Presidente interino Michel Temer diz que escolha de Castro mostra que governo não vai interferir na Câmara

Marcelo Costa e Castro pontua como favorito para presidente da Câmara Federal.

Marcelo Costa e Castro pontua como favorito para presidente da Câmara Federal.

O presidente interino Michel Temer disse na terça-feira (12/07/2016) que a escolha do deputado Marcelo Castro (PI) como candidato único do PMDB na eleição à presidência da Câmara dos Deputados é uma demonstração de que não vai se envolver na disputa.

“É uma demonstração de que nós não entramos na questão da Câmara”, afirmou Temer, após ser perguntado se iria apoiar a candidatura de Castro. Temer deu a declaração depois de um almoço com representantes da Frente Parlamentar da Agropecuária.

Depois de mais de uma hora de reunião a portas fechadas, o PMDB escolheu o deputado e ex-ministro da Saúde do governo de Dilma Rousseff, Marcelo Castro, para ser o candidato único do partido na eleição à presidência da Câmara.

Antes do almoço com a Frente Parlamentar, o ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, afirmou que a indicação do PMDB é “demonstração inequívoca de que o governo não está se envolvendo no processo” de eleição na Casa.“O processo está em andamento. Minha expectativa continua sendo a de que possamos ter ao fim um número menor de candidatos. Se não, todos disputam e no segundo turno vamos ver quem é o presidente da Câmara”, acrescentou Geddel, responsável pela articulação política do Palácio do Planalto com o Congresso.

“Preferíamos e se pudéssemos influir era para que houvesse um entendimento global na base. Se não há, qualquer movimento nosso pode ser interpretado como preferência por A ou B e aí sim causar racha”, destacou o ministro.

Mais cedo, o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, informou que “o governo trabalha com a ideia da base ter um candidato único” para a presidência da Câmara dos Deputados.

“Estamos trabalhando para que se tenha um só candidato. É possível construir [candidatura única]. Não tem por que criarmos a possibilidade de ter qualquer arranhão na base. Temos o projeto de um novo Brasil e esse novo Brasil passa por a gente ter condições de ter na Câmara a base que temos hoje. Não podemos correr riscos”, concluiu Padilha.

Terras indígenas

Durante discurso para deputados e senadores da Frente Parlamentar da Agropecuária, Temer informou que seu governo vai tentar solucionar o problema da demarcação das terras indígenas. “Quando digo isso não é para agredir a nação indígena. Ao contrário. É, mais uma vez, para dar estabilidade social ao país, porque, quanto mais houver divergências nessa temática, maior a instabilidade social”.

O presidente interino também disse que o governo está atento à questão do licenciamento ambiental que muitas vezes dificulta o agronegócio. Segundo Temer, o ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, está elaborando normas que serão discutidas com a Frente Parlamentar da Agropecuária e com o ministro da Agricultura, Blairo Maggi.

“O valor constitucional do meio ambiente precisa ser compatibilizado com a prosperidade da agricultura e do agronegócio”, concluiu Temer.

Ministro da Casa Civil diz que “há muito jogo” até eleição da Câmara

O ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, disse que ainda há “muito jogo” até a eleição para a presidência da Câmara dos Deputados, marcada para hoje (13/07/2016) à tarde. Padilha voltou a dizer que o governo não vai interferir nas decisões sobre os candidatos à sucessão do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), mas admitiu que o Planalto trabalha para que haja apenas um nome da base aliada.

Segundo Padilha, que disse não estar participando das negociações, não há “constrangimento” da parte do presidente interino, Michel Temer, para que o deputado Marcelo Castro (PMDB-PI) seja o escolhido do partido para a disputa.

“Não vejo ainda candidato nenhum como candidato, porque eu não vi ainda a eleição. Vamos ver se vai ter candidaturas é no momento na eleição. Tem muito jogo, muito tempo pela frente” disse.

Sobre Marcelo Castro, ex-ministro da presidenta Dilma, ter votado contra o processo de impeachment, Padilha disse que o PMFB tem sido “compreensivo com algumas dissidências” e que isso não causa desconfortos. Mais cedo, o próprio Temer havia dito que a eventual escolha do ex-ministro como candidato da legenda é prova de que não há intervenção do Planalto.

Segundo Padilha, o importante é manter a maioria no Congresso para não correr o risco de as medidas de interesse do governo serem rejeitadas. “Não interferimos na decisão de quem seja [o candidato]. Mas nós queremos sim que tenha um candidato da base. Eu não [tenho feito conversas], mas o ministro Geddel [Vieira Lima, da Secretaria de Governo], tem conversado muito, há mais de uma semana, tentando fazer com que a gente chegue a uma candidatura única. Esse é um problema que tem que ser decidido pelo conjunto dos líderes lá”, disse.

José Carlos Aleluia aposta em Rodrigo Maia para presidência da Câmara

O deputado federal José Carlos Aleluia (DEM-BA) manifestou confiança no sucesso da candidatura do correligionário Rodrigo Maia à presidência da Câmara Federal nesta quarta-feira (13). O parlamentar carioca disputará o pleito com o apoio de, além do Democratas, PSDB, PPS e PSB, o que poderá significar de saída mais de 120 votos. “A expectativa é grande pelo bom desempenho de Rodrigo e sua ida para o segundo turno”, disse em entrevista à Rádio Metrópole, na manhã desta quarta-feira (13).

Aleluia, no entanto, observou que a Câmara vive hoje uma tempestade perfeita. “A eleição para a presidência é complicada. O grande número de candidatos é a evidência da crise, demonstrando que o parlamento está sem lideranças”. Para o parlamentar baiano, é preciso que a Casa volte à normalidade e o plenário volte a ser respeitado, com o conjunto dos deputados sendo ouvido.

“Não podemos dar continuidade ao que vinha sendo feito por Eduardo Cunha, que conduzia os trabalhos de forma monocrática com o apoio de seu grupo. Rodrigo Maia trará tranquilidade ao governo e contribuirá para a aprovação das reformas necessárias ao País. Ele é a esperança de restabelecimento do respeito ao plenário e à vontade popular representada pelos deputados”, assinalou Aleluia.

O deputado baiano, no entanto, não descartou a possibilidade de Eduardo Cunha conseguir evitar a cassação do mandato. “Há gente, ligada a Cunha, capaz de anular o processo de cassação dele no Conselho de Ética”, alertou. Por isso, Aleluia, é contra a eleição de Rogério Rosso para presidente da Casa. “Rosso preocupa pela ligação profunda que tem com Cunha e seu grupo, que tenta anular o processo de cassação”.

Para Aleluia, a candidatura do deputado Marcelo Castro foi um erro do PMDB. “Ele é apoiado pelo PT e foi ministro e contra o impeachment de Dilma. Uma eventual vitória de Castro, que tem apoio de parte de seu partido também, o PMDB, será um desastre para o governo de Michel Temer, muito ruim para o rumo do Brasil, que precisa de mudanças para a economia reagir e voltar a gerar empregos”.

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