Piscicultura familiar apoiada pela Codevasf garante emprego e renda no semiárido baiano

Piscicultura familiar é opção de inclusão produtiva.

Piscicultura familiar é opção de inclusão produtiva.

A piscicultura familiar definitivamente se consolidou como alternativa viável de trabalho e renda para produtores do norte baiano, região semiárida castigada pelos efeitos das estiagens prolongadas. São mais de 600 pessoas beneficiadas pela ação da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) em Sobradinho, Casa Nova, Sento Sé e Curaçá: elas já contabilizam faturamento de R$ 10 milhões ao ano, com o qual asseguram a subsistência da família e movimentam o comércio local.

Desde 2005, a Codevasf, por meio da 6ª Superintendência Regional, sediada em Juazeiro (BA), investiu nos municípios cerca de R$ 1,2 milhão – um esforço para fomentar o desenvolvimento regional ajudando as famílias na convivência com a seca. Os recursos são oriundos da Lei Orçamentária Anual, de destaque orçamentário do Ministério da Integração Nacional (MI) e do Orçamento Geral da União destinados à Codevasf por emendas parlamentares.

O projeto inclui criação de peixes em tanques-rede, que são estruturas flutuantes usadas para o desenvolvimento das espécies em cativeiros. Hoje, são mais de 1,5 mil dessas estruturas instaladas, as quais produzem aproximadamente 1,5 tonelada/ano de tilápia nos municípios beneficiados.

Cooperativa de mulheres

Filha de pescadores, Maria Aparecida Mendes, conhecida como Cida Pescadora, 55 anos, é uma das produtoras no Lago de Sobradinho e, com apoio da Codevasf, chegou a organizar uma cooperativa de mulheres piscicultoras. “O trabalho da Codevasf aqui na nossa região é primordial”, garante.

Segundo o engenheiro de pesca da Codevasf Luciano Rocha, a atividade tem ampliado os projetos dos criadores de peixe que buscam alternativas para agregar valor ao produto, gerando empregos diretos e indiretos. “Hoje eles têm uma maior autonomia, fruto da nossa missão de promover o desenvolvimento regional”, destaca.

Além do apoio técnico, a Codevasf capacita os produtores para a atividade. “Com o treinamento, 150 produtores foram atendidos em 11 associações de Sobradinho, Casa Nova, Sento Sé e Curaçá. Os conhecimentos repassados vão desde a avaliação de estruturas e preparação dos viveiros para estocagem de peixes passando pela biometria, o cálculo de consumo diário de ração e avaliação dos parâmetros de qualidade da água, além de exposições sobre nutrição e doença de peixes, entre outras”, enfatiza Luciano Rocha.

“É uma atividade que precisa de apoio para o desenvolvimento, não só na produção, mas também da recomposição da ictiofauna. Se o trabalhador não preservar, ele inviabilizará o seu próprio projeto”, observa Marcel Assunção, técnico da Codevasf e também engenheiro de pesca.

Na opinião do superintendente regional da Codevasf em Juazeiro, Misael Aguilar da Silva Neto, o desenvolvimento de projetos de geração de renda sustentáveis contribui muito para a melhoria da qualidade de vida das populações ribeirinhas, caso dessas comunidades. “O apoio técnico que a Codevasf presta a esses criadores é fundamental para que a atividade continue gerando emprego e renda, e movimentando o comércio local e até regional”, assinala.

Produção e Comercialização

Uma das entidades que se destacam na produção de subprodutos de peixes no entorno do lago artificial da barragem de Sobradinho é o Terminal Pesqueiro, onde o gerente administrativo da Unidade de Beneficiamento, Raimundo Nonato de Oliveira, calcula que a demanda varie entre 80 a 120 toneladas de peixes por mês.

Na unidade, implantada em parceria com o Governo do Estado da Bahia, trabalham 20 mulheres que se revezam em turnos no processamento do pescado. Ali é feito o tratamento primário – que é a retirada das vísceras destinadas ao matadouro local, onde há uma unidade experimental na qual essas vísceras são transformadas em óleo e comercializadas para a estatal de petróleo.

Oliveira destaca que a água utilizada na unidade de beneficiamento é usada em outras atividades, como a manutenção de canteiros e em hortas comunitárias, e cita a participação dos pescadores artesanais como os da Colônia de Pescadores Z-26, onde 3 mil estão inscritos e utilizam os serviços da unidade.

Estima-se que sejam comercializadas cerca de 15 a 200 toneladas de peixe mensalmente na região e em estados vizinhos – sendo que, desse total, cerca de 120 toneladas são processadas na Unidade de Beneficiamento de Sobradinho, e o restante é vendido in natura pelos próprios pescadores.

Raimundo Oliveira chama atenção para a necessidade de os pescadores terem consciência de que o combate à pesca irregular e os cuidados com o meio ambiente são essenciais para a continuação e fortalecimento da atividade.

Além de apoiar a atividade da piscicultura familiar, a Codevasf também promove parcerias locais para peixamentos no Lago de Sobradinho, com o objetivo de repovoar e preservar a ictiofauna do rio São Francisco.

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