Carta ao governador Rui Costa | Por Samuel de Melo Santana

Rui Costa dos Santos, governador do Estado da Bahia. Carta é endereçada ao governante.

Rui Costa dos Santos, governador do Estado da Bahia. Carta é endereçada ao governante.

Excelentíssimo Sr Governador Rui Costa dos Santos,

Venho, respeitosa, disciplinar e hierarquicamente, através deste, expor o seguinte: Sou Tenente Coronel da Polícia Militar da Bahia, Mat 30.177.216-6, com 36 anos de serviços prestados a Corporação que abracei como profissão e  vocação. Durante estes trinta e seis anos exerci diversas funções atinente aos postos que fui galgando: Comandante do pelotão de cavalaria do 1º BPM/Feira de Santana, comandante da Companhia Especial, comandante do projeto piloto da cidade nova, para implantação da primeira companhia independente do interior da Bahia, Coordenador da 3ª Circunscrição Regional de Transito de Feira de Santana, Relator da Corregedoria Geral da Policia Militar, Chefe da Unidade de Desenvolvimento Educacional da Academia de Polícia Militar, Subcomandante do 2º Grupamento de Bombeiro Militar/Feira de Santana, Secretario e Chefe do Centro de Planejamento e Decisões Estratégicas do Comando Regional Leste, Subcomandante do 1º BPM e recentemente Comandante da 57ª Companhia independente de Policia Militar/Santo Estevão. Cargo que fui exonerado em data de 18/03/2015, após três anos de comando, porém a avaliação de meu comando deixo para os números das estatísticas da Secretaria de Segurança Pública do Estado da Bahia (onde relata a diminuição dos homicídios em todos os oito municípios integrantes da área: Santo Estevão, Ipecaetá, Antônio Cardoso, Serra Preta, Anguera, Rafael Jambeiro, São Gonçalo e Tanquinho, bem como a comunidade dos Municípios).

Senhor Governador, a mudança de comando na estrutura de uma organização policial militar é bastante salutar, visto que este oficial já estava a um ano e meio (dos três de comando) como tenente coronel, sendo a função de comandantes de companhia, preferencialmente, do posto de Major. O que me causou estranheza é que ao ser exonerado, este oficial do penúltimo posto da corporação, não foi nomeado para nenhuma função relativa ao posto de tenente coronel, nem designado para nenhuma função atinente ao Cargo.

Meu comandante-em-chefe, me encontro atualmente em casa, sem trabalhar e percebendo da Polícia Militar da Bahia, o que para um profissional que se respeita e tem vergonha na cara, fere de morte a sua honra, dignidade e sua autoestima como ser humano. Durante minha vida profissional nunca passei por tamanha humilhação, venho humildemente a presença de V.Ex.ª, pois compareci em uma audiência que solicitei ao Excelentíssimo Sr Coronel Comandante Geral Anselmo Alves Brandão de quem fui contemporâneos na Academia de Polícia Militar e  trabalhei com o seu irmão, coronel Josué Alves Brandão, para saber qual foi o crime, transgressão ou pecado que cometi, para me ser imputada tamanha humilhação e desrespeito ao meus trinta e seis anos de serviços prestados a sociedade baiana , através da briosa Polícia Militar da Bahia. Compareci a audiência no dia 15/06/2015, as 19h no quartel do DAL, na audiência o comandante perguntou qual era o meu pleito e eu disciplinadamente perguntei ao mesmo se eu tinha feito algo contra ele, ou maculado a corporação, pois estava a três meses no corredor (em casa ganhando sem trabalhar). O comandante me disse que não tinha nada que desabonasse a minha conduta, porém eu tinha um defeito gravíssimo: era extremamente político, fiz campanha para Rui e o PT e que seguisse o exemplo dele, que não fez campanha para ninguém, não é político e foi escolhido para o Comando Geral porque é técnico. Questionei ao mesmo se este defeito que o mesmo me imputava prejudicou, maculou ou desonrou a corporação, pois nunca participei fardado de comício e sempre pautei minha conduta pela decência e moralidade e que minha gratidão a Rui Costa foi por ter me ajudado na minha promoção a tenente coronel (compareci ao seu gabinete com o prefeito de Santo Estevão, à época, Rogério Costa), quando o mesmo era Secretário da Casa Civil.

Senhor Governador, não sou de família nobre na Polícia Militar, não tenho pai coronel, nem irmão, nem nenhum “pedigree” na Policia Militar, nunca fui punido, até o presente momento, não respondo, nem respondi a nenhum procedimento disciplinar. Porém ao vir passar mais de ano nesta situação (ganhando sem trabalhar), uma excrecência que nunca presenciei na Polícia Militar, fui pesquisar e descobri que existia até a data de 09/05/2016: 46(quarenta e seis) oficiais superiores: 16(dezesseis) tenentes coronéis e 30(trinta) majores na mesma situação que a minha, ou seja no corredor, em casa, também ganhando sem trabalhar (a relação nominal seque anexa). Senhor governador, tenente coronel e major são profissionais especializados, experimentados, experientes e com mais de vinte cinco anos de serviço, profissionais caros para a sociedade, homens formados para comandar e gerenciar os destinos da corporação, qual empresa no mundo se daria ao luxo de ter 46 executivos deste quilate, que o Estado gastou tanto para formá-los e especializá-los para ficarem sem trabalhar (esta empresa fatalmente quebraria). Disse a alguns colegas que mesmo com o risco de sofrer retaliação, como venho sofrendo, levaria o fato, primeiro ao conhecimento de V.Exª e depois ao ministério público estadual. Ao perceberem que levaria ao vosso conhecimento, como fiz através de comentário em seu facebook, se apressaram em distribuir os tenentes coronéis e majores para os corredores das unidades(através do BGO 086 de 09/05/2016, cuja relação segue anexa), apenas para responderem expediente, contrariando inclusive o que preceitua o art.92, inciso V, combinado com os art. 166 e 167 do Estatuto dos Policiais Militares – Lei nº 7.990, de 27 de dezembro de 2001 que estabelecem como direito do policial militar a ocupação de cargo correspondente ao posto  ou à graduação satisfeitas a exigências de qualificação e competência para o seu exercício, com a devida nomeação por ato do Governador do Estado quando forem cargos de provimento temporário e do Comandante Geral para os demais. Outra excrecência Excelência é que, apesar dos 46 oficiais superiores sem função e sem comando, existem capitães ocupando função de major e major ocupando função de tenente coronel (É só o senhor determinar que a DP- Diretoria de Pessoal- lhe mande a relação) e se quiser eu mesmo pesquiso e envio.

Se V.Exª mandar fazer uma conta rápida vai verificar quanto custou ao erário público estes 46 oficias superiores de janeiro de 2015 até maio de 2016, ganhando sem trabalhar (só para ilustrar vai anexo o meu contracheque, os outros o senhor pode mandar verificar na SAEB). E vem mais promoção aí, para coronel, tenente coronel, major…não seria mais razoável, moral e honesto colocar os majores e tenentes coronéis para trabalhar em suas devidas funções e depois promover mais, não seria mais barato e mais decente para com a sociedade baiana que paga nossos salários?

Sem nenhum puxa-saquismo, sou admirador de V. Ex.ª pela sua história de vida, pela sua luta: Menino pobre que saiu da liberdade, fez Escola Técnica Federal, Economia na UFBA e chegou ao mais alto posto da sua terra, o de Governador da Bahia. Excelência não estou choramingando cargo, pois tenho 57 anos e por essa perversidade e maldade que me fizeram sei que não chegarei ao último posto da corporação, porém me sentir ofendido na minha dignidade como pessoa humana, como profissional e como homem. Sou grato a V.Exª por ter me ajudado a galgar o posto de tenente coronel da Polícia Milita da Bahia, do qual tenho muito orgulho. Porém, não sou dono da verdade, mas V.Exª pode mandar apurar, pois não estou fazendo nenhuma denúncia anônima, nem fui pra imprensa denegrir  a imagem de minha Corporação, se após apurado V.Exª passar esta corporação a limpo, tornando-a mais justa, observando a meritocracia, sem apadrinhamentos, sem o gestor maior da Corporação, por capricho, deixar 46 oficiais superiores no corredor(em casa ganhando sem trabalhar), destruindo sonhos e tratando uma instituição de quase duzentos anos como se fosse seu feudo e de seus colegas de turma, eu fico satisfeito e em paz com minha consciência e contribuído para a melhoria da gloriosa milícia de bravos(gostaria também de anexar minha humilde visão de tenente coronel com trinta e seis anos de Polícia Militar do que significa hoje o posto de coronel da PMBA, com raríssimas exceções)

Respeitosamente,

Samuel de Melo Santana – Ten Cel PM

Outras publicações

Falta de planejamento e execução por parte do secretário James Correia gera crise na expansão industrial da Bahia Falta de planejamento e execução por parte do secretário James Correia gera crise na expansão industrial da Bahia. Denúncias divulgadas, nos últimos...
Escola de Dança da Funceb terá concurso Reda Cartaz anuncia concurso para professor Nível Superior na Escola de Dança da Funceb. Serão disponibilizadas 14 vagas para professor Nível Superior na...
Governador Rui Costa anuncia patrocínio do Bolsa Esporte para time de futebol do instituto de cegos da Bahia Governador Rui Costa apoia deficientes visuais através do incentivo ao esperto. O futebol de institutos de cegos da Bahia terá o apoio financeiro am...

Sobre o autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto Oliveira da Silva (Carlos Augusto) é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF). Atua como jornalista e cientista social. Telefone: (75)98242-8000 | E-mail: diretor@jornalgrandebahia.com.br.