Não ao fascismo: representantes de seis países deixam plenário da ONU em protesto contra presidente Michel Temer; líderes qualificam político como golpista

Em protesto, representantes de seis países latinos deixaram o plenário da ONU quando o presidente brasileiro, Michel Temer, iniciou o discurso de abertura da 71ª Assembleia Geral das Nações Unidas. Michel Temer é identificado como um dos líderes do Golpe Parlamentar de 2016.

Em protesto, representantes de seis países latinos deixaram o plenário da ONU quando o presidente brasileiro, Michel Temer, iniciou o discurso de abertura da 71ª Assembleia Geral das Nações Unidas. Michel Temer é identificado como um dos líderes do Golpe Parlamentar de 2016.

O presidente da Costa Rica, Luis Guillermo Solís, abandonou hoje (20/09/2016) o plenário da Organização das Nações Unidas (ONU), em protesto contra o governante brasileiro Michel Temer, enquanto este fazia o discurso de abertura na 71ª Assembleia Geral da organização, em Nova York. A atitude foi seguida por delegados de Equador, Bolívia, Cuba, Nicarágua e Venezuela, que também deixaram o local.

Em comunicado oficial, o governo da Costa Rica, país latino que busca adotar uma política de neutralidade, afirmou que tem seguido rigorosamente todo o processo diplomático e político em curso no Brasil. Entretanto, o país afirma “estar preocupado com a situação brasileira”.

“Nossa decisão, soberana e individual, de não ouvir a mensagem do senhor Michel Temer na Assembleia Geral, obedece à nossa dúvida ante certas atitudes e atuações, e se pretende declarar sobre práticas democráticas”, diz nota divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores da Costa Rica.

O comunicado acrescenta que o país tem acompanhado os acontecimentos, especialmente os atos de violência ocorridos após o processo de impeachment que afastou a presidenta Dilma Rousseff da chefia do governo.

O Itamaraty não se manifestou até a publicação da reportagem.

Discurso brasileiro

Em sua fala, Temer reiterou o compromisso “inegociável” do Brasil com a democracia, citando, inclusive, o processo que resultou no impedimento da presidenta Dilma Rousseff, feito, segundo ele, “dentro do mais absoluto respeito à ordem constitucional”.

Sobre a atual situação política brasileira, pós-afastamento de Dilma, Temer disse trazer às Nações Unidas uma mensagem de compromisso inegociável do país com a democracia. “O Brasil acaba de atravessar processo longo e complexo, regrado e conduzido pelo Congresso Nacional e pela Suprema Corte brasileira, que culminou em um impedimento. Tudo transcorreu dentro do mais absoluto respeito à ordem constitucional.”

Golpista

Setores da política e da sociedade identificam Michel Temer como um dos líderes do Golpe Parlamentar de 2016. A presença do “golpista”, durante a Assembleia da ONU, constrange a nação brasileira e políticos eleitos pelo voto popular.

A assunção usurpadora de Michel Temer ao poder máximo da República brasileira está identificada com elementos do fascismo estatal. Exemplo do fascismo estatal ocorre quando condenações são proferidas sem que existam provas conviventes de culpabilidade. Nesses casos, o processo jurídico tem um desfecho previamente definido pelos fascistas. Exemplo emblemático foi o golpe parlamentar contra a presidente Dilma Rousseff.

Em conjunto, os fascistas tomam o poder para estabelecer uma ordem e doutrina própria. Invariavelmente, agem violando direitos civis e acordos internacionais.

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