“Brasil vive crise democrática profunda”, avalia imprensa alemã

Presidente Dilma Vana Rousseff é vítima de uma conspiração cuja finalidade é tomar o poder da República e entregá-lo aos conservadores vinculados ao Golpe Civil/Militar de 1964.

Presidente Dilma Vana Rousseff é vítima de uma conspiração cuja finalidade é tomar o poder da República e entregá-lo aos conservadores vinculados ao Golpe Civil/Militar de 1964.

Ato da Jornada Nacional de Mobilização Contra o Golpe e em Defesa da Democracia, organizada pela Frente Brasil Popular, na Avenida Paulista.

Ato da Jornada Nacional de Mobilização Contra o Golpe e em Defesa da Democracia, organizada pela Frente Brasil Popular, na Avenida Paulista.

Presidente Dilma Rousseff apresenta defesa do processo de impeachment no plenário do Senado Federal, no dia 29 de agosto de 2016.

Presidente Dilma Rousseff apresenta defesa do processo de impeachment no plenário do Senado Federal, no dia 29 de agosto de 2016.

Jornais e sites da Alemanha dão como certa a destituição definitiva de Dilma, mas questionam se manobras orçamentárias são suficientes para o impeachment: “A democracia será posta à prova com a mudança no poder.”

A imprensa da Alemanha destaca, nesta terça-feira (30/08/2016), o drama político envolvendo a última etapa do processo de impeachment contra Dilma Rousseff. Em geral, as matérias dão como certa a destituição definitiva do cargo, mas questionam se as manobras orçamentárias são suficientes para sacramentar o impeachment.

Os jornais destacam também a luta quase solitária pela sobrevivência política de Dilma e que o ex-presidente Fernando Collor de Mello, que renunciou em 1992 antes do desfecho total do processo, agora faz parte dos senadores que sentenciarão a petista.

Süddeutsche Zeitung: O drama de Dilma Rousseff próximo do fim

“No Brasil, país que antes viveu o milagre econômico, a presidente Dilma Rousseff está prestes a ser destituída definitivamente do cargo. Mas como a situação pôde chegar a este ponto? Uma tragédia em oito atos.”

Em seu site, o diário alemão reserva três páginas a Dilma e a seu percurso como chefe de Estado. Separado em oito retrancas, o texto descreve a posse repleta de otimismo em 2011, as passeatas, as intrigas envolvendo o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha, a tentativa frustrada de trazer seu mentor Luiz Inácio Lula da Silva de volta ao governo, as gravações de Michel Temer ensaiando discurso de posse, a juramentação do presidente interino, protestos na véspera da abertura dos Jogos Olímpicos e, por fim, o julgamento final no Senado.

“Nestes dias do fim de agosto, o Senado brasileiro não é mais um Senado, mas um tribunal. Os parlamentares se reúnem e expressam suas alegações contra Dilma Rousseff. O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, preside a sessão. As manobras orçamentárias, pelas quais Dilma Rousseff tem sido acusada, foram parcialmente admitidas pela presidente. Mas isso normalmente não seria suficiente para um impeachment.

Na segunda-feira, ela esteve no Senado para se defender. Mas as chances não são boas – a maioria dos senadores faz oposição à presidente. Há muitas indicações de que Temer será o novo presidente do Brasil – e, finalmente, chegará à sua meta.”

Der Spiegel: A última luta de Dilma

“Dilma Rousseff está vivenciando provavelmente suas últimas horas como presidente do Brasil: tudo indica que ela será destituída do cargo. É o culminar de uma luta pelo poder sem precedentes.

Oficialmente, Dilma deve ser destituída da presidência por causa de manobras orçamentárias. Presidentes antes dela fizeram o mesmo, embora não em tão grande escala. O paradoxo é que muitos que impelem o impeachment de Dilma Rousseff estão afundados em escândalos. Dilma não enriqueceu no escândalo da Petrobras – provavelmente uma das poucas pessoas. Mas pode alguém que foi presidente do Conselho Administrativo da Petrobras realmente não ter sabido de nada?

Dilma perdeu gradualmente o apoio da classe política. Ele decepcionou seus eleitores com falsas promessas e não tem mais o apoio da população. Mesmo senadores que argumentam que as acusações de manobras orçamentárias são errôneas não acreditam que Dilma pode resolver a crise econômica. Muitos confiam mais em Temer, que planeja reformas.

De acordo com uma pesquisa, 62% dos brasileiros querem novas eleições. Mas a classe política não está interessada. Temer quer permanecer no cargo até 2018. Ele já distribuiu convites para a viagem à cúpula do G-20 na China. A partida está marcada para quarta-feira.”

Die Zeit: Lutar até o fim

“Começou no Brasil o último ato do rito de impeachment da presidente Dilma Rousseff: com um discurso dramático da acusada perante o Senado.

O discurso de defesa é a conclusão de um drama político que abalou o Brasil por meses. O país mergulhou numa crise profunda de democracia que não acabará com a esperada destituição de Dilma. Ela sabe que deixará o cargo; que não tem nenhuma chance de trazer qualquer um no Senado para seu lado – a maioria necessária de senadores já se pronunciou contra ela.

O discurso de Dilma, portanto, não foi estabelecido para convencer seus juízes no Congresso. Ela discursou para seus seguidores que estavam em frente aos televisores no país: ela falou sobre seu papel de vítima no período da ditadura, de sua luta pelos economicamente desfavorecidos, pelas minorias. Assim, também foi um discurso para a história. O problema de Dilma é que esta história pode ser colocada de formas completamente diferentes – dependendo de quem é indagado no país.”

Der Tagesspiegel: Maioria contra Dilma Rousseff quase certa

“São necessários 54 de 81 senadores. Cerca de 50 parlamentares já sinalizaram claramente o seu consentimento; uns 20 votarão contra o impeachment. Na história brasileira já ocorreu um processo semelhante. Assim como Dilma, Fernando Collor de Mello foi afastado da presidência da República em 1992.

Ele foi acusado de corrupção; já o caso de Dilma Rousseff envolve manobras orçamentárias para maquiar as contas do Estado. Em 1992, Collor renunciou pouco tempo antes da votação no Senado. Agora o ex-presidente é senador e também votará no rito de impeachment contra a presidente petista.”

Der Stern: Como se pôde chegar a este ponto no Brasil?

“O Brasil enfrenta o histórico impeachment de sua presidente Dilma Rousseff. A democracia será posta à prova com a mudança no poder. E o país sofre com a ameaça de sua mais profunda recessão desde a década de 1930.

Dilma Rousseff goza de pouco apoio popular. Já em seu primeiro mandato houve protestos em massa. Uma Copa do Mundo cara, a economia estagnada e as duras condições de vida levaram o povo às ruas contra a presidente.

Somado a isso veio um enorme escândalo de corrupção envolvendo a Petrobras. Dilma chefiou o Conselho Administrativo da estatal petrolífera entre 2003 e 2010. Aparentemente, ela não esteve diretamente envolvida nas propinas. Mas o escândalo a arranhou politicamente.

Caso Dilma seja destituída, será o primeiro presidente do país que deixará o cargo desta forma. Em 1992, Fernando Collor de Mello renunciou antes da votação final – algo que Dilma sempre negou categoricamente a fazer.”

*Com informações do DW.

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