Oposição diz que renúncia de Eduardo Cunha é manobra para evitar cassação; aliados negam

Deputado Eduardo Cunha responde a duas ações penais no STF. Em junho de 2016, Rodrigo Janot protocolou mais uma denúncia contra o deputado.

Deputado Eduardo Cunha responde a duas ações penais no STF. Em junho de 2016, Rodrigo Janot protocolou mais uma denúncia contra o deputado.

Após o anúncio da renúncia de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) à presidência da Câmara dos Deputados, alguns parlamentares avaliaram que o gesto seria uma manobra de Cunha para protelar o processo de cassação de seu mandato. A avaliação é que a renúncia foi uma manobra de Cunha para colocar um aliado no comando da Casa para possivelmente favorecê-lo. Aliados de Cunha negam.

Para o líder da Rede, Alessandro Molon (RJ), a eleição de um aliado poderia facilitar a vida de Cunha na votação da cassação em plenário. “É uma manobra com o objetivo de salvar o seu mandato [de Cunha]. Isso passa por tentar eleger alguém simpático para a presidencia para que possa de alguma forma beneficiar o seu processo quando chegar no plenário”, avaliou.

A Rede, ao lado do Psol, foi um dos partidos que assinou a representação contra Cunha no Conselho de Ética. Segundo Molon, o fato de Cunha já estar afastado do mandato por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), mostra que a renúncia foi um gesto politico de Cunha em busca de apoio da base aliada do governo do presidente interino, Michel Temer. “Ele está renunciando a uma presidência que ele já não exerce e tenta transfomar isso numa manobra para salvar o seu mandato, confundindo a Casa, para discutir a eleição de um novo presidente e sua cassação fique em segundo plano”, afirmou.

Para o líder do PPS, Rubens Bueno (PR), a renúncia reforça o entendimento de que é preciso concluir o processo de cassação do peemedebista antes do recesso parlamentar. “A renúncia do deputado Eduardo Cunha ao cargo de presidente da Câmara não deve salvar seu mandato. Pelo contrário, reforça a necessidade da votação da cassação ainda na próxima semana”, defendeu.

O deputado lembrou que a renúncia ocorreu praticamente às vésperas da reunião da Comissão de Constituiçaõ e Justiça (CCJ) que vai deliberar sobre o parecer do deputado Ronaldo Fonseca (Pros-DF). O parecer pede a anulação da votação que decidiu, por 11 a 9, cassar o mandato peemedebista. “Precisamos rejeitar o recurso já na segunda-feira e levar a cassação ao plenário na quarta-feira. A eleição para o novo presidente da Câmara pode ser feita depois e não deve ser usada como desculpa para empurrar a cassação de Cunha para agosto”, disse.

O deputado Chico Alencar (Psol-RJ) disse que a confirmação de um possível apoio a Cunha em troca da renúncia “seria vergonhoso”. “É claro que a renúncia do Cunha, que vinha negando tanto essa possibilidade, é um ato político para preservar a prerrogativa de foro e para ter mais possibilidade de se salvar da cadeia, em razão das inúmeras denúncias de corrupção de que é alvo. É uma jogada”. afirmou.

Decano na Câmara dos Deputados, com 11 mandatos, Miro Teixeira (Rde-RJ) avaliou que a derrota do governo na votação da urgência do projeto de renegociação de dívida dos estados colocou mais pressão para que Eduardo Cunha renunciasse ao cargo. Teixeira lembrou que, em diversas ocasiões, Cunha disse que não renunciaria. “O que chama atenção é que, na madrugada de hoje, quando se discutia a questão do recesso branco, ninguém falava da renúncia do Eduardo Cunha. Alguma coisa aconteceu que provocou a divulgação dessa carta [de renúncia]. Presumo que tenha alguma relação com a não aprovação da urgência ontem”, disse o deputado.

Outro lado

Ao comentar o fato, o líder do governo, André Moura (PSC-SE) negou que a derrota tenha colocado pressão sobre Cunha. “A não aprovação não tem nada a ver com a renúncia, uma coisa não tem nada a ver com a outra”, disse.

Moura também negou que houvesse alguma ação do Planalto para fechar um acordo com Cunha. “O governo não tem interferência nenhuma nesse processo de renúncia do Eduardo Cunha”, disse.

Moura, contudo, disse que a intenção do governo é trabalhar para que um integrante da base aliada ocupe a cadeira deixada por Cunha. O deputado defendeu ainda que a eleição seja realizada o mais rápido possível. “No nosso entendimento, o mais rápido posivel. Se for na segunda é melhor ainda”, defendeu

Um dos principais aliados de Cunha, o deputado Carlos Marun (PMDB-MS) classificou a renúncia do peemedebista como um “gesto de grandeza”. “Foi um gesto de grandeza [a renúncia], numa data que ainda permite que nós, no início da semana que vem, venhamos a eleger um novo presidente e permite que não passemos um recesso com a casa acéfala. Então, foi um gesto de grandeza essa renúncia”.

Marun disse ainda que a atitude não teve o intuito de buscar apoio para salvar o mandato. “Não foi uma estratégia para salvar o mandato, mas meu desejo é que a CCJ tenha um gesto de grandeza de entender o seu papel e de buscar a constitucionalidade na análise do recurso”, acrescentou.

Para o deputado Rogério Rosso (PSD-DF) o gesto de Cunha foi correto. “Achei uma iniciativa correta [a renúncia], mas poderia ter sido feita antes, porque a Casa estava muito instável. A partir de agora, o desafio da Casa, e não apenas de partidos ou blocos, é eleger o novo presidente o mais rápido possível para retornarmos à normalidade. Acho que não dá para [Cunha] fazer] um sucessor e o próximo presidente precisa, mais que tudo, de ter a confiança da Casa. A partir de agora, os partidos da base do governo, que hoje são maioria, vão ter que trabalhar para a escolha de um perfil.”.

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