Presidente turco pede que EUA extraditem acusado de liderar tentativa de golpe; 2.745 juízes são afastados e 265 cidadãos morrem em confrontos

Recep Tayyip Erdogan, presidente da Turquia.

Recep Tayyip Erdogan, presidente da Turquia.

O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, pediu neste sábado (16/07/2016) a extradição do clérigo muçulmano Fethullah Gülen, acusado de estar por trás da tentativa de golpe militar de ontem (15). O imã vive em exílio voluntário na Pensilvânia, nos Estados Unidos.

Fethullah Gülen lidera o movimento que leva seu nome Gülen (ou Hizmet) e que se diz laico, mas prega uma versão moderada do islamismo. Segundo Erdogan, membros do Hizmet estão infiltrados em todos os aparatos do Estado.

O clérigo apoiou o presidente até 2013, mas a aliança foi rompida após o governo ter fechado diversas escolas gülenistas na Turquia. Gülen, que vive em exílio voluntário nos Estados Unidos, nega “categoricamente” qualquer participação no golpe.

Prisões

O comandante do Exército turco Adem Huduti foi detido por suspeita de envolvimento na tentativa de golpe militar, informou a imprensa local neste sábado. Mais cedo, autoridades turcas prenderam o suposto líder do golpe, general Akin Ozturk, ex-comandante da Força Aérea turca, informou o jornal Sabah.

Por cerca de um ano, Ozturk, que pode estar ligado a Fethullah Gülen, vem sendo considerado suspeito de tentar organizar um golpe militar. Ele foi comandante da Força Aérea turca entre 2013 e  2015.

O juiz da Corte Constitucional da Turquia Alparslan Altan também foi preso sob a acusação de apoiar o imã Fethullah Gülen.

Algumas horas depois da tentativa de golpe de Estado na Turquia, o órgão de controle de magistrados e procuradores removeu do cargo 2.745 juízes de todo o país.

Segundo a agência estatal de notícias Anadolu, a decisão tem como objetivo adotar medidas disciplinares contra os suspeitos de ligação com o clérigo muçulmano Fethullah Gülen.

Turquia afasta 2.745 juízes em todo país, após tentativa de golpe

Apoiadores do presidente turco Recep Erdogan vão às ruas de Istambul com bandeiras do país, para comemorar a derrota de uma tentativa de golpe militar no país

Apoiadores do presidente turco Recep Erdogan vão às ruas de Istambul com bandeiras do país, para comemorar a derrota de uma tentativa de golpe militarTolga Bozoglu/EPA/Agência Lusa

Algumas horas depois da tentativa fracassada de golpe de Estado na Turquia, o órgão de controle de magistrados e procuradores removeu do cargo 2.745 juízes de todo o país.

Segundo a agência estatal de notícias Anadolu, a decisão tem como objetivo adotar medidas disciplinares contra os suspeitos de ligação com o clérigo muçulmano Fethullah Gülen, acusado pelo presidente Recep Tayyip Erdogan de estar por trás da revolta da última sexta-feira (15).

Fethullah Gülen lidera o movimento que leva seu nome Gülen (ou Hizmet) e que se diz laico, mas prega uma versão moderada do Islamismo. Segundo Erdogan, membros do Hizmet estão infiltrados em todos os aparatos do Estado.

O clérigo apoiou o presidente até 2013, mas a aliança foi rompida após o governo ter fechado diversas escolas gülenistas na Turquia. Gülen, que vive em exílio voluntário nos Estados Unidos, nega “categoricamente” qualquer participação no golpe.

“Condeno nos termos mais fortes a tentativa de golpe de Estado militar na Turquia. O governo deve ser conquistado por meio de um processo de eleições livres e justas, não pela força”, declarou o Fethullah Gülen em um comunicado.

As autoridades turcas prenderam pelo menos 10 juízes da Suprema Corte da Justiça administrativa, também por suspeita de ligação com Gülen. Há temores de que a tentativa de golpe no país sirva como combustível para Erdogan acelerar seu processo de concentração de poder e de repressão a adversários. Seu grande objetivo é transformar a Turquia em uma república presidencialista – hoje ela é parlamentarista.

A revolta terminou com mais de 2,8 mil militares presos e pelo menos 265 mortos, sendo 104 pessoas descritas como “golpistas” e 161 pessoas que estavam entre a multidão de civis e policiais contrários ao golpe, que foram às ruas defender a permanência do presidente turco Tayyip Erdogan.

Alguns homens detidos disseram em interrogatório que acreditavam estar participando de um “exercício”, e não de um golpe. Eles afirmaram que só entenderam do que se tratava quando viram cidadãos tentando subir em tanques de guerra.

Segundo o primeiro-ministro Binali Yildirim, o governo estuda até mudar a legislação para introduzir a pena de morte no país. “Discutiremos com outros líderes dos partidos quais medidas devemos adotar para evitar tentativas [de golpe] no futuro”, afirmou.

Tentativa de golpe deixa 265 mortos na Turquia; situação está sob controle

Pelo menos 265 pessoas morreram em consequência do caos e da revolta popular que tomou conta da Turquia por causa de uma tentativa de golpe de Estado realizada ontem (15) por uma facção rebelde das Forças Armadas.

Para tentar concretizar o golpe, as forças militares rebeldes – representados em sua maioria por contingentes da Força Aérea – chegaram a realizar movimentos com tanques, aviões de combate e helicópteros. Eles assumiram a TV estatal, impuseram a lei marcial e um toque de recolher, atacaram a sede do órgão de inteligência turco e atiraram no prédio do Parlamento do país e em um resort na cidade portuária de Marmaris.

Do total de mortos, pelo menos 100 estão entre os rebeldes, segundo informou o chefe das Forças Armadas, general Umit Dundar. Há pelo menos 1.440 feridos.

Segundo o general Dundar, 161 pessoas mortas fazem parte da multidão de civis e policiais contrários ao golpe, que foram às ruas defender a permanência do presidente turco Tayyip Erdogan.

Os civis e parte da forças policiais e militares foram mortos pelos rebeldes porque decidiram obedecer ao apelo do presidente Erdogan de resistir ao golpe.

O primeiro-ministro turco Benali Yildirim declarou hoje (16) que a situação está “totalmente sob controle”. Segundo ele, mais de 2,8 mil integrantes das Forças Armadas foram presos em razão do golpe.

Foi “uma mancha escura para a democracia turca”, acrescentou Hildirim.

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