No plenário, senadora Lídice da Mata qualifica impeachment como farsa golpista; bancada da Bahia vota contra ‘Golpe de Estado através do uso da pseudo ordem democrática’

Plenário do Senado Federal durante votação do relatório do senador Antônio Anastasia. Usurpadores chancelam mais uma etapa na escalada golpista.

Plenário do Senado Federal durante votação do relatório do senador Antônio Anastasia. Usurpadores chancelam mais uma etapa na escalada golpista.

Lídice da Mata: 'Impeachment é farsa e golpe'.

Lídice da Mata: ‘Impeachment é farsa e golpe’.

Os senadores do estado da Bahia — Lídice da Mata (PSDB), Roberto Muniz (PP) e Otto Alencar (PSD) — rejeitaram o relatório apresentado por Antônio Anastasia (PSDB/MG) e denunciaram a tomada de poder pelos reacionários como um ‘Golpe de Estado através do uso de pseudo ordem democrática’, ou seja, toma-se o poder da República com uso de instrumentos legais em um processo cujo crime atribuído à presidente Dilma Rousseff (PT) não ficou comprovado.

Mais enfática em denunciar o golpe, a senadora Lídice da Mata o qualifica como uma farsa, enquanto Roberto Muniz e Otto Alencar reafirmaram que ao analisar o processo não se identifica crime de responsabilidade praticado por Dilma Rousseff.

Apesar da resistência democrática dos senadores baianos, os golpistas aprovaram na quarta-feira (10/08/2016) o relatório de Antônio Anastasia por 59 votos a 21, transformando Dilma Rousseff em ré no processo de impeachment.

Sintomaticamente, uma cena em que a senador Marta Suplicy (PMDB/SP) cumprimenta entusiasmada o colega Anastasia resume a postura ideológica e ética, além de evidenciar a dignidade e o caráter dos golpistas.

Confira as declarações dos senadores da Bahia

Lídice da Mata e a farsa do golpe

Ao discursar no Plenário na noite desta terça-feira (09/08/2016), a senadora Lídice da Mata (PSB-BA) fez uma defesa do mandato da presidente Dilma Rousseff. Para a senadora, as elites políticas, econômicas e midiáticas montaram um cenário para usurpar o poder de quem recebeu mais de 54 milhões de votos.

— Não sou dilmista, nem petista e nem tucanista. Sou socialista e democrata, e é nessa condição que venho defender a democracia — afirmou.

A senadora classificou o impeachment como uma farsa e um golpe. Ela observou que um golpe de Estado não precisa de tanques na rua para assim ser considerado. Para a senadora, o afastamento da presidente pode comprometer a democracia e o futuro do país. Lídice também lembrou que muitos que criticam o governo Dilma ocupavam ministérios e secretarias até pouco tempo.

—  O que vemos hoje é um golpe da ‘espertocracia’, contra a democracia e contra o povo. Em todo esse processo, em nenhum momento, ficou provado que a presidente Dilma Rousseff praticou crime de responsabilidade — declarou a senadora.

Lídice da Mata ainda fez várias críticas ao governo interino de Michel Temer. Segundo a senadora, Temer tem tomado medidas que podem levar o país ao “obscurantismo”. Lídice ainda destacou que o presidente interino tem contra si várias denúncias de irregularidades. E defendeu a realização de um plebiscito, perguntando ao povo sobre a antecipação das eleições presidenciais.

Não há provas contra Dilma, diz senador Roberto Muniz

O senador Roberto Muniz (PP-BA), em discurso no Plenário, diz que não há provas para o julgamento de Dilma Rousseff. Ele defendeu a presença da mulher na política e disse que a presidente afastada “é e será, para a nossa história, a primeira mulher presidente do Brasil”.

Num emaranhado de relevantes teses jurídicas, afirmou Muniz, sobram dúvidas e apenas três decretos usados contra Dilma. O senador reiterou que não há provas de que a presidente afastada tenha determinado previamente meios inadequados para atingir finalidades escolhidas por ela, uma vez que agiu baseada com o apoio de órgãos técnicos.

— Mesmo que se tenha sido constatado irregularidade fiscal, o mesmo não alcança o patamar de crime de responsabilidade. Analisando o relatório e provas colhidas e pensando no futuro e na governabilidade, eu voto pelo não prosseguimento do processo — afirmou.

Dilma está sendo punida pelo descontrole administrativo, avalia Otto Alencar

Para o senador Otto Alencar (PSD – BA) a investigação promovida pela Comissão Especial do Impeachment não trouxe nenhuma novidade em relação a denúncia originada na Câmara dos Deputados quanto ao crime de responsabilidade atribuído à presidente afastada, Dilma Rousseff e que ela é inocente dos crimes a ela atribuídos.

O senador considera que o maior erro da presidente Dilma Rousseff foi ter feito uma campanha com vários partidos e, depois de vencer a eleição, formar um gabinete apenas com o PT.

Confira vídeos com pronunciamentos dos senadores da Bahia

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