Rodrigo Maia é eleito presidente da Câmara dos Deputados; partido conservador reassume poder

Rodrigo Maia (DEM-RJ) foi eleito com 285 votos presidente da Câmara dos Deputados.

Rodrigo Maia (DEM-RJ) foi eleito com 285 votos presidente da Câmara dos Deputados.

Rodrigo Maia: prometeu fazer uma gestão de diálogo da maioria com a minoria.

Rodrigo Maia: prometeu fazer uma gestão de diálogo da maioria com a minoria.

Rodrigo Maia (DEM-RJ) foi eleito com 285 votos presidente da Câmara dos Deputados para o mandato “tampão” até fevereiro do ano que vem. O deputado Rogério Rosso (PSD-DF) recebeu  170 votos. Maia assume na noite de hoje a presidência da casa após a renúncia do ex-presidente Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Caso o Senado confirme o afastamento definitivo da presidenta Dilma Rousseff, o deputado fluminense passa a ser o segundo na linha sucessória do país. Em seu quinto mandato, Maia é filho do ex-prefeito do Rio de Janeiro César Maia, já presidiu o Democratas e foi duas vezes líder do partido.

O Democratas (DEM) volta a ocupar o comando da Câmara dos Deputados após 13 anos. Partido tem histórico conservador e é oriundo das forças reacionárias que deram sustentação ao Golpe Civil/Militar de 1964.

Governar com simplicidade

Maia disse que vai governar com simplicidade para pacificar o plenário. “Cheguei aqui muito novo, ter oportunidade de estar presidindo os trabalhos, sendo um dos 513 deputados que, junto comigo, comandarão a Casa. Vamos a partir de amanhã governar com simplicidade”, disse.

O novo presidente prometeu fazer uma gestão de diálogo da maioria com a minoria. “Temos muito trabalho a fazer, pacificar esse plenário, dialogar, maioria com minoria, temos uma maioria do governo que é importante para o Brasil, mas temos uma pauta da sociedade que vem através de cada um de nós que precisa ser debatida, discutida e votada. Porque não só apenas do governo que vem as boas ideias, de cada um dos nossos mandatos e de cada um dos nossos eleitores que vivem o dia a dia saem boas ideias”, disse.

Após a divulgação do resultado, alguns deputados chegaram a gritar “Fora, Cunha!” em referência ao fato de Rosso ser apoiado pelo deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Maia agradeceu a Rosso, candidato derrotado, e disse que a disputa foi “limpa”. “Foi uma disputa limpa, na política e é assim que tem que ser”, disse.

Após o resultado, Rosso disse que o parlamento ganha com a vitória de Maia. “Acho que a grande tarefa dele será unir a Casa, todos os deputados”, disse.

Apoios

Logo após tomar posse na presidência da Câmara, Rodrigo Maia disse que sua vitória só foi possível graças ao apoio dos partidos de oposição ao governo do presidente interino, Michel Temer. “Sem a esquerda não venceria. O resultado da votação provou que é possível construir um novo momento. Tivemos votos da base e da oposição”.

Em troca do apoio recebido dos partidos de oposição a Temer, Maia disse que vai garantir o direito das minorias. Ele, no entanto, afirmou que os partidos que o apoiaram no segundo turno da disputa contra Rogério Rosso (PSD-DF) não apresentaram sugestões de pauta a serem analisadas como prioritárias.

Prioridades

Perguntado sobre a pauta de votações, Maia disse que as prioridades são a proposta de emenda Constituição (PEC) do teto de gastos públicos, o alongamento da dívida dos estados com a União, a PEC dos Precatórios, o projeto que muda as regras de exploração da camada do pré-sal e a reforma da Previdência, que ainda está em discussão entre o Palácio do Planalto e centrais sindicais.

Alinhado com o discurso do presidente interino, Michel Temer, Rodrigo Maia disse que a Câmara terá que debater e votar pautas consideradas impopulares. “Os deputados são eleitos não apenas para aumentar despesas e serem aplaudidos. Estamos aqui também para votar aquilo que seja impopular”, disse. “Pode ser impopular agora, mas temos que olhar para frente”.

Rodrigo Maia também reconheceu a necessidade de o Parlamento ter “coragem” para aprovar uma reforma política. “Temos que ter um grande debate nessa Casa porque o sistema político que está ai ruiu. De forma consensuada e conjunta, teremos que debater a reforma política e enfrentar esse modelo falido”.

Minorias

O novo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse em discursos anteriores à eleição que pretende resgatar o protagonismo da Câmara nas grandes decisões do País.

“É política com P maiúsculo que queremos regatar, política onde as grandes ideias e os grandes projetos saiam dessa Casa”, disse Maia.

Ele defendeu o direito de cada deputado de exercer sua responsabilidade e criticou o que chamou de “império dos líderes”. “Se eu sentar naquela cadeira, eu serei um dos 513 e nós vamos governar esta Casa juntos, vamos devolver ao Plenário sua soberania, porque hoje poucos decidem pela gente”, prometeu anteriormente ao pleito.

Maia também comentou a importância do diálogo, sobretudo com a oposição, da qual também obteve muitos votos segundo os apoios declarados. “Fui muito criticado porque dialogava com a esquerda. Esta Casa precisa de diálogo. Esse Plenário tem 513 deputados eleitos e nenhum pode ser excluído. Quem quer calar a oposição, não quer democracia. Queremos uma oposição forte, que nos ajude a enxergar nossos erros”, declarou.

Perfil

Rodrigo Maia foi eleito em 2014 para o seu quinto mandato na Câmara dos Deputados. Ele já foi líder da bancada do DEM na Câmara por dois anos. Em 2015, foi presidente e relator da proposta de reforma política. Ele é presidente da Comissão Especial da DRU.

Maia nasceu no Chile em 12 de junho de 1970 e, aos três anos, se mudou com a família, o pai Cesar Maia, a mãe Mariângeles e a irmã, Daniela Maia, para o Rio de Janeiro.

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