O que mais esperar? | Por CDL, ACEFS e SICOMFS

Em Feira de Santana, prédios comerciais da Rua Tertuliano Carneiro são atingidos por incêndio.

Prédios comerciais da Rua Tertuliano Carneiro são atingidos por incêndio.

Mais uma vez Feira de Santana tem um incêndio e mais uma vez nos encontramos em situação de perigo e calamidade pública.

No dia 01 de julho de 2016, por volta das 18:30, mais de 10 lojas situadas entre as ruas Tertuliano Carneiro e Sales Barbosa, que não podemos chamar de rua nem calçadão, foram atingidas por um incêndio de grandes proporções.

De quem é a culpa do incêndio? Talvez esta pergunta permeie a cabeça da maioria dos feirenses. A culpa não é de ninguém. Um incêndio não é desejado por ninguém e mesmo tomando todos os cuidados do mundo, quem está livre deste tipo de sinistro? Porém quanto à proporção tomada há de se questionar muitos aspectos.

Não queremos buscar culpados pelas proporções alcançadas por mais este incêndio na cidade e sim buscar responsáveis para solucionar definitivamente os problemas que são constantemente denunciados.

O Corpo de Bombeiros, que possui uma corporação valiosíssima e fez um trabalho fantástico neste último episódio, trabalha sem a devida estrutura há anos, sendo a Guarnição de Feira de Santana frequentemente usurpada para a estruturação de outras cidades. O fato de não termos uma escada MAGIROS é um pesadelo há mais de 15 anos. E como ela fez falta na sexta-feira! Onde estão os recursos amealhados pelo Governo Estadual com a taxa de incêndio cobrada dos comerciantes locais que eram para aparelhar o Corpo de Bombeiros? Quando precisamos dele não temos carros suficientes, equipamentos e pasmem todos, água disponível para apagar o incêndio. Não é a primeira vez que os empresários precisam pagar caminhões pipa para tentar salvar alguma coisa de seus comércios. Onde estão os nossos recursos? Onde estão os hidrantes que deveriam estar em pleno funcionamento no centro da cidade e toda vez que precisamos acioná-los não tem o liquido precioso para o combate ao incêndio. Precisamos que a EMBASA resolva este problema e tenha sempre equipes de plantão para operar a rede hidráulica nestes momentos. Não existe treinamento específico para minimizar os impactos de um sinistro no centro da cidade. Não sabemos a quem nos dirigir quando acontece alguma catástrofe.

As entidades de classe já vêm denunciando ao longo do tempo todas estas irregularidades e situações de alto risco. Existe em andamento no Ministério Público Estadual o inquérito civil de nº 596.046572/2008 com o objetivo de apurar estas questões e adotar as medidas judiciais cabíveis.

Mais um incêndio no Centro Comercial de Feira de Santana. Coração de uma cidade que nasceu do comércio e continua crescente, sendo o maior centro comercial do interior do Brasil, exceto algumas cidades da região sudeste. A proporção deste incêndio, que com todos os cuidados tomados nem sempre podemos evitar, poderia ser infinitamente menor se houvesse acesso pela Rua Sales Barbosa para os parcos caminhões dos bombeiros. Mas que rua? Mas que calçadão? O que vemos é um amontoado de barracas de alvenaria e ferro, cravadas no chão (na essência da palavra não podemos chamá-los de ambulantes) ocupadas por comerciantes estabelecidos que concorrem em desigualdade com as lojas, e o pior de tudo, colocando todos (inclusive eles próprios) em uma situação de alto risco. Risco de assaltos pela baixa mobilidade do local, aliás mobilidade esta impossível para portadores de dificuldades de locomoção, risco de incêndio, pela precária situação das instalações elétricas, risco de saúde pública, pela poluição e condições sanitárias. Que absurdo é este que não tem a intervenção do poder público constituído para ordenar um espaço que é de todos? A Prefeitura Municipal precisa resolver definitivamente e no menor espaço de tempo possível esta situação de extremo risco à cidade de Feira de Santana. Imaginem se este incêndio tivesse começado em uma loja ou barraca dentro da Sales Barbosa? Quais seriam as proporções? Estamos literalmente brincando com FOGO!

As entidades produtoras de Feira de Santana apoiaram e apoiam o projeto do Shopping Popular dentro do PACTO DA FEIRA, projeto iniciado pela prefeitura e que parece não ter fim. O que falta para efetivar a solução? Mais prejuízos? Mais desempregos? Mortes? Estimamos que serão fechados mais de 100 postos de trabalho com as reformas necessárias das lojas, ou até fechamento definitivo de algumas. Não podemos mais aguardar a construção de um equipamento que levará pelo menos um ano de obra, se é que vai sair do papel, para um reordenamento do Centro da Cidade. Não temos mais tempo! A Prefeitura precisa resolver este problema criado por ela própria quando foi permissiva na invasão do espaço público. Exigimos nossas ruas de volta, nossa Sales Barbosa, nossa Marechal Deodoro e adjacências, reurbanizadas e aptas a receber a população e o comercio pujante de Feira de Santana.

Os dirigentes públicos foram eleitos para resolver os problemas da cidade e precisam enfrenta-los com coragem e resignação, olhando para o interesse da grande maioria. Basta aplicar os recursos públicos arrecadados para os fins devidos aos quais foram criados e não deixar a população em risco.

Precisamos urgente de adoção de medidas concretas e objetivas pelo poder público: reequipar o Corpo de Bombeiros com os recursos oriundos do comercio de Feira com a devida proporção para uma cidade de mais de 600.000 habitantes; desobstrução da Sales Barbosa e ruas adjacentes para acesso a carros e equipamentos de combate a incêndio; condicionamento das ligações de energia elétrica da Sales Barbosa apenas para portadores de alvará de funcionamento;  realização de um Plano Integrado de combate a incêndio com todos os órgãos envolvidos como Embasa, Coelba, PM, CB, Samu e Defesa Civil, sendo coordenado por esta última e com treinamento de simulação de sinistro.

Estas medidas minimizarão os riscos e as entidades se comprometem a adotar medidas paralelas como: campanha de revisão dos planos de pânico e incêndio e instalações das lojas, seguido de um Plano de proteção patrimonial para os lojistas junto às seguradoras; treinamento de brigadas de incêndio nos estabelecimentos comerciais.

Solicitamos ao Ministério Público Estadual que assuma o papel de coordenador e justo fiscalizador das ações do Poder Público de interesse da população, para que se tornem efetivas as ações sugeridas e/ou outras necessárias para solucionar este grave problema de toda a população de Feira de Santana.

Luis Henrique Mercês dos Santos, Presidente Câmara de Dirigentes Lojistas de Feira de Santana (CDL),

Marcelo Augusto Alexandrino A. Souza, Presidente Associação Comercial de Feira de Santana (ACEFS) e

José Carlos Moraes de Lima, Presidente Sindicato do Comércio de Feira de Santana (SICOMFS)

Feira de Santana, 4 de julho de 2016.

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