Resolução do PT evidencia atitude fascista dos membros da Força-tarefa da Lava Jato ao apresentarem denúncia sem provas

O ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva durante discurso sobre a denúncia do MPF contra ele e sua mulher Marisa Letícia por crimes de corrupção. Na foto: Lula e o prefeito de São Paulo Fernando Haddad, do lado de fora do hotel Jaraguá.

O ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva durante discurso sobre a denúncia do MPF contra ele e sua mulher Marisa Letícia por crimes de corrupção.

Sobre o ataque reacionário de setores conservadores do Ministério Público Federal (MPF) que atuam no Caso Lava Jato, setores identificados com o apoio ao Golpe Parlamentar de 2016, o Partido dos Trabalhadores aprova resolução oficial elaborada pelos membros do Diretório Nacional, durante reunião em São Paulo nesta quinta-feira (15/09/2016). Após a reunião, o Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores divulgou a resolução “O PT não faltará a mais um chamado da História”.

No texto, afirma que houve um “deprimente espetáculo oferecido por promotores da Operação Lava Jato, ao denunciar leviana e irresponsavelmente o ex-presidente Lula, sua esposa Marisa Letícia”.

Para o PT, trata-se de um ataque à Justiça e ao Estado Democrático de Direito, às vésperas das eleições municipais. O documento considera que esta escalada faz parte do golpe que derrubou a presidenta Dilma Rousseff e da tentativa de criminalizar a esquerda, Lula e o PT.

Os membros do Diretório Nacional conclamam movimentos sociais, a classe trabalhadora, intelectuais, juristas e militantes independentes a se mobilizar pelo fim do governo usurpador de Michel Temer e por eleições diretas para presidente da República.

A resolução foi divulgada horas depois da entrevista coletiva concedida por Lula para falar sobre a ameaça do Ministério Público de denunciá-lo, apesar da ausência de provas.

Íntegra da resolução: ‘O PT não faltará a mais um chamado da História’

O país assistiu estarrecido ao deprimente espetáculo oferecido pelos promotores da Operação Lava Jato, ao denunciar leviana e irresponsavelmente o ex-presidente Lula, sua esposa Marisa Letícia, o companheiro Paulo Okamoto e outros seis cidadãos. Nas palavras de um dos integrantes do MPF, a confissão é clara: “não temos provas cabais, mas temos convicções”.

Esse ataque à Justiça e ao Estado Democrático de Direito, às vésperas das eleições municipais, faz parte da campanha de linchamento jurídico-midiático contra um grande líder do povo brasileiro e seu partido político.

A vida do presidente Lula tem sido vasculhada há 40 anos. Particularmente de 2014 para cá, agentes do Ministério Público Federal, da Polícia Federal e no Poder Judiciário tem buscado encontrar um crime para acusá-lo.

Os ataques contra Lula, promovidos em várias frentes simultâneas, configuram um movimento orquestrado de perseguição.

A escalada em curso constitui-se em mais um capítulo do golpe institucional que derrubou a presidenta Dilma Rousseff, cujo objetivo é reverter as conquistas sociais e políticas dos últimos treze anos, buscando eliminar o ex-presidente da vida política brasileira.

O que pretendem as elites é incriminar Lula, ilegalizar o PT e destruir a esquerda para realizar, sem a sustentação dos votos, um dos mais regressivos e selvagens programas de orientação neoliberal.

O governo usurpador anuncia mudanças que rompem com o legado da Constituição de 1988. A PEC do Estado Mínimo, a 241, se implementada, comprometerá por vinte anos as políticas públicas e os investimentos sociais, especialmente o orçamento para educação e saúde.

Pretendem os golpistas também entregar o Pré-Sal aos grupos internacionais, violar a legislação trabalhista, reduzir as aposentadorias e vender terras brasileiras a estrangeiros.

Para atingir estes objetivos, patrocinam ações repressivas contra manifestações populares e abdicam da soberania nacional em proveito das grandes potencias.

O Partido dos Trabalhadores, solidário à indignação frente aos desmandos das oligarquias, conclama à intensificação da resistência contra o golpe. Somente a mobilização permanente dos trabalhadores, dos jovens e das mulheres, de todos os setores democráticos da sociedade brasileira, será capaz de reverter esse momento amargo de nossa história.

Conclamamos a cidadania, junto à Frente Brasil Popular e à Frente Povo Sem Medo, a lutar pelo fim do governo Temer e pela convocação imediata de eleições diretas para presidente da República, para que se reestabeleça a soberania popular.

Conclamamos os movimentos sociais, os trabalhadores e trabalhadoras, a juventude, os intelectuais, os juristas e todos os democratas do Brasil a uma ampla mobilização pelas Diretas Já, com a reforma do carcomido sistema político; a derrotar o programa neoliberal, antipopular e antinacional do governo usurpador; e a defender nas ruas, a partir de um calendário contínuo de mobilizações, o companheiro Lula – nossa maior liderança e um dos estadistas mais comprometidos com a justiça social, a democracia, a integração latino-americana, a construção de um mundo multipolar, a soberania dos povos e a paz mundial.

Somente a união do povo brasileiro poderá derrotar os usurpadores. As classes trabalhadoras terão papel decisivo nesse processo, impedindo a revogação de direitos e combatendo o arbítrio e o retrocesso.

O PT, como sempre, não faltará ao chamado da história.

São Paulo, 15 de setembro de 2016

Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores

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Sobre o autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto Oliveira da Silva (Carlos Augusto) é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF). Atua como jornalista e cientista social. Telefone: (75)98242-8000 | E-mail: diretor@jornalgrandebahia.com.br.