PSOL cria pódio da cumplicidade com a causa do deputado afastado Eduardo Cunha

O deputado Eduardo Cunha durante reunião da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara que tenta votar o parecer do deputado Ronaldo Fonseca sobre o seu pedido para anular decisão do Conselho de Ética sobre sua cassação.

O deputado Eduardo Cunha durante reunião da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara que tenta votar o parecer do deputado Ronaldo Fonseca sobre o seu pedido para anular decisão do Conselho de Ética sobre sua cassação.

A promessa de leitura do parecer do Conselho de Ética pela cassação do deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) ainda não convenceu parlamentares que defendem a perda do mandato do peemedebista. Deputados do PSOL – partido que apresentou a representação contra Cunha há quase 10 meses –, afirmaram na quarta-feira (03/08/2016) que há um “jogo sujo” ocorrendo na Casa. “Seria possível votar esta semana assim como será possível votar na semana que vem, mas se houver vontade política e não vemos vontade política”, disse Chico Alencar (RJ).

Ele lembrou que o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ) queria condicionar a votação a um quórum mínimo de 400 deputados em plenário. Enquanto isto, o Centrão – bloco que reúne partidos aliados ao governo interino de Michel Temer – poderia “tirar do plenário” 200 dos 513 parlamentares da Casa. “Se não marcar [sessão para votar parecer] não tem como saber. Marca e quem se ausentar estará declarando sua cumplicidade [a Cunha]”, afirmou Chico Alencar.

Maia teve o nome estampado no topo de um pódio montado pelo PSOL, batizado de “Pódio da Cumplicidade”, com os nomes dos parlamentares que consideram responsáveis por “empurrar com a barriga” a cassação de Cunha. De acordo com o partido, o presidente da Câmara, que recebeu a medalha de ouro, é seguido pelo Executivo e, em terceiro lugar, por líderes partidários “omissos”.Líder do PSOL na Casa, Ivan Valente (SP), afirmou que dez líderes declararam, na última reunião do colegiado, interesse em votar o parecer, mas ainda assim não há data prevista para a apreciação deste texto que pode ficar para depois da votação do impeachment de Dilma Rousseff e das eleições municipais.

“Ontem, embora [Maia] tenha anunciado de forma frouxa que vai ler o parecer na segunda-feira (8), ele não marcou data para colocar em votação. O presidente da Casa está protegendo Eduardo Cunha e está ameaçado por Eduardo Cunha. Ninguém quer votar a cassação de Eduardo Cunha porque ele pode abrir o jogo”, atacou.

De acordo com o Regimento Interno da Câmara, depois de lido, o relatório que pede a cassação de Cunha entra na pauta após 48 horas, abrindo a possibilidade de votação a partir de quarta-feira (10). No entanto, Valente disse que Maia insiste em vincular a votação da cassação em plenário, que não tranca a pauta, à aprovação do projeto de renegociação da dívida dos estados com a União (PLP 257).

Ao deixar a Câmara no final da manhã de hoje, Maia negou que esteja protegendo Cunha ou protelando a conclusão do processo contra ele. “A democracia é assim: cada um faz a manifestação que achar por bem. A Casa tem uma agenda e prioridade e está cumprindo: quer tirar o Brasil da crise. Alguns querem destruir outros querem construir. Eu quero construir”, disse ao reiterar que está mantida a leitura do relatório sobre Cunha na próxima semana.

*Com informação da Agência Brasil.

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