Missionário Antônio Geraldo e o Santo Daime

Antônio Geraldo 2

Poderia enumerar aqui inúmeras virtudes e qualidades deste irmão amigo. Porém, destacarei apenas uma. Qualidade esta da maior importância para um homem e principalmente para um líder espiritual, o dirigente de uma comunidade religiosa. Esta qualidade é a humildade. Destaco a virtude da humildade no presidente Antônio Geraldo da Silva Filho.

Certo dia, o Mestre Conselheiro Antônio Geraldo da Silva, fundador do Centro Espírita Daniel Pereira de Matos e pai do atual presidente, Antônio Geraldo Filho, encontrou-se, em miração, com o Senhor São Francisco de Assis.

Alegrou-se. Estava frente à frente com São Francisco!

Porém, experiente, se perguntou: ”eu vendo São Francisco aqui, na minha frente? Frente a frente com ele?”

Então Mestre Antônio Geraldo percebeu que as roupas de São Francisco não tinham brilho… e aí ele, naquela miração, fez uma prece, perguntando a São Francisco que lhe mostrasse a realidade daquilo que estava vendo.

De repente aquele São Francisco de Assis sumiu e ele viu brilhar uma luz, lá longe, uma luz muito forte, uma luz resplandecente. Uma voz interior disse ao Mestre Antônio Geraldo:

— Aquele é São Francisco!

Tomou Jesus consigo a Pedro, e a Tiago, e a João, seu irmão, e os conduziu em particular a um alto monte,

E transfigurou-se diante deles; e o seu rosto resplandeceu como o sol, e as suas vestes se tornaram brancas como a luz.

E eis que lhes apareceram Moisés e Elias, falando com ele.

E Pedro, tomando a palavra, disse a Jesus:

— Senhor, bom é estarmos aqui; se queres, façamos aqui três santuários, um para ti, um para Moisés, e um para Elias.

E, estando ele ainda a falar, eis que uma nuvem luminosa os cobriu. E da nuvem saiu uma voz que dizia:

— Este é o meu amado Filho, em quem me comprazo; escutai-o.

E os discípulos, ouvindo isto, caíram sobre os seus rostos, e tiveram grande medo.

Após contar o episódio da miração com o Senhor São Francisco, o Mestre Conselheiro Antônio Geraldo da Silva transmitiu um ensinamento: ele dizia que nós, com as nossas imperfeições, não temos condições de ver uma entidade como São Francisco, já purificada, assim na nossa frente, porque nós não aguentaríamos a luz dele. Porque estamos ainda no nosso estado de imperfeição e é muito fácil constatarmos isso, se lembrarmos desta passagem do Evangelho de Mateus (17:1-6) da transfiguração do Nosso Senhor Jesus Cristo.

Seu filho Antônio Geraldo recorda dessa preleção do saudoso pai:

— Se olharmos os Santos Evangelhos podemos encontrar naquela passagem de Cristo sobre o monte, com Pedro, Tiago e João, que ao chegarem lá se depararam com Elias, Moisés e naquele resplendor de luz, estes irmãos que estavam com Jesus caíram por terra. Agora imagina! Eles já andavam ali junto de Jesus Cristo, eram discípulos de Cristo e não aguentaram. Só Cristo aguentou a luz e aí podemos ter uma ideia do que aconteceria, se nós, com nossas imperfeições, nos deparássemos com uma entidade dessas, em nossa frente.

E continua Geraldo Filho:

— Deus pode tudo e pode sim criar um meio para que possamos ver, mas a certa distância. Por isso precisamos ter merecimentos, fazer as coisas certas e buscar com o aperfeiçoamento nos aproximar assim dessa realidade. Bem, mas se o papai não tivesse tido essa experiência, ele iria sair falando que conversou com São Francisco de Assis… e na realidade era um intrusão que queria trapacear fazendo ele de bobo, pois existe muito isso e então ele, de forma esperta, fez essa separação. Precisamos sempre questionar tudo e só através do questionamento é que podemos ter a certeza, encontrar a verdade e a verdade nos libertará. Papai (Mestre Conselheiro Antônio Geraldo) completava: não acreditem no que eu falo, busquem, se preparem, bebam a Santa Luz (Daime) e daí, com vocês testificando, vocês vão ter mais confiança em mim, naquilo que estão fazendo e no compromisso que estão seguindo.

O missionário Antônio Geraldo da Silva Filho nasceu em Rio Branco-Acre, em 14 de agosto de 1956. É filho de Antônia Ferreira da Silva e de Antônio Geraldo da Silva, fundador do Centro Espírita Daniel Pereira de Matos, igreja daimista da linha da Barquinha.

Quando o seu querido pai se libertou do corpo material e se foi para o plano superior, aonde habitam os espíritos iluminados e purificados (28/072000), Geraldo Filho assumiu a direção dos trabalhos, que conduz ininterruptamente até os dias de hoje.

Geraldo Filho começou a ganhar o pão de cada dia muito cedo. Aos 12 anos já trabalhava numa oficina mecânica e, engenhoso, aprendeu várias profissões: rádio técnico, operador de máquinas, mecânico de máquinas pesadas (trator de esteiras, retroescavadeiras etc.) e atualmente é funcionário público aposentado. Se destaca também como artista popular: é cantor e instrumentista virtuoso. Com sua maviosa voz e habilidosos dedos encanta a todos que o ouvem cantar e tocar os salmos e hinos desta linda Doutrina musicada que é a Barquinha de Mestre Daniel e do saudoso Conselheiro.

Casou aos 17 anos de idade com a jovem Francisca, então com 13 anos. Compõem esta linda família 5 filhos e 6 netos. E outros netos e também bisnetos certamente hão de vir.

Começou a beber Daime com 8 anos de idade, e sempre ao lado do pai, foi por este ensinado e preparado para que, na sua ausência, fosse o seu sucessor na direção daquela Casa Espírita ayahuasqueira.

Antônio Geraldo Filho diz:

— O Daime é uma coisa Divina, por isso chamamos de “Santo” Daime, porque ele tem um poder transformador. De transformar as pessoas, de ruins para boas e de boas para melhores. Esta bebida tem o poder transformador que cura e liberta as pessoas das doenças espirituais (o pecado) que escraviza e destrói, corroendo pouco a pouco o sentimento, o ser humano que há em cada um de nós. Orem! Não depende só do Santo Daime, mas da pessoa também querer se transformar, querer se lapidar, tendo também muito cuidado no trato com essa bebida, porque dentro do campo espiritual têm os dois lados, positivo e negativo.

A Luz do Daime é tão fina

Que parece a Luz do dia

Vem do olhar de doçura

De Deus Nosso Senhor

E da Sempre Virgem Maria.

Antônio Geraldo e Juarez Bomfim

Antônio Geraldo e Juarez Bomfim

Quem conhece aquela igrejinha de Daime lá da Vila Ivonete (Rio Branco-Acre) e participa de um trabalho espiritual, jamais esquecerá da sagrada experiência vivida.

Nas quartas-feiras são realizadas as sessões de instrução e preparo. Quando em visita àquela Casa Espírita, eu e minha consorte, a muito amada Cecília, costumamos chegar antes das 18 horas e, ao tocar a sineta para os oficiais da Casa e os visitantes se enfileirarem para beber da Santa Luz, o Coro que abre a chave dos mistérios é entoado:

Salvemos a Luz

Que nos alumia…

Recebo o meu copo de Daime, o gosto é forte e chega a ser agradável. O Daime desta Casa de Jesus e da Virgem da Conceição se assemelha a um licor escuro. É um néctar, um elixir, e vem de uma tradição desde a época do Mestre Conselheiro de ser apurado por mãos femininas, por feitoras de Daime. A energia da Divina Mãe está ali presente.

Vai dar início o voo espiritual à Luz do Daime. É cantado o Culto Santo e os demais hinos de abertura, abrem-se as cortinas do templo, são feitas as rogativas de pedido de guarnição para os irmãos embarcarem no Barquinho Santa Cruz, navegando sobre as ondas do Mar Sagrado, rumo aos Santos Pés de Jesus, tendo por companheiras as Três Rainhas e a Princesa Santa Fé.

O Culto Santo é simples, todo estruturado na forma de orações e cânticos, com um puxador dos salmos e o coral de irmãos presentes no salão respondendo uníssono, cantando o refrão.

Quando cânticos de louvor se elevam das vozes dos homens aos céus, Deus, Ele mesmo, desce para conceder a sua graça. Quando cânticos de louvor descem do Céu a Terra, Deus, Ele mesmo, nos abençoa com a sua Divina Presença.

Fala o Presidente Antônio Geraldo Filho:

No trabalho de preparação, que acontece nas quartas-feiras, depois da abertura ocorre uma concentração, depois ouve-se os hinos de instrução, com a pregação do Santo Evangelho, mensagens psicografadas e nessa parte as entidades que quiserem se manifestar trazem algumas mensagens, orientações, cantamos hinos por orientação dessas entidades e depois dessa parte, canta-se os hinos de encerramento e fazemos o fechamento do trabalho.

Aqui nesta Igrejinha

De Culto e Romaria

Se aprende a adorar Jesus

E a Sempre Virgem Maria.

Deus nos quer ver bem feliz

Nos mandou um professor

Que ensina com Amor

É São Francisco de Assis.

No calendário litúrgico desta Casa Espírita foram instituídas desde a época do Mestre Fundador as Romarias e Penitências; Obras de Caridade aos sábados e as celebrações festivas do Calendário Cristão, como a Noite de Natal, o Dia de Reis, Nossa Senhora da Conceição  e outras datas maiores da cristandade. Comemora-se também o dia da passagem do Mestre Conselheiro para o Mundo Maior e o aniversário do presidente da Casa.

Nos festejos pelo seu aniversário em 14 de agosto de 2015, ao qual nos fizemos presentes, o dirigente da sessão generosamente me permitiu o uso da palavra e assim eu, Juarez Duarte bomfm, o saudei:

— Conheço o irmão amigo Antônio Geraldo da Silva Filho já há muitos anos. Sempre que me encontro no Planeta Acre eu o visito em sua residência ou aqui nesta igrejinha me faço presente para comungar da Santa Luz, junto com todos os seus irmãos, essa laboriosa comunidade religiosa.

Poderia enumerar aqui inúmeras virtudes e qualidades deste irmão amigo. Porém, destacarei apenas uma. Qualidade esta da maior importância para um homem e principalmente para um líder espiritual, o dirigente de uma comunidade religiosa. Esta qualidade é a humildade. Destaco a virtude da humildade no presidente Antônio Geraldo da Silva Filho.

A sua humildade o faz apreciar apenas um título. Que é a sua missão aqui no plano terrestre. Ele gosta de ser tratado como o missionário Antônio Geraldo.

Antônio Geraldo da Silva Filho é mestre, presidente e padrinho, mas o que ele gosta mesmo é de ser chamado de missionário.

Ele é um mestre porque ensina, porque doutrina. Ensina através dos lindos cânticos, mensagens espirituais e preleções sobre o caminho do Amor, da verdade e da Justiça. Mestre Antônio Geraldo. Todavia ele gosta mesmo é de ser chamado de missionário.

Antônio Geraldo é presidente desta encantadora instituição religiosa, desta Barquinha. Eu mesmo o costumo chamar de presidente. E ele é um bom presidente: zeloso, organizado, obreiro. Porém ele aprecia mesmo é ser chamado de missionário.

Antônio Geraldo é padrinho dos seus inúmeros afilhados de pia e demais afilhados espirituais. É um reconhecimento de muitos pelo seu amor ao próximo, disposição para servir e praticar a caridade.

Jesus perguntou certa vez aos seus discípulos:

— Que estavam vós discutindo pelo caminho?

Mas eles calaram-se; porque pelo caminho tinham disputado entre si qual era o maior. E Ele, assentando-se, chamou os doze, e disse-lhes:

— Se alguém quiser ser o primeiro, será o derradeiro de todos e o servo de todos.

Assim é o senhor Antônio Geraldo da Silva Filho.

Esta é a missão de luz do mestre, padrinho e presidente Antônio Geraldo. Melhor dizendo, esta é a missão de luz do missionário Antônio Geraldo.

A Paz de Deus seja conosco.

Sobre o autor

Juarez Duarte Bomfim
Baiano de Salvador, Juarez Duarte Bomfim é sociólogo e mestre em Administração pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), doutor em Geografia Humana pela Universidade de Salamanca, Espanha; e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Tem trabalhos publicados no campo da Sociologia, Ciência Política, Teoria das Organizações e Geografia Humana. Diversas outras publicações também sobre religiosidade e espiritualidade. Suas aventuras poético-literárias são divulgadas no Blog abrigado no Jornal Grande Bahia. com.br.