Reflexos do Golpe: ex-ministro da advocacia-geral da União Fábio Medina Osório revela à revista Veja tentativa do Governo Temer de barrar Força-tarefa da Lava Jato

Capa da revista Veja com Fábio Medina Osório. Ex-ministro denuncia que saída é parte da tentativa de proteger aliados do Planalto envolvidos no escândalo da Petrobras.

Capa da revista Veja com Fábio Medina Osório. Ex-ministro denuncia que saída é parte da tentativa de proteger aliados do Planalto envolvidos no escândalo da Petrobras.

A revista Veja dedica reportagem de capa, na edição veiculada na sexta-feira (09/09/2016), às revelações do ex-ministro da advocacia-geral da União (AGU) Fábio Medina Osório, que apontam tentativa do governo Temer de “barrar a atuação da Força-tarefa da Lava Jato”.

Ilustrando a capa da revista, a imagem frontal do rosto do ex-ministro Fábio Medina, com o título ‘Governo quer abafar a Lava Jato’, e o subtítulo ‘o advogado-geral da União (AGU) diz a Veja que foi demitido porque queria punir aliados do Planalto envolvidos em corrupção na Petrobras’.

Confira, a seguir, trecho da reportagem publicada pelos jornalistas Thiago Bronzatto, Marcela Mattos Hugo Marques no site da revista Veja, em que é apresentada síntese da edição imprensa sobre as revelações os ex-membro do governo Temer.

Governo quer abafar a Lava Jato, diz AGU demitido

Demitido por telefone pelo presidente Michel Temer na sexta-feira passada, o advogado-geral da União, Fábio Medina Osório, resolveu quebrar o protocolo. Em vez de anunciar a saída com elogios a quem fica e sumir do mapa, ele decidiu pôr a boca no trombone. Em entrevista a VEJA no mesmo dia da demissão, Medina disse que sai do posto porque o governo não quer fazer avançar as investigações da Lava-Jato que envolvam aliados. Diz: “O governo quer abafar a Lava-­Jato”. Medina entrou em rota de colisão com seu padrinho, o poderoso ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha. Gaúchos, os dois se conhecem do Rio Grande do Sul, onde Medina foi promotor de Justiça, especializado em leis de combate à corrupção, e Padilha fez sua carreira política.

Medina conta que a divergência começou há cerca de três meses, quando pediu às empreiteiras do petrolão que ressarcissem o Erário pelo dinheiro desviado da Petrobras. Depois disso, Medina solicitou acesso aos inquéritos que fisgaram aliados graúdos do governo. Seu objetivo era mover ações de improbidade administrativa contra eles. A Polícia Federal enviou-lhe uma lista com o nome de catorze congressistas e ex-congressistas. São oito do PP (Arthur Lira, Benedito Lira, Dudu da Fonte, João Alberto Piz­zolatti Junior, José Otávio Germano, Luiz Fernando Faria, Nelson Meurer e Roberto Teixeira), três do PT (Gleisi Hoff­mann, Vander Loubet e Cândido Vaccarezza) e três do PMDB (Renan Calheiros, presidente do Congresso, Valdir Raupp e Aníbal Gomes).

Com a lista em mãos, Medina pediu ao Supremo Tribunal Federal para conhecer os inquéritos. Recebida a autorização, a Advocacia-­Geral da União precisava copiar os inquéritos em um HD. Passou um tempo, e nada. Medina conta que Padilha estava evitando que os inquéritos chegassem à AGU, e a secretária encarregada da cópia, Grace Fernandes Mendonça, justificou a demora dizendo que não conseguia encontrar um HD externo, aparelho que custa em média 200 reais. “Me parece que o ministro Padilha fez uma intervenção junto a Grace Mendonça, que, de algum modo, compactuou com essa manobra de impedir o acesso ao material da Lava-Jato”, conta Medina. O ex-advogado-geral diz que teve uma discussão com o ministro Padilha na quinta-feira, na qual foi avisado da demissão. No dia seguinte, recebeu um telefonema protocolar do presidente Temer. Grace Mendonça, assessora do HD, vai suceder a ele.

O ministro Padilha, que se limitou a divulgar um tuíte agradecendo o trabalho de Medina, manteve distância da polêmica e não deu entrevistas. Exibindo mensagens em seu celular trocadas com o procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava-Jato, e com o juiz Sergio Moro, Medina afirma que a sua demissão tem significado maior — o de que o combate à corrupção não está nas prioridades do governo Temer. “Se não houver compromisso com o combate à corrupção, esse governo vai derreter”, afirma ele. Ainda assim, Medina faz questão de dizer que nada conhece que desabone a conduta do presidente.

Nomeação e demissão

O ex-ministro foi nomeado pelo presidente Michel Temer, ao dar início a interinidade, em 12 de maio de 2016, e foi demitido na sexta-feira (09). Para o Lugar de Fábio Medina, foi nomeada Grace Maria Fernandes Mendonça.

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Sobre o autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto Oliveira da Silva (Carlos Augusto) é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF). Atua como jornalista e cientista social. Telefone: (75)98242-8000 | E-mail: diretor@jornalgrandebahia.com.br.