Os desafios da educação no Brasil | Por Janguiê Diniz

Janguiê Diniz é Mestre e Doutor em Direito.

Janguiê Diniz é Mestre e Doutor em Direito.

Já dizia Paulo Freire, “A educação não transforma o mundo. Educação muda pessoas. Pessoas transformam o mundo”. Sempre citamos a educação como principal pilar do desenvolvimento de qualquer país, e com o Brasil não é diferente. Recentemente muito tem sido comentado sobre um possível aumento de investimento do PIB na educação, passaríamos de 5,5% para 10%. Sabemos que a porcentagem do PIB brasileiro direcionado para educação está abaixo da média preconizada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o recomendado é 6,23%. A grande questão está na forma como esse valor é investido. Quais são, de fato, os desafios da educação brasileira?

Os desafios da educação brasileira envolvem aspectos sociais, econômicos, políticos e culturais, e tantos outros. Em estudo elaborado pelo Banco Mundial, entre os desafios mais importantes para a próxima década, estão a qualidade do ensino secundário, a eficiência do gasto público, a qualidade dos professores e a educação infantil. Sem dúvida, esses são pontos essenciais. A atenção do Brasil com a educação é muito recente. É preciso, além de ampliar os investimentos, direcioná-los e acompanhar sua utilização.

Quando analisamos o quadro da educação infantil, observamos que o País está aumentando rapidamente o ensino pré-escolar e a cobertura das creches, mas é preciso cada vez mais foco na qualidade desses serviços. Entenda-se com foco a qualidade dos currículos, formação e supervisão de monitores e educadores, além do acompanhamento e avaliação de programas oferecidos por essas instituições.

É notório que tivemos importantes melhorias: a ampliação do acesso ao ensino fundamental, a inclusão de programas de educação integral nas escolas públicas e a utilização de avaliações que ajudam a avaliar resultados de aprendizado e estabelecer metas, como o ENEM e o ENADE, foram pontos essenciais para o desenvolvimento de políticas públicas na educação.

É também essencial que as escolas sejam mais seletivas e cuidadosas ao contratar professores. Muitos dos que estão em sala de aula não gostam de ensinar ou não têm preparo para a profissão. Sem falar no salário que é aviltante. É importante avaliar a competência dos professores e investir também na educação contínua deles. Também é fundamental que as escolas sejam equipadas com computadores, laboratórios e bibliotecas. Esses recursos são imprescindíveis para incentivar o estudo e despertar o interesse intelectual dos alunos.

Mesmo com o aumento dos investimentos, o Brasil ainda tem aproximadamente 14 milhões de crianças e jovens fora da escola. Dessas, a grande maioria está concentrada nas regiões Norte e Nordeste e a desigualdade social reflete esses números. O Brasil fez progressos expressivos na educação nos últimos 10 anos, mas ainda temos um longo caminho para atingir o nível dos países desenvolvidos.

*Por Janguiê Diniz é Mestre e Doutor em Direito – Reitor da UNINASSAU – Centro Universitário Maurício de Nassau – Fundador e Presidente do Conselho de Administração do Grupo Ser Educacional

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