Procurador-Geral da República diz que MPF desconhece citação do ministro Dias Toffoli em delação e nega vazamento

Procurador-geral da República, Rodrigo Janot, defende atuação da Força-tarefa, das severas críticas do ministro do STF.

Procurador-geral da República, Rodrigo Janot, defende atuação da Força-tarefa, das severas críticas do ministro do STF.

O Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, chefe do Ministério Público Federal, negou na quarta-feira (23/08/2016) que os procuradores do órgão tenham recebido delação citando o ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli. “Reafirmo que não houve nas negociações ou pretensas negociações de colaboração com essa empreiteira nenhuma referência, nenhum anexo, nenhum fato enviado ao Ministério Público que envolvesse essa alta autoridade judiciária”, disse Janot durante sessão do Conselho Nacional do Ministério Público.

“Posso afirmar peremptoriamente que esse fato não foi trazido ao conhecimento do Ministério Público. Esse pretenso anexo jamais ingressou em qualquer dependência do Ministério Público, portanto, de vazamento não se trata. Ou se trata de um fato que o jornal ou meio de comunicação houve por bem publicar ou se trata de um fato que alguém vendeu como verdadeiro”, acrescentou o procurador-geral.

Matéria da revista Veja do último fim de semana diz que o ministro Dias Toffoli teria sido citado pelo ex-presidente da empreiteira OAS, Léo Pinheiro, durante negociação com o MPF para delação premiada relacionada a Operação Lava Jato. “Esse meio de comunicação disse ter havido um anexo, que é o nome que se dá às informações escritas dos colaboradores ao Ministério Público, envolvendo um alto magistrado da República e as especulações vêm de que houve vazamento sobre essas informações”, disse Janot.

O procurador classificou a informação sobre o suposto acordo de “estelionato delacional” e “cortina de fumaça” para pressionar o MPF a aceitar a delação. “Na minha humilde opinião trata-se de um quase estelionato delacional, em que inventa-se um fato, divulga-se o fato para que haja pressão ao órgão do Ministério Público para aceitar desta ou daquela maneira eventual acordo de colaboração”, criticou.

Depois da publicação, a Procuradoria-Geral da República (PGR) suspendeu a negociação para que um possível acordo de delação premiada fosse feito com Léo Pinheiro.

Janot enfatizou que há dois grupos trabalhando na Operação Lava-Jato, um em Curitiba e outro em Brasília, ambos interdisciplinares, envolvendo MP, Polícia Federal, agentes de inteligência e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras. “Não é possível que sejamos e estejamos todos nessa conspiração para o mal, nessa conspiração abjeta”, disse.

Para o procurador-geral, o Brasil está dividido em dois lados e ambos estão descontentes com as ações do MPF. “Então estamos desagradando todos os lados. Na minha visão, isso é um sinal positivo, caminhamos bem, porque não estamos agradando a lado algum, porque não temos bandeira, ideologia, parte. Não temos um lado, temos o lado da investigação dos fatos”. Ao se defender das críticas, Janot voltou a afirmar que o “Ministério Público tem couro grosso”.

Gilmar Mendes

Mais cedo, o ministro do STF Gilmar Mendes criticou o suposto vazamento de informações do MPF sobre a Lava Jato e disse que os procuradores não podem se achar o “ó do borogodó” porque têm a atenção da imprensa e que precisam calçar “as sandálias da humildade”.

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, negou que o MPF tenha recebido delação com citação ao ministro Dias ToffoliArquivo/José Cruz/Agência Brasil

Outras publicações

Ministro do STF afasta Renan Calheiros do cargo de presidente do Senado José Renan Vasconcelos Calheiros é afastado da presidência do Senado por ordem judicial. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio ...
Juiz Sérgio Moro autoriza novo depoimento de Léo Pinheiro na Lava Jato O juiz federal Sérgio Moro autorizou na terça-feira (06/09/2016) novo depoimento do ex-presidente da empreiteira OAS, José Adelmário Pinheiro Filho, c...
Maioria do Supremo Tribunal Federal mantém Renan Calheiros na presidência do Senado, mas afastado da linha sucessória da presidência da República O Supremo Tribunal Federal faz sessão plenária para julgar a liminar de autoria do ministro Marco Aurélio Mello, que determina o afastamento de Renan...

Sobre o autor

Redação
O Jornal Grande Bahia é um portal de notícias com sede em Feira de Santana. Para enviar informações, fazer denúncias ou comunicar erros do jornal mantenha contato através do e-mail: editor@jornalgrandebahia.com.br