“O centrão de hoje é mais reacionário que o de 88”, diz ex-presidente Lula no Congresso da UJS

Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante 18º Congresso da União da Juventude Socialista (UJS).

Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante 18º Congresso da União da Juventude Socialista (UJS).

Na noite desta sexta-feira (29/07/2016), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou do 18º Congresso da União da Juventude Socialista, na Faculdade Zumbi dos Palmares, na capital paulista. Fernando Haddad, prefeito de São Paulo, Vagner Freitas, presidente nacional da CUT, Eduardo Suplicy, ex-senador, Luciana Santos, presidenta do PCdoB, Orlando Silva, deputado federal, Nádia Campeão, vice-prefeita de São Paulo, Manuela D’Ávila, deputada federal e Carina Vitral, presidenta da UNE (União Nacional dos Estudantes) dividiram o palco com o ex-presidente, assim como dezenas de jovens.

Em seu discurso, Lula lembrou da longevidade de sua relação com a UJS e do papel da entidade na formulação e execução das políticas educacionais dos governos do PT.

“Alguns de vocês nem tinham nascido ainda e nós já estávamos juntos”, disse Lula, referindo-se à União da Juventude Socialista, que apoia o ex-presidente desde 1989.

“A UJS e a UNE têm muita importância na minha vida política. Sou do PT, mas tenho uma ligação muito forte com o PCdoB. Sonho em fazer uma frente ampla como a do Uruguai.”

“Sou grato, porque não teríamos feito tudo o que fizemos na educação se não fosse por vocês. Enfrentaram reitorias e uma direita radicalizada que não queria que pobre entrasse na universidade. Com o Prouni o preconceito era contra colocar pobre e negro na universidade junto dos filhinhos de papai”.

O ex-presidente também falou sobre a votação do impeachment da presidenta Dilma Rousseff no Senado. “O golpe que estamos vivendo não é um golpe militar, é um golpe parlamentar”. Lula afirmou que o processo de impedimento de Dilma foi uma “vingança” de Eduardo Cunha, motivado pela iniciativa do PT em votar em sua cassação no Conselho de Ética da Câmara.

“O centrão de hoje é muito mais reacionário do que o da Constituinte”, afirmou.

“Nossos gritos não ressoam em Brasíla, porque a mídia não divulga. Precisamos coagir essa gente politicamente. Através do celular, de todos os instrumentos, se o senador tem noção do significado do gesto que ele vai fazer. Eles precisam perceber que estão cometendo um crime antidemocrático”

“O Temer é constitucionalista, um advogado, e sabe que o julgamento é politico. Eles não querem ter que disputar a eleição. O que eles nao percebem é que o que estao fazendo é uma vergonha.”

“Já que a gente não pode gritar e fazer passeata toda hora, vamos ‘zapear’! Vamos encher o saco deles! Encha o saco do senador do seu estado como ele encheu seu saco pedindo voto.”

Nós provamos que era possivel promover um novo paradigma. Nós fizemos tudo? Não.

Fizemos a maior revolução na educação deste país. Colocamos mais gente na universidade em 13 anos do que eles, construímos mais escolas técnicas e universidades do que eles.”

“Por isso, vocês são importantes. É preciso avançar muito na questão da igualdade racial.”

“Precisamos que vocês continuem lutando. É preciso acabar com a violência contra a juventude negra na periferia. “

“É preciso discutir os temas difíceis, tabu! Se é homossexual, transsexual, o que for. Saiam do armário!”

Acabou essa história de proibir as coisas e esconder as coisas.

A única coisa que a gente pode fazer pra vocês é dar licença para vcs construírem o mundo do futuro.

Em seminário sobre o futuro do Brasil, Lula diz que país vive situação “anômala”

Na tarde desta sexta (29/07/2016), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou do seminário Nacional do Sistema Financeiro e Sociedade, promovido pela Contraf-CUT, em São Paulo.

O tema do evento era “O Brasil que Queremos”, mesmo nome do livro que foi lançado pela entidade, em parceria com a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).

Na mesa de debates estavam presentes representantes de sindicatos, além do sociólogo Emir Sader, Vagner Freitas, presidente da CUT Nacional e a ex-ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome Tereza Campello.

Campello falou sobre a redução da fome e a pobreza no Brasil. Houve uma redução de 82% no índice de pessoas em situação de fome. A ex-ministra exibiu dados sobre a pobreza e a miséria que demonstram que houve uma estagnação desses índices durante o governo FHC. Na era Lula e Dilma, tanto o índice de miséria quanto o de pobreza caíram significativamente. Mesmo em meio à crise econômica de 2008/2009, a pobreza crônica caiu e passou de 8,2% (em 2003) a 1% (em 2015), segundo dados do Banco Mundial. “Temos que continuar sonhando, porque fizemos o que parecia impossível”, concluiu Tereza Campello.

Diante de um auditório com mais de mil pessoas, Lula começou seu discurso seguindo o tema do seminário: “Provamos que é possível construir o Brasil que queremos”.

“Mas”, continuou, “vivemos uma situação anômala no Brasil”, comentando o processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff, que qualificou como uma “vingança política” de um grupo de parlamentares liderados por Eduardo Cunha. “Não há momento mais vergonhoso na história do país”, afirmou, relembrando a votação do impeachment na Câmara dos Deputados.

“Não há momento na história em que o salário mínimo teve tantos aumentos consecutivos, para chegar a 74% de aumento”, disse Lula. O ex-presidente enumerou as medidas tomadas durante seu governo para garantir crédito e bancarização da população mais pobre. “É muito fácil a gente construir um país melhor se a gente ouvir e conversar com os mais pobres”, disse.

“Querem resolver o problema da pobreza no mundo? Coloque sempre o pobre no orçamento. O pobre não tem sindicato, partido, não vai em passeata nem a Brasília. ”

“Faz seis anos que vivemos a maior seca da história do Nordeste e não tivemos uma morte. Nós fizemos políticas de convivência com a seca. ”

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