Operação Ninguém Escapa: reportagem da Folha revela que ministro José Serra recebeu R$ 23 milhões via caixa 2; informação foi repassada nas delações dos executivos da Odebrecht

Ministro José Serra e presidente interino Michel Temer, unidos nas delações do Caso Lava Jato. Segundo os depoimentos de executivos da Odebrecht, a negociação para o repasse à campanha do ministro José Serra se deu com a direção nacional do PSDB à época, que depois distribuiu parte do dinheiro entre outras candidaturas.

Ministro José Serra e presidente interino Michel Temer, unidos nas delações do Caso Lava Jato. Segundo os depoimentos de executivos da Odebrecht, a negociação para o repasse à campanha do ministro José Serra se deu com a direção nacional do PSDB à época, que depois distribuiu parte do dinheiro entre outras candidaturas.

Executivos da Odebrecht disseram em negociação de delação premiada que a empreiteira passou 23 milhões de reais à campanha de José Serra (PSDB-SP) em 2010 sob a forma de caixa 2. Segundo reportagem do jornal Folha de São Paulo, a afirmação foi feita a procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato. Os funcionários da empresa negociam acordo para terem reduzidas eventuais penas decorrentes dos processos. Segundo os relatos, a campanha à presidência do atual ministro das Relações Exteriores teria recebido os valores no Brasil e em contas no exterior.

De acordo com os delatores, a negociação das doações foi feita junto à direção nacional do PSDB. Os executivos disseram que podem apresentar comprovantes de depósitos. Ainda segundo o jornal, eles pretendem revelar que houve pagamento de propina a intermediários do ministro no período em que Serra foi governador de São Paulo (2007 a 2010). Os pagamentos teriam relação com as obras do trecho sul do Rodoanel.

DELAÇÃO

Os envolvidos nas negociações consideram o tema um dos principais anexos que integram a pré-delação da empresa. É primeira vez que o tucano aparece envolvido em esquemas de corrupção por potenciais colaboradores da operação que investiga desvios na Petrobras.

Em conversas futuras com os procuradores, os executivos também pretendem revelar que o ministro das Relações Exteriores era tratado pelos apelidos de “Vizinho” e “Careca” em documentos da empreiteira.

ACARAJÉ

O nome do tucano foi um dos que apareceram na lista de políticos encontrada na casa do presidente da Odebrecht Infraestrutura, Benedicto Barbosa da Silva Júnior, durante a 23ª fase da Lava Jato, a Acarajé, em fevereiro.

A Folha também apurou que funcionários da companhia relatarão que houve propina paga a intermediários de Serra no período em que ele foi governador de São Paulo (de 2007 a 2010) vinculados à construção do trecho sul do Rodoanel Mário Covas.

O trecho em questão teve construção iniciada no primeiro ano da gestão do tucano e foi orçado em R$ 3,6 bilhões na época.

Na última quinta-feira (4), o ex-presidente do grupo, Marcelo Odebrecht, falou pela primeira vez aos procuradores que investigam o petrolão. Ele está preso há mais de um ano na Lava Jato.

A reunião, realizada com nove procuradores e cinco advogados na superintendência da Polícia Federal de Curitiba, onde Marcelo está preso, começou por volta das 10h e terminou quase sete horas depois.

Ao longo da conversa, o executivo foi cobrado pelos investigadores a falar de maneira “explícita” dos atos de corrupção, “sem rodeios”.

O ex-presidente do grupo vinha se preparando havia meses para esse dia, com reuniões semanais com advogados. Na véspera da oitiva, ele recebeu as visitas da mulher, Isabela, e das três filhas para lhe dar apoio.

‘LIÇÃO DE CASA’

Além de Marcelo Odebrecht, cerca de 30 executivos da empreiteira deram depoimentos em Curitiba.

As oitivas foram duras. Alguns executivos chegaram a ser chamados de mentirosos pelos investigadores. Parte foi ordenada a fazer a “lição de casa”, trazendo mais informações sobre casos que interessam aos procuradores.

OUTRO LADO

O ministro das relações exteriores, José Serra (PSDB-SP), afirmou, por meio de nota enviada por sua assessoria de imprensa, que a campanha dele durante a disputa a Presidência da República em 2010 foi conduzida em acordo com a legislação eleitoral em vigor.

O tucano disse também que as finanças de sua disputa pelo Palácio do Planalto eram de responsabilidade do partido, o PSDB.

Ainda em nota, José Serra reiterou que ninguém foi autorizado a falar em seu nome.

“A minha campanha foi conduzida na forma da lei e, no que diz respeito às finanças, era de responsabilidade do partido”, afirmou.

Segundo a prestação de contas da campanha tucana no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o Comitê Financeiro Nacional para Presidente da República, do PSDB, declarou ter recebido R$ 2,4 milhões da empreiteira na disputa de 2010.

Sobre o suposto pagamento de propina a intermediários do tucano quando ele foi governador do Estado de São Paulo, entre 2007 e 2010, e que teriam relação com a construção do trecho sul do Rodoanel, o ministro disse que considera “absurda a acusação”.

“Até porque a empresa em questão já participava da obra quando assumi o governo do Estado.”

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