Exclusiva: senadora Lídice da Mata qualifica tentativa de destituição de Dilma Rousseff como golpe, comenta sobre a participação do PSB nas eleições e avalia os governos Rui Costa e José Ronaldo

Carlos Augusto entrevista senadora Lídice da Mata sobre impeachment, eleições e avaliação de governos.

Carlos Augusto entrevista senadora Lídice da Mata sobre impeachment, eleições e avaliação de governos.

A senadora Lídice da Mata (PSB/BA), em entrevista, comentou sobre o processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff (PT), participação do PSB nas eleições municipais de 2016 e avaliou a gestão do governador Rui Costa, e a administração do prefeito ACM Neto.

A entrevista exclusiva foi concedida na quinta-feira (04/08/2016) no Teatro Margarida Ribeiro, em Feira de Santana, durante convenção que homologou as candidaturas de Angelo Almeida, prefeito (PSB) e Pastor Enock, vice-prefeito (Rede).

Confira o teor da entrevista

Jornal Grande Bahia — Como avalia a votação do relatório do impeachment pelo senado?

Lídice da Mata — Eu acho que é lamentável que o senado continue esse processo iniciado na Câmara dos Deputados e que tem se mostrado um processo juridicamente muito frágil.

O Brasil foi colocado em uma condição de chantagem por Eduardo Cunha. Ele ameaçou a presidente Dilma Rousseff de impeachment. Depois, viabilizou um recebimento de processo de impeachment, em um gesto de chantagem pública contra o partido da presidente. Partido que não poiou Eduardo Cunha e isso foi um pretexto para que se levasse adiante um processo que juridicamente está sendo contestado.

O Ministério Público Federal não reconheceu a pedalada fiscal, a perícia do Senado Federal não reconheceu a responsabilidade de Dilma na pedalada fiscal. Mas, ainda assim, o que se pretende é perpetuar um golpe político parlamentar que foi dado pelos partidos de oposições no seu governo, sob o pretexto de que a presidente não estava bem.

Quantos governos passam por crises? Pelo menos no regime presidencialista de popularidade e ainda assim vão até o fim. O Brasil é um país que escolheu o presidencialismo. No presidencialismo não há voto de desconfiança. Em alguns tipos de governos presidencialista pode ter recall (revisão) como figura, é possível dentro do sistema político. No entanto, nem isso o Brasil tem. Mas, contra a presidente Dilma se construiu o discurso do golpe e o roteiro para o golpe e agora, mesmo não tendo prova, o golpe se perpetua e se consolida como golpe.

JGB — Como analisa as eleições municipais em Feira de Santana, Salvador e na Bahia a partir da participação do PSB?

Lídice da Mata — O PSB cresceu muito no seu processo de construção. Nestas eleições nós estamos disputando e presentes em grandes cidades, Feira de Santana, que é a segunda cidade do estado; Vitória da Conquista que é a terceira cidade do estado; em Salvador nós estaremos coma chapa de vereadores e apoiando a candidatura de Alice Portugal e Maria Del Carmen, é a principal chapa de enfrentamento do prefeito. Estamos em Ilhéus, eu estou saindo daqui para ir para o lançamento e a convenção da candidatura de Bebeto em Ilhéus. Estamos com grande chance de vitória em Itaberaba, em Brumado, em Caetité, em Guanambi, e em Alagoinhas. Então, estamos participando com destaque do processo eleitoral. Em Juazeiro, tínhamos candidatura até ontem, retiramos para apoiar Joseph e estamos presentes em mais cerca de 60 cidades do estado, entre médias e pequenas cidade.

Avaliação de governos

JGB — Como avalia o governo Rui Costa?

Lídice da Mata — O governo Rui Costa é um governo que vem depois do legado democrático que o governador Jaques Wagner nos deu. Ele amplia esse processo democrático, com uma gestão que tem aprofundado os caminhos de fortalecimento da política de educação, saúde e segurança. Ele tem atuando com intensidade na educação, buscando ter centralidade nas ações de educação.

Rui é um governador que certamente marcará a história pela presença na escola pública do estado. Ele já visitou mais de 180 escolas no estado inteiro. Na saúde, tem um projeto ousado de interiorização, através das policlínicas. Além de apresentar investimentos em ações de saúde no nosso estado, como o hospital regional de Itabuna e Ilhéus ainda esse ano. Também, no setor da saúde, em Salvador, nós devemos, até o ano que vem, ter o hospital da mulher. Ele será o primeiro hospital da mulher em Salvador.

Com relação às contas da administração, a Bahia é um dos poucos estados do Brasil que mesmo diante dessa crise não atrasou em nenhum dia o salário do funcionário. Enquanto o estado do Rio de Janeiro tem dividido o salário do funcionário.

Então, eu creio que Rui é um governador que vai estar acima das expectativas do cidadão, que em geral votou nele. Ele está se saindo muito bem e tem uma gestão muito correta.

JGB — Como avalia a administração do prefeito José Ronaldo, em Feira de Santana?

Lídice da Mata — Feira de Santana eu posso falar menos porque conheço menos. Acho que Feira precisa ter uma ação e um entendimento de que ela é uma cidade metrópole, cosmopolita, precisa sair de uma certa postura de provincianismo no falar de Feira, no fazer a política pública de Feira de Santana.

Feira de Santana tem que se dirigir à Bahia em uma oposição mais ativa, por isso que nós estamos lançando uma candidatura em Feira de Santana e acreditamos que a candidatura de Ângelo Almeida pode levar a eleição para o segundo turno, e possa ajudar a construir um cenário onde Feira pareça com uma possibilidade de representar mais essa história política.

Feira é uma cidade da resistência democrática, reconhecida no país inteiro pela resistência democrática, reconhecida como cidade da agropecuária. Feira de Santana é uma cidade industrial que já passou por sua revolução e que agora precisa entrar na era do conhecimento, na revolução do conhecimento, é esta Feira de Santana que nós queremos representar nessas eleições.

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Sobre o autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto Oliveira da Silva (Carlos Augusto) é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF). Atua como jornalista e cientista social. Telefone: (75)98242-8000 | E-mail: diretor@jornalgrandebahia.com.br.