicitado pela defesa de Lula sobre a suspeição que recai sobre o juiz do Paraná pelo fato deste ter participado de ato com Dória quando ele já era pré-candidato a prefeito, entre outros fatos que levam a crer que o juiz perdeu a imparcialidade necessária para julgar Lula.

Tal julgamento, no entanto, está marcado para ocorrer sem que tenham sido ouvidas pelas Justiça as sete testemunhas indicadas pelos advogados de Lula que provariam a parcialidade do juiz em relação a Lula, principalmente por ilegalidades e pré-julgamentos feitos por Moro em relação ao ex-presidente.

O desembargador que irá julgar a suspeição, Gebran Neto, foi quem se recusou a ouvir as testemunhas. A defesa do ex-presidente questionou o magistrado se ele possui relações de amizade com Sérgio Moro, diante de informações que indicam que Gebran seria padrinho do filho do juiz. O desembargador, por sua vez, recusou-se a responder. Por causa disso, os advogados de Lula recorreram ao STJ e ao STF para que essa questão fosse esclarecida.

As ligações de Moro com Dória

A suspeição de Sérgio Moro decorre de violações de diversas garantias fundamentais do ex-presidente, que vêm sendo praticadas desde março deste ano. Uma das testemunhas arroladas é João Dória Júnior, prefeito eleito pelo PSDB e proprietário da empresa de palestras LIDE.

Dória realizou três eventos protagonizados por Moro quando já era pré-candidato tucano. Apesar disso, Moro nega ter perdido a imparcialidade para julgar Lula. Ele afirma: “Relativamente ao evento na aludida LIDE, em São Paulo, no qual estava presente o Sr. João Dória Júnior, é importante destacar que ele ocorreu em 22/09/2015 muito distante da eleição municipal neste ano ou da própria definição de referida pessoa como candidato à Prefeitura de São Paulo.” Com isso, Moro quer dizer que, ainda prestigie com frequência os eventos de Dória que reúnem empresários e políticos, isso não pode ser considerado um problema, já que todos os eventos ocorreram antes da oficialização de Dória como candidato do PSDB.

As provas apresentadas pelos advogados de Lula, no entanto, mostram que a pré-candidatura de Dória foi apresentada em agosto de 2015, indicando que efetivamente Moro participou de eventos com um pré-candidato do PSDB, circunstância que, aliada aos demais fatos, confirma a perda da sua imparcialidade. É de conhecimento público, aliás, que a ligação de Dória com o PSDB data de muitos anos. Já na eleição de 2012 à Prefeitura de São Paulo, por exemplo, o dono da LIDE figurou como um dos pré-candidatos da legenda, conforme amplamente divulgado à época pela imprensa nacional.

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