Partido espanhol Podemos classifica impeachment de Dilma Rousseff como golpe parlamentar

Em 31 de agosto de 2016, ex-presidenta Dilma Rousseff durante declaração à imprensa após comunicado do Senado Federal sobre o Processo de impeachment.

Em 31 de agosto de 2016, ex-presidenta Dilma Rousseff durante declaração à imprensa após comunicado do Senado Federal sobre o Processo de impeachment.

Partido espanhol de esquerda considera ilegal processo que destituiu presidente brasileira. Eurodeputados da legenda exigem que UE não reconheça “governo golpista” e suspenda relações políticas e econômicas com o Brasil.

O partido espanhol de esquerda Podemos classificou de golpe a recente destituição de Dilma Rousseff da presidência do Brasil. De acordo com um comunicado emitido nesta terça-feira (06/09/2016), a legenda considera o processo de impeachment ilegal.

No documento, o partido liderado por Pablo Iglesias instou o governo espanhol do conservador Mariano Rajoy – ainda em função interina – a “não legitimar o golpe no Brasil” e a posicionar-se sobre os eventos ocorridos nas últimas semanas no país sul-americano.

A coalizão de esquerda Unidos Podemos, liderada pelo Podemos, registrou nesta terça-feira no Congresso dos Deputados da Espanha um pedido para que o ministro das Relações Exteriores do país, José Manuel García-Margallo, explique à Casa a posição de Rajoy em respeito a essa questão.

Para a legenda, o impeachment de Dilma é “fruto de um processo de censura”. O governo teria de chegar a um acordo sobre uma posição com o Congresso para articular tanto uma resposta diplomática nacional como uma conjunta que defende na Europa, disse uma das petições enviadas à Casa.

Vários eurodeputados do Podemos pediram na semana passada que a União Europeia (UE) não reconheça o “governo golpista” no Brasil e suspenda as relações políticas e econômicas com o país.

O Podemos conseguiu recentemente bons resultados nas urnas espanholas. A bancada que o Podemos integra ocupa atualmente 67 dos 350 assentos do Congresso dos Deputados espanhol. No Parlamento Europeu, o partido continua tendo uma presença modesta: dos 54 eurodeputados espanhóis, cinco são do Podemos.

Crítica à reunião entre Rajoy e Temer

Nesta terça-feira, os eurodeputados do Podemos Xabier Benito e Miguel Urbán criticaram a reunião na cúpula do G20 entre Rajoy e o presidente do Brasil, Michel Temer. Os dois representantes do partido espanhol no Parlamento Europeu tacharam de “alarmante” a reunião entre os dois líderes, pois, segundo sua opinião, Temer “ocupa ilegitimamente o cargo [de presidente], fruto de um golpe parlamentar contra a democracia brasileira”.

“Rajoy legitima com sua reunião os interesses políticos ilegítimos que destituíram Dilma Rousseff para tomar o controle do país e fazer retroceder em mais de uma década as melhoras sociais”, declarou Benito.

“Temer não só deu um golpe de Estado para chegar ao governo, mas está protagonizando uma volta antidemocrática ao governo das elites brancas, patriarcais e cujo projeto econômico é excludente”, acrescentou Urbán.

*Com informações de Deutsche Welle.

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