Um baiano de quatro estrelas | Por Luiz Holanda

Vereador Edvaldo Brito concede título de Cidadão ao general Artur Costa Moura.

Vereador Edvaldo Brito concede título de Cidadão ao general Artur Costa Moura.

Desembargador Nilson Castelo Branco, Desembargador Baltazar Miranda Saraiva e o comandante da 6ª Região Militar, General de Brigada Artur Costa Moura, durante entrega da Medalha do Mérito Judiciário do TJBA ao Desembargador Baltazar Miranda Saraiva.

Desembargador Nilson Castelo Branco, Desembargador Baltazar Miranda Saraiva e o comandante da 6ª Região Militar, General de Brigada Artur Costa Moura, durante entrega da Medalha do Mérito Judiciário do TJBA ao Desembargador Baltazar Miranda Saraiva.

Entre a caatinga e a Zona da Mata, a 365 Km de Salvador, fica a cidade de Jequié, cercada de montanhas, calma e caliente, como todos os seus habitantes. Seu nome é indígena, deriva do Tupi, “Jequi”. Daí a variação para Jequié.

Pertencente a Maracás entre 1860 a 1897, era conhecida como a sesmaria do capitão-mor João Gonçalves da Costa, que sediava a fazenda Borda da Mata, vendida a um refugiado da Inconfidência Mineira, José de Sá Bittencourt. Depois da sua morte foi dividida em lotes, entre seus herdeiros. Um desses lotes passou a ser chamado de Jequié, que se tornou famoso pelo seu comércio.

Jequié ganhou sua emancipação em 1897, tendo como primeiro intendente (o prefeito, da época) Urbano Gondim. Em 1910 tornou-se cidade, para, um ano depois (ainda que só no papel) se transformar na capital da Bahia. É que o então Presidente da Assembleia Legislativa do Estado, Aurélio Rodrigues Viana, decretou a mudança da capital do estado, de Salvador para Jequié.

Esse gesto provocou uma violenta reação do governo federal, que bombardeou Salvador e forçou a renúncia do infeliz político. Embora jamais tenha sido, de fato, capital da Bahia, o acontecimento sempre encheu de orgulho o jequieense

Nessa cidade, envolta de história e tradições, nasceu o general Artur Costa Moura, atual comandante da 6ª Região Militar. Aspirante a oficial em 1978, veio servir no 19ª Batalhão de Caçadores de Pirajá, o famoso 19BC. Depois foi fazer o Curso de Operações na Selva, no Centro de Instruções de Guerra na Selva (CIGS), em Manaus.

Bacharel em Ciências Militares pela Academia Militar das Agulhas Negras, fez outros cursos de aperfeiçoamento e aprimoramento militar, até ser pós-graduado em Assessoramento Parlamentar e Relações Executivo-Legislativo pela Universidade de Brasília.

Por seus relevantes serviços à frente da 6ª Região Militar, foi recepcionado pelos baianos e pelos sergipanos com homenagens que o dignificam, tanto com a Medalha Thomé de Souza, oferecida pela Câmara Municipal de Salvador, como com o título de cidadão sergipano, outorgado pela Assembleia Legislativa daquele Estado. Na ocasião da comemoração, em Aracaju, o general lembrou seu avô, que tinha fazenda em Estância, bem como suas raízes sergipanas, vindas da esposa, de tradicional família do Estado.

Esse ilustre baiano integra uma corporação que tem como objetivo, além da defesa da nossa pátria, desenvolver estruturas, tecnologias e cérebros para estar à altura de sua missão. Inúmeros desses cérebros contribuíram com o desenvolvimento nacional em todas as áreas, inclusive na política. Muitos dos seus generais foram presidentes do Brasil, e todos passaram para a História como um exemplo de capacidade e honradez.

O general Artur Costa Moura integra essa elite militar que dignifica nosso país em todos os setores, abrangendo um complexo de conhecimentos geográficos, históricos, políticos, militares, econômicos, jurídicos e outros.  Esse grande baiano deverá ser, muito em breve, um general de quatro estrelas.

A nova patente do general Artur será de “general de exército”, o mais alto posto do Exército Brasileiro em tempo de paz. Daí a sua denominação como general de quatro estrelas. Com essa patente terá que nos deixar para comandar um exército maior. Tudo indica que irá, já no início de agosto, comandar o CMNE- Comando Militar do Nordeste, que este ano completou setenta anos.

Atualmente, quatro Grandes Comandos subordinam-se ao CMNE: 6ª Região Militar (com jurisdição no Estado da Bahia e Sergipe, com sede em Salvador), 7ª Região Militar (com jurisdição nos Estados de Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte, com sede em Recife), 10ª Região Militar (com jurisdição nos estados do Ceará, Piauí e Maranhão, com sede em Fortaleza) e o 1º Grupamento de Engenharia, com sede em João Pessoa.

A nova sede do general Artur Costa Moura será o Quartel General do Curado, em Recife, berço do Exército Brasileiro, onde suas quatro estrelas brilharão, com toda intensidade, nos céus do Brasil.

*Luiz Holanda é advogado e professor universitário.

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Sobre o autor

Luiz Holanda
Luiz Holanda é advogado e professor universitário, possui especialização em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas (SP); Comércio Exterior pela Faculdades Metropolitanas Unidas de São Paulo; Direito Comercial pela Universidade Católica de São Paulo; Comunicações Verbais pelo Instituto Melantonio de São Paulo; é professor de Direito Constitucional, Ciências Políticas, Direitos Humanos e Ética na Faculdade de Direito da UCSAL na Bahia; e é Conselheiro do Tribunal de Ética e Disciplina da OAB/BA. Atuou como advogado dos Banco Safra E Econômico, presidiu a Transur, foi diretor comercial da Limpurb, superintendente da LBA na Bahia, superintendente parlamentar da Assembleia Legislativa da Bahia, e diretor administrativo da Sudic Bahia.