Depois de perder o autocontrole e agir agressivamente, senador Renan Calheiros arrepende-se de briga com Gleisi Hoffmann e diz que provocação do PT é “burrice”

Os senadores Gleisi Hoffmann, Lindbergh Farias e Renan Calheiros envolvem-se em confusão no segundo dia do julgamento do processo de impeachment da presidenta afastada Dilma Rousseff.

Os senadores Gleisi Hoffmann, Lindbergh Farias e Renan Calheiros envolvem-se em confusão no segundo dia do julgamento do processo de impeachment da presidenta afastada Dilma Rousseff.

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse que se “arrepende muito” de ter protagonizado um bate-boca com a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) no plenário da Casa nesta sexta-feira (26/08/2016), segundo dia do julgamento do processo de impeachment da presidenta afastada Dilma Rousseff. Renan ressaltou, porém, que o comportamento provocativo dos senadores petistas pode prejudicar a presidenta Dilma Rousseff na votação da semana que vem.

“Essa discussão só tira votos, não agrega votos. Isso é uma burrice, é um tiro no pé. Foi isso que eu falei. Por isso, deu no que deu, porque [os petistas] não têm estratégia de convivência, agridem as pessoas e não agregam nada. O processo político é uma construção, ele precisa sempre agregar as pessoas, e não separá-las”, afirmou o senador.

Renan alegou que sofreu uma “provocação desproporcional” de Gleisi e de colegas dela contrários ao impeachment e que acabou “perdendo as estribeiras”. Para o senador, tal comportamento é um “tiro no pé”, uma “burrice”.

“Eu fui muito tempo acusado de ser aliado do PT. Essa é a quarta vez que sou presidente do Senado e do Congresso Nacional. Ora, ao invés de preservarem esse ativo de ter na presidência uma pessoa que conduz o processo com isenção, com autoridade, com equilíbrio, com responsabilidade, eles ficam tentando atrair o presidente do Senado para o confronto político. O que é que isso significará? Nada, absolutamente nada do ponto de vista da história”, afirmou.

O presidente do Senado não esclareceu o que a senadora disse para tirá-lo do sério, mas afirmou que “muita gente” ficou incomodada com o fato de ele chegar ao fim de um processo “desgastante como esse” sem dizer se e como vai votar.

“Eu tinha descido para fazer um apelo ao bom senso, para que facilitássemos a missão do presidente do Supremo Tribunal Federal [ministro Ricardo Lewandowski] . E o Senado poderia se esforçar, eu defendi, para desfazer essa imagem de que aqui as pessoas vivem se agredindo, se criticando. Quando concluí a intervenção, eu agradeci, pedi desculpas novamente e encerrei. E fui provocado. Apesar de exercitar todos os dias a tolerância, a temperança, é difícil escapar, às vezes, da provocação”, acrescentou.

Apesar do tom de arrependimento, no fim da entrevista, Renan falou em ingratidão. Mais cedo, em nota à imprensa, o senador tinha dito que ajudou Gleisi e o marido, o ex-ministro das Comunicações Paulo Bernardo, indiciados por corrupção passiva na Operação Lava Jato, junto ao Supremo Tribunal Federal (STF). “Talvez na hora de revermos o Código Penal devamos pensar em agravar a pena por ingratidão”, afirmou Renan.

A senadora, por sua vez, considerou o episódio “superado” com a nota divulgada por Renan, na qual ele ressalta que foi “institucional” a forma como interveio a favor dela no STF”. “Foi um momento de tensão e nervosismo em que a colocação do presidente Renan não ficou correta em relação aos fatos”, disse Gleisi. A senadora elogiou a condução do julgamento pelo ministro Ricardo Lewandowski, classificando-o de “muito experiente”. Para Gleisi, Lewandowski soube perceber a tensão do momento e agiu de maneira correta ao suspender temporariamente os trabalhos.

PT

A bancada do PT no Senado manifestou solidariedade à senadora Gleisi Hoffmann (PR). “Em nenhum momento, a senadora Gleisi solicitou ou foi beneficiada por qualquer vantagem oriunda da interferência de terceiros no Supremo Tribunal Federal (STF), seja porque jamais aceitaria isso, seja porque aquela Corte não é suscetível a expedientes dessa natureza. As intervenções do Senado Federal protocoladas no STF – quais sejam, as reclamações nº 23.585 e nº 24.473, das quais a senadora Gleisi é parte – foram institucionais e em defesa das prerrogativas constitucionais de todos os membros desta Casa”, diz a nota.

Em nota, Renan diz ter interferido por Gleisi e Paulo Bernardo no STF

Após se envolver em um bate-boca que começou com a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) e terminou com um empurrão no senador Lindberg Farias (PT-RJ), o presidente do Senado Federal, Renan Calheiros (PMDB-AL), divulgou nota em que esclarece as declarações feitas na manhã de hoje (26), durante a sessão de julgamento da presidenta afastada Dilma Rousseff.

Na única manifestação desde que o julgamento foi aberto, Renan criticou fala da senadora petista na tarde de ontem. Segundo Gleisi, o Senado não tem condições morais de julgar a presidenta afastada. Renan endureceu o tom ao dizer que ajudou Gleisi e o marido, o ex-ministro das Comunicações Paulo Bernardo, indiciados por corrupção passiva na Operação Lava Jato, junto ao Supremo Tribunal Federal (STF).

“Como uma senadora pode fazer uma declaração dessa? Exatamente, senhor presidente, uma senadora que, há 30 dias, o presidente do Senado Federal conseguiu, no Supremo Tribunal Federal, desfazer o seu indiciamento e do seu esposo”, indagou Renan dirigindo-se ao ministro Ricardo Lewandowski, presidente da Suprema Corte, que comanda o julgamento do processo de impeachment de Dilma.

À época da prisão de Paulo o Bernardo, no fim de junho, Renan determinou que Advocacia-Geral do Senado ingressasse no STF com uma manifestação pública e institucional decorrente da operação de busca e apreensão realizada no imóvel funcional ocupado por Gleisi e do indiciamento da senadora pela Polícia Federal.

Na nota divulgada hoje, Renan destaca que “a Reclamação 24.473 versa sobre a preservação da imunidade parlamentar na operação de busca de apreensão em imóvel do Senado Federal da senadora”. Na Reclamação 23.585, que trata do indiciamento da senadora pelo delegado da Polícia Federal, o Senado Federal tentou desfazer o indiciamento”, acrescenta a nota.

No texto, Renan lembra que o relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, ministro Teori Zavascki, respondeu que a “reclamante acabou denunciada pela suposta prática dos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro” no Inquérito 3.979.

“Como se constata, as intervenções do Senado Federal são impessoais, transparentes e ditadas pelo dever funcional no intuito de defender a Instituição e as prerrogativas do mandato parlamentar”, afirma a nota de Renan, que lamentou o que chamou de provocações.

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