Acusadora da presidente Rousseff, Janaína Paschoal apresenta excessiva retórica vazia, pouca consistência jurídica e patético apelo a Deus e a família

A advogada de acusação, Janaína Paschoal, fala durante o quinto dia do julgamento final do processo de impeachment da presidenta afastada Dilma Rousseff, no Senado Federal.

A advogada de acusação, Janaína Paschoal, fala durante o quinto dia do julgamento final do processo de impeachment da presidenta afastada Dilma Rousseff, no Senado Federal.

A jurista Janaína Paschoal é agraciada com buquê de flores. A senadora Marta Suplicy (PMDB-SP) oferece uma rosa branca ao jurista Miguel Reale Júnior. Uma cena patética, em que aspectos da traição política se misturam com ressentimento pessoal e inveja.

A jurista Janaína Paschoal é agraciada com buquê de flores. A senadora Marta Suplicy (PMDB-SP) oferece uma rosa branca ao jurista Miguel Reale Júnior. Uma cena patética, em que aspectos da traição política se misturam com ressentimento pessoal e inveja.

Primeira a fazer suas considerações finais neste quinto dia de julgamento da presidenta afastada Dilma Rousseff, a advogada de acusação Janaína Paschoal afirmou nesta terça-feira (30/08/2016) que, como mulher, sofreu “mais que ninguém” por ter solicitado o afastamento de Dilma, pelo fato de ser a primeira mulher na Presidência da República. “Ninguém pode ser perseguido por ser mulher. No entanto, ninguém pode ser protegido por ser mulher. Fosse um homem, eu pediria o impedimento. Não seria justo que eu assim não procedesse pelo fato de ser mulher”, afirmou

A advogada disse que foi Deus quem fez com que juristas e outros segmentos do país percebessem o momento que o Brasil atravessava. “Foi Deus que fez com que várias pessoas, ao mesmo tempo, cada uma com sua competência, percebessem o que estava acontecendo ao nosso país e conferissem a coragem para se levantarem e fazerem alguma coisa a respeito”, completou.

Para Janaína Paschoal ,“diferentemente” do que foi dito pela petista e por senadores aliados a ela “este processo é do povo”. A advogada adotou tom forte para falar aos senadores. “É necessário que o mundo saiba que não estamos tratando aqui só de questões contábeis”, afirmou.Na fala inicial, acusação e defesa terão uma hora e trinta minutos cada para se manifestar. No caso da defesa esse tempo será dividido entre Janaína e o jurista, Miguel Reale Júnior. Os dois, junto com o advogado Hélio Bicudo de 94 anos, que não está presente a sessão por problemas de saúde, são autores da denúncia que motivou o processo de imepedimento contra Dilma.

Durante sua fala, Janaína Paschoal disse que a tese do golpe usada por aliados a Dilma é derrugada pelos argumentos dos decretos editados pela presidenta, sem autorização do Congresso Nacional. “Nós, o povo brasileiro, fomos vítimas de uma fraude, fomos enganados”, afirmou.

A advogada chamou a atenção dos parlamentares para a responsabilidade de julgar o processo e disse que a apresentação do pedido ao Congresso Nacional é um sinal da renovação de sua confiança no Parlamento. “O processo de impeachment é triste, não é fácil solicitar o afastamento de um presidente da República. Um processo de impeachment é triste. No entanto, tem um lado muito positivo, pois o impeachment é um remédio constitucional que precisamos recorrer quando a situação é grave. Pior do que os traumas de um processo como este é fingir que nada está acontecendo. Espero que não precisemos jamais voltar a lançar mão dele. Mas, se necessário, faremos”, disse.

Janaína reforçou ainda pontos que estavam na peça original, acatada pela Câmara dos Deputados no ano passado, e disse que os argumentos da acusação não mudaram ao longo do processo.  “Mas a denúncia foi alterada. A que oferecemos tinha três pilares: a omissão da presidente diante do escândalo do petrolão, as pedaladas fiscais e os decretos editados em desconformidade com a meta de superávit primário vigente. Nossa denuncia tinha três pilares e alcançava fatos entre 2013 e 2015”, afirmou.

Vingança

A advogada rechaçou as declarações de Dilma que, durante a sessão de ontem, afirmou que o processo de impeachment, por vingança, tem o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), como protagonista e o presidente interino Michel Temer como coadjuvante.

Janaína Paschoal termina fala emocionada e diz que é “defensora do Brasil”, rízivel

Após a advogada de acusação Janaína Paschoal terminar sua fala, um princípio de tumulto começou no plenário. O senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) reclamou no microfone que o deputado federal José Guimarães (PT-CE) chamou a advogada de “golpista”.

“Golpistas foram aqueles que saquearam a Petrobras, golpistas são aqueles que fraudaram a contabilidade pública”, afirmou Nunes aos gritos. O tucano pediu que o ministro Ricardo Lewandowski, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), chamasse a Polícia do Senado para retirar o deputado petista do plenário do Senado, caso o comportamento se repetisse. “Eu não tenho medo de você, nem de vocês”, completou Nunes.

Acompanhe a transmissão ao vivo do julgamento final do processo de impeachmentDiante do tumulto, o presidente do STF pediu para os parlamentares “manterem o nível civilizado” e supendeu a sessão por cinco minutos para que a ordem fosse reestabelecida.

Pouco antes de finalizar sua fala inicial que foi dividida com o jurista Miguel Reale Júnior, a advogada Janaína Paschoal pediu desculpas a Dilma por saber que a situação que ela vive não é fácil, porque “eu lhe causei sofrimento”. “Peço que ela um dia entenda que eu fiz isso pensando também nos netos dela”, disse Janaína, com lágrimas nos olhos.

Outros momentos

A jurista destacou que se coloca no processo do impeachment “como uma defensora do Brasil’. “Entrei nesta história sem ser chamada porque entendi que precisava fazer alguma coisa por nosso país”. Após o fim do processo, ela afirma querer voltar “ao anonimato, à tranquilidade”.

Em determinado momento, Janaína Paschoal usou tom duro classificar ações do governo Dilma de “estelionato eleitoral”. Ela afirmou que a falta de cortes de gastos em 2014 prejudicou o país e levou à crise econômica.

A advogada também disse que petistas são mentirosos. “Eles [petistas] mentem tão bem. Eles são tão competentes no marketing que a gente acredita. Até pessoas do meu lado acreditaram que a perícia não foi favorável a nós”, disse ao lembrar que os defensores do mandato de Dilma disseram que o laudo pericial, feito por consultores do Senado, era favorável à presidente afastada.

“Tudo isso foi muito bom para o povo ver como é o modo PT de ser. É a enganação. É o PT que não pede desculpas, nega os fatos, nega a realidade”, disse.

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