CachoeiraDoc 2016 destaca papel da mulher no cinema

Mostra com Mulheres é apresentada durante o CachoeiraDoc 2016.

Mostra com Mulheres é apresentada durante o CachoeiraDoc 2016.

Festival de Documentários de Cachoeira traz uma programação com filmes inéditos e destaca a atuação da mulher no cinema. A sétima edição do evento acontece entre os dias 6 e 11 de setembro de 2016, em Cachoeira, no Cine Theatro Cachoeirano e no Centro de Artes, Humanidades e Letras da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (CAHL/UFRB).

O festival é o maior sobre o gênero documentário do Norte e Nordeste e um dos mais importantes do Brasil. Neste ano, serão exibidos 60 filmes, sendo a maioria inédita no estado. Os curtas, médias e longas-metragens integram as mostras Com Mulheres, Competitiva e Contemporânea.

Um dos destaques do festival é a Mostra Com Mulheres, de autoria coletiva, que vai exibir mais de 20 filmes dirigidos e protagonizados por mulheres. De acordo com a idealizadora e uma das coordenadoras do CachoeiraDoc, Amaranta Cesar, a diversidade de filmes que integram a mostra dá a medida da qualidade e intensidade da presença das mulheres no cinema. Para ela, compor uma coleção em conjunto é também a ocasião para expandir a ideia de autoria. “Todo esse programa foi pensado a partir da constatação cada vez mais premente de que estarmos juntas é hoje, mais do que sempre, uma questão urgente”, afirma.

Foram convidadas para a curadoria coletiva as realizadoras brasileiras Ana Carvalho (Fincar), Carla Maia (Forumdoc.bh), Janaína de Oliveira (Ficine), Lis Kogan (Semana dos Realizadores), Maria Cardozo (Fincar), Mariana Porto (Fincar), Marisa Merlo (Olhar de Cinema: Festival Internacional de Cinema de Curitiba) e Yasmin Thayná (Afroflix). Entre os filmes que compõem a mostra estão clássicos das cineastas Chantal Akerman (“L’enfant aimé ou je joue à être une femme mariée”), Trinh T. Minh-há (“Reassemblage”) e Helena Solberg (“A entrevista”), e de realizadoras contemporâneas, como a brasileira Louise Botkay, que tem oito documentários na mostra, e Yasmin Thayná, com “Kbela” (Rio de Janeiro, 2015, 23 min.).

Já a programação da Mostra Competitiva conta com 16 curtas e 11 médias e longas-metragens. Entre os documentários estão os baianos “Voz das Mulheres Indígenas”, de Glicéria Tupinambá e Cristiane Pankararu, “A Noite Escura da Alma”, de Henrique Dantas, “Jonas e o Circo sem Lona”, de Paula Gomes. Outros documentários premiados compõem a mostra, como “Há Terra!”, de Ana Vaz, “Quem matou Eloá?”, de Lívia Perez, “O Sepulcro do Gato Preto”, de Kaneda Asfixia e Frederico Moreira, “Retrato de Carmem D.”, de Isabel Joffily, e “Sem Título # 2: La Mer Larme”, de Carlos Adriano.

A Mostra Contemporânea, em parceria com o Cineclube Mario Gusmão, vai exibir documentários atuais sobre, entre outros temas, questões de gênero e a disputa por espaços sociais e urbanos. A mostra acontece nos dias 6, 7, 8 e 10 de setembro em Cachoeira e São Felix. “Com os filmes, seguimos para dentro e para fora do cinema, indo também às escolas e comunidades de Cachoeira e São Félix”, conta Ana Rosa Marques, uma das coordenadoras do festival, sobre a exibição de filmes em diferentes locais dos municípios. A programação do CachoeiraDoc é aberta ao público.

Oficina e encontros gratuitos

O VII CachoeiraDoc vai realizar também a “Vivência em curadoria da perspectiva das mulheres”, no dia 6 de setembro, que complementa a Mostra Com Mulheres. O encontro vai refletir sobre a atuação das mulheres no cinema brasileiro contemporâneo, com especial atenção à curadoria e programação, e tem a parceria da Secretaria de Política para Mulheres do Governo do Estado da Bahia.

Segundo Amaranta, assim como a condição feminina é uma construção histórica e cultural, a existência histórica dos filmes é também uma construção, legitimada pela crítica e instituições curatoriais, instâncias majoritariamente ocupadas por homens. “Nos perguntamos, então, em que medida a atuação minoritária das mulheres na curadoria e na crítica condiciona os parâmetros de legitimação dos filmes em vigor, bem como a notável negligência crítica em relação às mulheres do/no cinema brasileiro”, completa.

A “Oficina Filmes&Luta – Limites do filme e da vida memo”, ministrada pelo cineasta Lincoln Péricles e o rapper Tomé das Ruas, acontece entre 7 e 9 de setembro.

A oficina vai abordar as experiências de luta social e da construção de personagens moradores da periferia no cinema. Participam do encontro jovens de São Paulo que ocuparam espaços como escolas e fábricas de cultura, com exemplos de filmes inéditos feito dentro do contexto de ocupações.

Já no dia 10 acontece o “Encontro de Coletivos Audiovisuais: política, estética e economia”, com Carolina Canguçu, Luana Gonçalves, Gercino Batista e Lindomar dos Santos (Irmandade dos Atores da Pândega e Associação Quilombola Mato do Tição), Thiago Mendonça (Coletivo Zagaia), Lincoln Péricles (Coletivo Terra de Nós), Marcus Curvelo (Coletivo CUAL) e com a mediação de Camila Camila (Coletivo Gaiolas). Todos os eventos são gratuitos.

O festival

O festival busca fomentar a difusão e a produção de documentários, assim como a discussão sobre o gênero, por meio de oficinas, debates, ciclo de conferências e exibição de filmes. Nas seis edições anteriores, cerca de 13 mil pessoas assistiram a mais de 220 documentários, muitos deles inéditos na Bahia e Brasil.

O CachoeiraDoc é uma realização da Ritos Produções e do Grupo de Estudos e Práticas do Documentário, do Curso de Cinema e Audiovisual da UFRB, e conta com o apoio financeiro do Fundo de Cultura da Secretaria de Cultura da Bahia desde a sua primeira edição, em 2010. Mais informações podem ser obtidas no site www.cachoeiradoc.com.br.

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