Filme ‘Minha Avó era Palhaço’ será exibido em Salvador

Cartaz do Filme 'Minha Avó era Palhaço'.

Cartaz do Filme ‘Minha Avó era Palhaço’.

Dirigido por Ana Minehira e Mariana Gabriel, o documentário Minha Avó era Palhaço!  tem esse nome porque Maria Eliza Alves dos Reis se apresentava como “Xamego”, palhaço homem, no início da década de 40, sendo a grande atração do Circo Guarany. Maria Eliza – avó de Mariana, uma das diretoras do filme, foi a primeira palhaça negra do Brasil. A exibição acontece na sexta-feira, (15/07/2016), às 19h na Sala Walter da Silveira.

Após o filme acontece um debate com a presença de Mariana Gabriel, a “neta” da protagonista, que dirigiu o filme com Ana Minehira. A estreia do filme em Salvador tem o apoio da Fundação Cultural do Estado da Bahia (FUNCEB), por meio do Núcleo de Artes Circenses/Dirart e da Dimas.

Racismo, machismo e a longa luta de um palhaço pelo papel principal no espetáculo circense são os assuntos discutidos em Minha Avó era Palhaço!. A narrativa conta a trajetória do palhaço Xamego, personagem criado pela atriz negra Maria Eliza Alves dos Reis, nas décadas de 1940 a 60, e a sua longa história no Circo Guarany, circo de família tradicional – inaugurado no início do século XX, e que pertencia ao seu pai.

Com 52 minutos, o filme é o resultado visual de entrevistas, encontros, leituras, consultas virtuais e a organização de fotos antigas com curiosos trajes circenses dos séculos XIX e XX. Sem contar interessantes registros da palhaça-homem que animava festas da família até alguns anos antes de falecer, em 2007, aos 98 anos.

O documentário é resultado do prêmio Funarte Caixa Carequinha de fomento ao circo na categoria pesquisa de 2014, e está sendo inscrito em festivais de cinema nacionais e internacionais. O filme já foi exibido nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Goiás, chegando agora ao estado da Bahia.

O Circo Guarany

João Alves, pai de Maria Eliza, era negro livre, embora filho de escrava, e dono do Circo Guarany. Nasceu em 1873, dois anos após a promulgação da Lei do Ventre Livre, que libertava os bebês das escravas. Não se tem notícia ao certo de quando ele adquiriu o circo. Maria Eliza presenciou na infância o auge do circo, que viajava principalmente pelas cidades paulistas produtoras de café.

Números de trapézio, palhaço, animais adestrados, mágicos e malabaristas eram algumas das atrações do circo. O “maior circo do Brasil”, como anunciavam os alto-falantes nas cidades por onde ele passava. No picadeiro se montavam peças teatrais, era a época do circo-teatro, com grandes encenações como Paixão de Cristo e Morro dos Ventos Uivantes. Em um período anterior à televisão, o circo era o grande divertimento das pessoas e concentrava o que hoje seriam shows de música, teatro e cinema.

No Circo Guarany se apresentavam famosas famílias circenses como os Temperani, dos grandes pilotos do Globo da Morte, e os Seyssel, dos palhaços Arrelia e Pimentinha. A grande atração do circo era Ondina, a Mulher Cobra, acrobata e mãe do conhecido trapalhão Dedé Santana, que atuou na TV Globo, ao lado de Renato Aragão (Didi).

Havia também um sanfoneiro que fazia muito sucesso com suas músicas, vestimentas e sandálias de couro: Luiz Gonzaga, cuja música “Xamego” era tocada antes de cada apresentação do palhaço interpretado por Maria Eliza. Uma dupla caipira famosa cantava O Rio de Piracicaba, eram Tonico e Tinoco. Outra atração que animava o público era a Caravana do Peru que Fala, comandada pelo na época, jovem radialista Silvio Santos, trazendo os cômicos Ronald Golias, Manoel de Nóbrega e sua trupe.

A Primeira Palhaça Negra do Brasil

Maria Eliza Alves dos Reis enfrentou o racismo e o machismo de sua época. Nasceu na primeira década do século 20. Mãe de nove filhos, enfrentou a perda de sete deles ainda pequenos, mas teve força e alegria para criar os outros dois, um casal: Aristeu Alves dos Reis, que foi guitarrista do cantor Roberto Carlos por 40 anos, e Daise Alves dos Reis, jornalista e mãe de Mariana Gabriel, uma das diretoras do filme, que também interpreta uma palhaça chamada Birota.

No início da era do Rádio, em 1929, Maria Eliza e sua irmã Ifigênia, a Tita, tentaram a carreira de cantoras. Passaram um tempo no Rio de Janeiro investindo no sonho, e ficaram na casa do tio Benjamin de Oliveira, um dos maiores palhaços do Brasil.

Agenda

Quando: 15 de julho de 2016, ás 19h

Onde: Sala Walter da Silveira/Dimas/Funceb | Salvador

Sobre o autor

Redação
O Jornal Grande Bahia é um portal de notícias com sede em Feira de Santana. Para enviar informações, fazer denúncias ou comunicar erros do jornal mantenha contato através do e-mail: editor@jornalgrandebahia.com.br