Em 5 de agosto de 1997, morre José Falcão da Silva, prefeito de Feira de Santana

José Falcão da Silva morreu em 5 de agosto de 1997. Ele era reconhecido como um dos mais destacados líderes políticos da história local e regional.

José Falcão da Silva morreu em 5 de agosto de 1997. Ele era reconhecido como um dos mais destacados líderes políticos da história local e regional.

No dia 5 de agosto de 1997, no exercício do seu terceiro mandato como chefe do executivo municipal de Feira de Santana morria José Falcão da Silva. Ele era reconhecido como um dos mais destacados líderes políticos da história local e regional. No comando da prefeitura, assumia o vive-prefeito, Caliton Costa Mascarenhas.

José Falcão começou na política em 1962 como candidato a deputado (PR) sem obter êxito. Em 1966, foi o vereador mais votado do MDB. Foi eleito prefeito em 1972 e em 1982. Em 1990 foi eleito deputado federal e voltou à prefeitura de Feira de Santana, em 1996. José Falcão é autor de frases celebres que nunca serão esquecidas pelos feirenses, como: “Na política não existem aliados eternos, nem adversários irreconciliáveis”, “Política e mineração, só depois da apuração…” e Praga de urubu velho não pega em cavalo novo…”.

José Falcão da Silva nasceu na Fazenda Cocão, distrito de Mercês, atual Sergí, no Município de São Gonçalo dos Campos, no dia 19 de agosto de 1930. José Falcão da Silva era filho de Tiburcio Ferreira da Silva e Abadézia Falcão da Silva. Aos 10 anos perdeu o pai, passando a ser criado pelos tios Antonio Eloy da Costa e Francisca Carolina da Costa, na Vila de Mercês, onde iniciou os estudos. Aos 12, acompanhando tios, veio morar em Feira de Santana.

Aceitando o convite do monsenhor Amílcar Marques, em 1945 entrou no Seminário Menor de São José, em Salvador, onde ficou até 1949. De volta estudou no Colégio Santanópolis concluindo o curso de Contabilidade e Magistério Público. Ao mesmo tempo em que fazia os cursos lecionava Latim, Francês e Português.

Prestou exame de vestibular em 1952 ingressando no curso de Direito, da Faculdade de Direito de Aracaju, transferindo-se em 1959 para a Ufba sendo diplomado na turma de 1960.

Na adolescência estudava à noite, trabalhava durante o dia como balconista da loja de sapatos de Antonio Barbosa Caribé, para ajudar no sustento da família. Por concurso público foi ser bancário na agencia local do Banco do Brasil, onde ficou lotado até 1982, quando aconteceu sua aposentadoria.

José Falcão da Silva estreou na vida pública em 1962 como candidato a deputado estadual pelo nanico PR e não obteve êxito. Quatro anos depois, em 1966, foi o mais votado vereador do MDB, liderando na câmara uma bancada que tinha entre outros, Luciano Ribeiro, Noide Cerqueira e Theodulo Junior. Ao se despedir da câmara declarou em discurso:

EM 1970 foi o candidato a prefeito do MDB para um mandato de dois anos. Perdeu a eleição para Newton Falcão por conta dos distritos, já que na sede obteve expressiva votação. Os mais antigos ainda cantam a famosa marchinha da campanha que dizia:

– Não adianta pedir, não adianta dá a mão, meu voto é de José Falcão…

Dois anos depois, em 1972, no MDB, foi eleito prefeito vencendo para a soma dos dois candidatos da Arena – João Durval e Beto Oliveira. Como prefeito construiu muitos prédios escolares na zona rural acabando com as escolas isoladas. Mas ao final do mandato, quando os adversários diziam que ele abraçou apenas a obra do Centro de Abastecimento ele respondia com ironia:

– Quem muito abraça pouco aperta…

EM 1978 tentou ser candidato a deputado federal, mas não obteve êxito por conta da pulverização dos votos. Naquele ano, além dos arenistas Wilson Falcão e João Durval, também foram candidato pelo MDB Francisco Pinto, Noide Cerqueira e Roque Aras. Recolhido na residência da Avenida Sampaio, dizia aos amigos que o procuravam:

– O dia da virada ainda vai chegar…

O dia da virada chegou com as eleições de 1982, ao se filiar ao PDS carlista que surgiu com a onda do pluripartidarismo. A morte de Clériston Andrade, a indicação do feirense João Durval para substituir Clériston como candidato ao governo e de quebra a divisão do PMDB, sem contar o carisma do próprio Falcão, o fez novamente prefeito. Àqueles que estranhavam seu alinhamento aos rivais carlistas ele respondia com sabedoria:

– Na política não existem aliados eternos, nem adversários irreconciliáveis.

EM 1990 para surpresa de muitos, Falcão consegue afinal ser eleito deputado federal, mas dois anos depois, também para surpresa de muitos, ele não consegue ser novamente prefeito em 1992. Foi eliminado logo no primeiro turno, ficando a disputa final com João Durval e Luciano Ribeiro. Para a vitória de 1990 como candidato a deputado e para a derrota de 1992 como candidato a prefeito, Falcão usava a mesma frase de efeito:

– Política e mineração, só depois da apuração…

Em 1996, com com a saúde debilitada e abandonado pelos carlistas, José Falcão disputa a prefeitura pela quinta vez. Chega ao segundo turno e com o apoio da oposição vence o candidato carlista Josué Melo. Nos debates ainda do primeiro turno, no lugar do homem abatido pela doença, o público via em José Falcão um gigante com respostas na ponta da língua, às vezes causando risos na platéia.

Colocou o candidato carlista como sendo um homem que desconhecia a cidade ao fazer a pergunta que entrou para o cotidiano feirense:

-Vossa Excelência sabe onde fica o Ovo da Ema?…

Quando o mediador perguntou qual era o seu programa para o esporte e o lazer, José Falcão levou a platéia ao delírio:

– Ninguém aqui tem plano melhor do que o meu. Afinal, não é à toa que todos me chamam de Zé Festinha…

Quando um dos adversários questionou seu estado de saúde a resposta saiu carregada de ironia:

-Praga de urubu velho, não pega em cavalo novo…

Empossado prefeito pela terceira vez, vai à inauguração de uma horta comunitária no Jardim Cruzeiro, onde encontra o colberzista Aloísio Benjamim de Oliveira, nosso amigo Sergipe, que cobra o cargo que lhe fora prometido durante a campanha do segundo turno. José Falcão levanta a cabeça, lambe os lábios e diz piscando um olho. “Sergipe, Sergipe, não me venha com essas conversas de campanha.”.

*Reportagem de Adilson Simas.

Cenas do funeral de José Falcão da Silva

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