Roda de conversa sobre a participação das lésbicas nos espaços de poder reuniu representantes dos principais movimentos de luta

Roda de Conversa.

Roda de Conversa.

Na tarde de ontem (25/08/2016), no auditório do Instituto de Artesanato Visconde de Mauá, no bairro do Pelourinho, foi realizada a Roda de Conversa: “Lésbicas  nos Espaços de Poder”. O encontro promovido pela Secretaria Estadual de Políticas para as Mulheres da Bahia (SPM-BA) e o Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Mulher (CDDM) reuniu representantes dos principais movimentos de luta.

A Secretária Estadual de Políticas para as Mulheres da Bahia, Olívia Santana, esteve presente no evento, que contou também com a participação da professora e analista do Tribunal de Justiça do Piauí, e coordenadora do Grupo Matizes – Pela Livre Expressão Sexual, Marinalva de Santana; da professora e integrante do Laboratório de Estudos e Pesquisas sobre Lesbianidade, Gênero e Raça da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e membro da Rede LGBT de Memória e Museologia Social, Anna Luisa Santos de Oliveira; e da Mestra em História, Professora e Coordenadora do Centro de Estudos em Gênero, Raça/Etnia e Sexualidade – Diadorim da UNEB, e Conselheira da Liga Brasileira de Lésbicas (LBL) e do CDDM, Amélia Maraux.

Em seu momento de fala, a Secretária Olívia Santana ressaltou a importância da presença da convidada Marinalva, que através de sua força, garra e compromisso no Piauí, tem inspirado mulheres em outros estados. Ela enfatizou que é preciso buscar a emancipação da sociedade, que ainda não tem capacidade de reconhecer a diversidade como um valor.

A gestora ainda lembrou os episódios recentes dos jogos olímpicos que deram visibilidade às mulheres lésbicas, que se impuseram contra o machismo e a lesbofobia em um evento com alcance mundial. Segundo ela, Rafaela Silva, judoca brasileira medalhista de ouro, é um exemplo deste empoderamento: mulher, negra e lésbica, ela continuará enfrentando discriminações, porém, cada vez mais empoderada com os espaços já conquistados.

Por fim, Olívia reafirmou o compromisso da continuidade da promoção de espaços de diálogos e debates, sobretudo, com a preocupação de concretizar políticas públicas para as mulheres lésbicas.

A professora do Piauí, Marinalva de Santana, entusiasmou o público presente, trazendo, para a roda de conversa, questionamentos próprios e indagações delicadas, apresentando uma visão realista e pertinente sobre a relação entre teoria e prática. Segundo ela, os movimentos de lésbicas ocupam-se muito com os problemas enfrentados, dando pouca atenção às conquistas desejadas.

Neste aspecto, ela parabenizou o evento realizado na Bahia, frisando que o tema “Lésbicas nos Espaços de Poder” é extremamente positivo e inspirador, incentivando as mulheres a seguirem nos debates e impulsionando-as a lutarem por conquistas concretas.

Amélia Maraux, também professora e conselheira do CDDM e da LBL, enfatizou a sua satisfação em ver a SPM-BA realizar um evento para este público, no mês da visibilidade lésbica. Segundo ela, é preciso criar momentos de reflexão sobre o direito de ocupação de espaços, e, sobretudo, pensar como alcançar as mulheres da periferia e de todo o estado da Bahia, para garantir os direitos relacionados também à saúde, educação, cultura e mercado de trabalho.

Anna Luisa Santos, professora e integrante do Laboratório de Estudos e Pesquisa sobre Lesbianidade, Gênero e Raça da UFRB, afirmou estar honrada de fazer parte de um evento com mulheres experientes e que lutam há tanto tempo pela causa das lésbicas. Ela apresentou o trabalho do Laboratório, que aborda os direitos sexuais de lésbicas e negras em situação de prisão, que tem foco no enfrentamento à lesbofobia e racismo, com atividades vinculadas às áreas de Artes e Humanidades.

Um espaço de debate foi aberto para que os representantes dos principais movimentos, fóruns e grupos acadêmicos de luta para a garantia dos direitos e visibilidade das lésbicas e mulheres bissexuais pudessem realizar questionamentos e contribuições.

Ubiraci Matilde, que esteve presente representando a Secretaria da Saúde da Bahia, frisou em sua fala a necessidade de ocupação de espaços institucionais para garantir a discussão e o foco nos interesses do segmento de lésbicas. Em sua visão, é preciso implementar ações e projetos com intersetorialidade entre órgãos e instituições do governo.

Bárbara Alves, representante do Coletivo LesbiBahia, abordou a falta de pesquisas sobre as lésbicas como uma fraqueza no desenvolvimento de políticas para este público. Neste aspecto, a representante do Grupo de Estudo Feminista em Política e Educação da Universidade Federal da Bahia – GIRA, Shirley Santos, informou que há um trabalho sendo desenvolvido sobre lésbicas e política, através da análise das candidaturas na eleição de 2016, e colocou o grupo à disposição para o fornecimento de dados de pesquisas já realizadas.

O encontro, que também foi realizado em homenagem ao Dia Nacional da Visibilidade Lésbica, que será celebrado no próximo dia 29 de agosto, permitiu que o público pudesse trocar reflexões e experiências, o que o consolidou como um importante momento de afirmação do compromisso para continuidade da luta.

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