Imprensa internacional aponta contradições de acusação a Lula e uma atitude fascista por parte de setores do Ministério Público Federal

La Jornada: sem provas, Força-tarefa da Lava Jato acusa ex-presidente de Lula comandar corrupção. Jornais de todo o mundo destacam ausência de provas contra Lula e consequência política da acusação do MPF: tirar o ex-presidente das eleições de 2018.

La Jornada: sem provas, Força-tarefa da Lava Jato acusa ex-presidente de Lula comandar corrupção. Jornais de todo o mundo destacam ausência de provas contra Lula e consequência política da acusação do MPF: tirar o ex-presidente das eleições de 2018.

As acusações infundadas da Força Tarefa da Operação Lava Jato contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apresentadas em espalhafatosa coletiva de imprensa nesta quarta-feira (14/09/2016), ganharam destaque em alguns dos principais jornais do mundo tanto pela gravidade das acusações quanto pela ausência de provas que as sustentem.

A imprensa internacional aponta ainda que a movimentação do Ministério Público poucos dias após o golpe contra a presidenta eleita Dilma Rousseff tem consequências políticas graves: impedir Lula de concorrer novamente à Presidência em 2018.

O norte-americano New York Times registra que Lula é acusado de ser “general” de um amplo esquema de corrupção, mas as acusações contra ele são restritas a reformas em um apartamento que ele nega ser seu. “A quantidade de dinheiro que Da Silva é acusado de ter recebido empalidece perante as quantias que outros políticos são acusados de ter embolsado nos últimos anos”, aponta o diário. O jornal diz ainda que Lula é favorito para as eleições de 2018.

O também norte-americano Chicago Tribune também faz ressalvas em relação ao contraste entre as graves e numerosas acusações verbais feitas pelos promotores e a miudez das acusações formais: “O abismo entre as acusações verbais e aquilo pelo que Silva foi denunciado de fato coloca em dúvida o futuro dessa investigação”. O jornal consultou Cezar Britto, ex-presidente da OAB. Para o advogado, “o palavreado duro dos promotores pode indicar que eles não têm evidências sólidas. Parece que os promotores preferem conquistar apoio da sociedade ao invés de buscar por mais evidências”.

“Uma verdadeira inquisição”, publica o francês Le Monde, que entrevistou o sociólogo Mathias Alencastro. “Poucos dias após o impeachment de Dilma, a acusação do promotor é um assassinato político contra Lula e o PT”, conclui o jornal.

O jornal Página 12, da Argentina, analisa a ação midiática do Ministério Público por meio de artigos de Eric Nepomuceno e Emir Sader. “Para Dallagnol, um jovem servidor com atração irresistível por declarações bombásticas, Lula era nada menos que o ‘comandante máximo’ de um esquema de corrupção em seu governo. Palavras contundentes em um discurso absolutamente politizado, ao qual faltou apenas um ‘detalhe’: provas”, escreve Nepomuceno.

“Ainda que sem nenhuma prova de enriquecimento pessoal, sem nenhuma prova de que tenha obtido vantagens graças ao cargo de presidente, mesmo tendo voltado a viver no mesmo apartamento na periferia de São Paulo, mesmo com tudo isso, Lula tem de ser acusado, processado, considerado culpado e condenado”, analisa Emir, ressaltando o caráter político da operação contra Lula.

O jornal La Jornada, do México, destacou na manchete principal de sua capa desta quinta-feira (15) a incoerência da acusação contra Lula: “Sem provas, acusam Lula de encabeçar esquema de corrupção”.  “Tudo indica que buscam inabilitá-lo para as eleições de 2018”, conclui.

O jornal italiano La Reppublica ironiza a quantidade de acusações contra Lula: de acordo com o diário, a depender das acusações do Ministério Público, “Lula é o belzebu do Brasil”. O jornal, que registra que os promotores apenas prometeram apresentar provas, aponta ainda as consequências políticas da ação contra Lula.

“Após o impeachment contra Dilma Rousseff e a chegada ao poder do líder do PMDB, Lula segue sendo o político mais popular do Brasil e tem repetidamente dito que pode ser o candidato de esquerda em 2018. Mas, se for condenado, não poderá fazê-lo”.

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