Em 13 anos no poder, setores do PT contribuíram para minar legado do governo Lula

Ministro da Cultura, Gilberto Gil, presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, anunciam que o projeto da Lei Federal de Incentivo ao Esporte será sancionado, em 28 de dezembro de 2006. Governo Lula e Dilma atuaram pela construção de um país socialmente justo, mas elevado nível de corrupção de membros do partido clivaram conquistas.

Ministro da Cultura, Gilberto Gil, presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, anunciam que o projeto da Lei Federal de Incentivo ao Esporte será sancionado, em 28 de dezembro de 2006. Governo Lula e Dilma atuaram pela construção de um país socialmente justo, mas elevado nível de corrupção de membros do partido clivaram conquistas.

Governos petistas promoveram avanços na área social reconhecidos internacionalmente. Mas viram conquistas econômicas da era Lula se diluírem no governo Rousseff. Aliado a crise econômica, o combate a corrupção, liderado pelos governos de Lula e Dilma, atingiu segmentos importantes do Partido dos Trabalhadores. Esse processo clivou a imagem do partido, de lideranças e foi utilizado pela mídia reacionária como elemento ideológico de desconstrução dos ganhos históricos.

Com o desfecho do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, o ciclo de pouco mais de 13 anos do PT à frente do governo chegou ao fim. Nesse período, o país passou por profundas transformações sociais e econômicas. Veja abaixo o legado que o governo comandado pelos petistas deixou para o Brasil.

Área social

As gestões petistas trouxeram a questão social ao centro dos debates políticos. O governo Lula lançou o Bolsa Família, que é apontando pelas Nações Unidas como uma das principais medidas responsáveis por reduzir a pobreza extrema no país. Segundo o Banco Mundial, o número de pessoas vivendo nessa situação caiu 64% entre 2001 e 2013.

Outros indicadores sociais também experimentaram uma evolução positiva. A taxa de analfabetismo caiu de 11,6% para 8,1%. A expectativa de vida passou de 71,1 anos em 2003 para 75,2 anos em 2015. Já a taxa de mortalidade infantil caiu de 26,04 em 2002 para 13,82 em 2015.

No campo educacional, o Brasil também passou por vários avanços. O investimento público em educação saltou de 4,6% do PIB em 2003 para 6,2% em 2013. Houve uma política de incentivo a construção de universidades. Em 13 anos, foram criadas 20 instituições federais.

A criação de programas de incentivo à pesquisa e o aumento no volume de recursos também ajudaram a aumentar o número de mestres e doutores. Em 2003, o país formou cerca de 35 mil deles. Em 2014, foram quase 67 mil. Além de aumentar as vagas no ensino superior público, o governo turbinou programas de financiamento estudantil, como o FIES, que dispararam a partir de 2010, chegando a 17,8 bilhões em 2014.

Economia

O legado do PT para a economia é mais complexo, já que os governos Lula e Dilma tiveram condutas bastante contrastantes. Quando assumiu, Lula se comprometeu a seguir a linha adotada pelo seu antecessor, FHC, que previa metas de inflação e superávit primário. Com o boom das commodities, houve crescimento econômico. O país passou a acumular boas notas entre agências e ganhou elogios de banqueiros. Entre 2003 e 2015, passou de 13° economia do mundo para o 9° lugar.

Sob Lula, o país passou a acumular mais reservas internacionais. Elas eram de meros 37,65 bilhões de dólares em 2003. No final de 2010, atingiram 299,5 bilhões de dólares. Já o PIB no governo Lula apresentou expansão média de 4% ao ano, entre 2003 e 2010, superior aos anos FHC.

Mas parte das conquistas econômicas sob Lula começou a ser diluída na gestão Dilma a partir de 2011. A nova presidente lançou mão de uma nova matriz econômica, insistindo ainda mais em reduzir juros e congelar preços de energia e combustíveis para segurar a inflação. Também continuou com investimentos maciços em estatais. Boa parte das medidas, somada à queda das commodities e ao descontrole das contas públicas, acabou tendo resultados catastróficos a partir de 2014.

Ao longo dos seus 13 anos, o PT também deixou de lado reformas estruturais que poderiam ter dado mais dinamismo à economia. Sob Dilma, os números começaram a se deteriorar. O superávit que era de 101 bilhões de reais no final de 2010 passou para um resultado negativo de -32,5 bilhões em 2014. A taxa de desemprego, que era 10,5 em 2003, foi reduzida para 5,3 no final do governo Lula, mas voltou a subir sob Dilma, atingindo 11,2 em maio de 2016.

Com os resultados negativos de Dilma, a média de crescimento do PIB sob o PT saiu arranhada. Em vez da expansão média de 4% observada sob a Lula, a média total dos 13 anos caiu para 2,9%, não muito superior à observada nos anos FHC.

Corrupção

Quando estava na oposição, o PT incentivava um discurso de ética na política. Apesar dos escândalos em que se envolveu, a gestão petista tomou medidas de impacto positivo. Sob Lula, a figura do “engavetador da república” saiu de cena. Por sugestão do Ministério Público, o ex-presidente passou a nomear procuradores-gerais indicados pelo próprio órgão. A Polícia Federal também passou a receber mais investimentos.

Lula também criou órgãos como a Controladoria-Geral da União (extinta sob Temer). Os governos petistas também incentivaram a aprovação de leis para combater a corrupção, como a Lei da Ficha Limpa, a Lei de Acesso à Informação, entre outras. Quando a Lava Jato já havia estourado, a presidente Dilma também evitou fazer mudanças no comando da PF e do MP.

Só que a série de escândalos que envolveram as gestões de Lula e Dilma acabaram manchando esse legado. Apesar do discurso de ética, a gestão petista fez poucos esforços para realizar uma reforma política ampla, preferindo fazer uso de velhos métodos questionáveis para governar, como a divisão de cargos ou o pagamento de subornos.

Os primeiros grandes escândalos – o dos Bingos e o Mensalão – estouraram ainda no primeiro governo Lula. Já sob Dilma, o país experimentou o maior escândalo de corrupção da sua história, o Petrolão, que mais uma vez envolveu políticos do PT e aliados de outras siglas.

Como resultado dos escândalos, três ex-tesoureiros do PT acabaram sendo presos. O Petrolão também ajudou a revelar a forma como a sigla e outros partidos se financiavam e a relação próxima com grandes empreiteiras.

*Com informações de Deutsche Welle.

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