Exclusiva: deputado Márcio Marinho comenta sobre reformas, aborda julgamento de Eduardo Cunha e avalia governos

Márcio Marinho: O PRB também tem esse pensamento de que nós precisamos fazer uma reforma política. Não dá para uma pessoa que teve por exemplo 15 mil votos eleger-se deputado federal e aquele que teve 100 mil votos não assumir um mandato.

Márcio Marinho: O PRB também tem esse pensamento de que nós precisamos fazer uma reforma política. Não dá para uma pessoa que teve por exemplo 15 mil votos eleger-se deputado federal e aquele que teve 100 mil votos não assumir um mandato.

O deputado federal Márcio Carlos Marinho (PRB/BA), em entrevista ao Jornal Grande Bahia, concedida na quinta-feira (21/07/2016), no escritório político do deputado estadual José de Arimateia (PRB/BA), abordou a situação econômica do país; reformas tributária, trabalhista, previdenciária e política; e processo de julgamento do deputado Eduardo Cunha (PMDB/RJ).

Márcio Marinho conclui a entrevista analisando as gestões do governador Rui Costa (PT); do prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM); e do prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo de Cavalho (DEM).

Confira a entrevista

Jornal Grande Bahia – Como analisa o cenário econômico atual e quais são as perspectivas para a população brasileira?

Márcio Carlos Marinho – A perspectiva é muito positiva para quem acompanha a política, principalmente as matérias que dizem respeito a econômica do país. Aquele sentimento da população de esperança com retorno da economia, ela retorna, até porque os índices de recuperação da economia, estão acontecendo, a geração de emprego já está também acontecendo. Mas eu considero o sentimento de esperança da população um fator preponderante, coisa que não se tinha.

Quando existe um fator preponderante de acreditar na recuperação da economia, vem investidores que já estavam indo embora, os empresários investem, coisa que já não estava acontecendo. Tudo por conta desse sentimento de recuperação da economia. Então a perspectiva é muito boa, que a gente possa voltar a crescer, como nós um dia estávamos crescendo. Eu tenho certeza que é esse sentimento que a população do país inteiro quer. Que o governo dê resposta na economia e que o governo também possa vencer a crise política que se tinha, que era, realmente, a mãe da crise econômica.

JGB – O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM/RJ), fala em uma pauta de reformas. Pauta que foi modificada durante a gestão do deputado Eduardo Cunha. O que o senhor pensa dessa reforma?

Márcio Marinho – Eu acho que nós temos vários pontos para tocar. Não vou dizer que as pautas que o deputado Eduardo Cunha colocou para ser votado eram pautas dele, não, eram pautas do país. Agora, cada presidente tem uma compreensão, uma ideia, uma forma de trabalhar.

A pauta que o novo presidente Rodrigo Maia se pré-dispõe a colocar para votar, que são de reformas, é evidente. Mas não é evidente assim. Temos a reforma da previdência, tributária esses são pontos difíceis porque quando se fala de reforma tributária, o governo tem que abrir mão de receitas, e nenhum governo quer abrir mão de receita, é uma batalha.

Quando se fala da reforma da previdência, nós vamos ter que mexer em questão de idade, de homem ou mulher, as questões que diz respeitos aos sindicatos, que diz respeito aos aposentados, aos que estão trabalhando prestes a se aposentar, então não é uma pauta tão simples e fácil de votar.

As centrais sindicais, você que acompanha, estão se manifestando, um apoia uma proposta e outro não apoia. Então, tem uma dificuldade muito grande. Tanto é que o próprio presidente Michel Temer montou um grupo de trabalho para discutir sobre a matéria da reforma da presidência. Uma matéria que nós não conseguimos avançar em absolutamente nada, dada a dificuldade, a problemática que é tocar em fazer uma reforma.

Se você me pergunta se sou favorável a reforma, vou responder que sou favorável a reforma. Desde que aqueles que já conquistaram seus direitos não percam os seus direitos, e aqueles que estão prestes a se aposentar tem o direito também de se aposentar.

JGB – O sistema político atual demonstra grave esgotamento. Observando como exemplo a Bahia, um estado que é do tamanho de um país como a Alemanha. Um candidato a deputado federal faz campanha em um estado que é do tamanho de um país, isso não apenas dilui a representatividade, como torna algo extremamente caro para a sociedade financiar. O que o PRB pensa em termos de reforma política?

Márcio Marinho – O PRB também tem esse pensamento de que nós precisamos fazer uma reforma política. Não dá para uma pessoa que teve por exemplo 15 mil votos eleger-se deputado federal e aquele que teve 100 mil votos não assumir um mandato. Nós tivemos no partido um deputado que recebeu 104 mil votos e ficou entre o 7 mais votados no estado e não entrou, isso ocorreu em Belém do Pará. Nós não temos deputado no estado do Pará em decorrência do coeficiente eleitoral.

É evidente que os partidos que estavam tocando e que tocam a reforma política querem acabar com os partidos pequenos e de médio porte, alegando que são muitos partidos e acabam virando um balcão de negócios, mas, veja, como que você vai tratar também um partido de médio porte fazendo uma reforma de um ponto que é o financiamento público de uma campanha aonde você vai pela representatividade da Câmara dos Deputados. Você tem aquele partido que não tem nenhum representação no Congresso Nacional, mas no estado tem representação, ele vai acabar? Ele vai deixar de receber recurso?

Porque, se parte da ideia de que a divisão dos recursos ocorre a partir da representação da Câmara dos Deputados. Aquele partido que não tem nenhuma representação no Congresso Nacional, mas tem no Estado, como é que fica esse partido? Ele se acaba? Não pode.

JGB – Esse processo de criação de partidos não chegou ao ponto de esgotamento?

Márcio Marinho – Acho que as pessoas acabam procurando outro partido ou algumas pessoas acabam criando alguns partidos, primeiro, porque a lei permite; segundo, porque as vezes no partido a forma do presidente tocar o partido é um coronelismo muito grande, onde não respeita a indicação política, não respeita a representação política popular daquele cidadão em determinada região, e as vezes tira até do próprio deputado aquela região, o direito de conversar com as forças políticas locais. Então, quando você se sente desprestigiado, você não é obrigado a ficar onde você não se sente bem. A lei permite que você saia, ou, para um partido, ou, que você crie outro partido.

JGB – Sobre a situação do deputado Eduardo Cunha. A Câmara dos Deputados parece ter grave dificuldade em solucionar a situação do deputado, e o que é mais complexo, segundo Cunha, existem mais 117 deputados na mesma situação que a dele. Como analisa esse quadro?

Márcio Marinho – Primeiro, eu acho que não é complexa a Casa Parlamentar. Nesse ponto eu descordo de ti. Mas, o que ele tem usado e o que as pessoas falam é sobre manobras. Ele utiliza aquilo que está na casa, que é o regimento interno. Tanto ele utiliza, como outros também utilizam do regimento interno para fazer sua defesa e isso eu não vejo nenhuma irregularidade ou ilegalidade.

É evidente que quem comanda a casa não é Eduardo Cunha, quem tem que tomar decisão são os parlamentares. Agora, se esses parlamentares, que fazem parte do Conselho de Ética da Comissão da Constituição e Justiça não votam para poder resolver o problema, com medo de ser um dos 150 que ele falou que tem na mão dele. Então, que ele dê nome dessas pessoas e que a mídia possa pressionar para que esses parlamentares que estão nas Comissões possam votar com o sentimento da população.

Análises dos governos

JGB –  Como analisa a gestão do governador Rui Costa?

Márcio Marinho – Eu não acompanho muito, até porque meu partido é de oposição ao governo do estado. Mas, pelas informações e as pesquisas que os blogs e os jornais acabam colocando e divulgando, ele está muito bem. Agora, é importante dar uma caminhada no estado todo para ver se realmente condiz com esse índice, de que ele está bem. Porque existem lugares onde está faltando atenção do governo do estado, na questão da iluminação, da água, nas questões das causas populares, na questão da segurança pública, na questão da educação e da saúde.

Para quem acredita que ele esta bem, eu não sei. Então, a minha avaliação, é a avaliação de corpo presente. Eu acho que ele ainda não está bem, como as pesquisas mostram, e que alguns veículos de comunicação falam. É bom dar uma ida ao interior para saber como a vida da população como está sendo castigada.

JGB – Com relação ao prefeito de Salvador ACM Neto, como avalia?

Márcio Marinho – O prefeito ACM Neto é um candidato em potencial. Tanto é que até hoje, não se tem um candidato para disputar com ele. Até então, não tem. Mas possa ser que daqui para semana que vem tenha. Até porque a data do calendário eleitoral não está permitindo que fique em aberto, sem definição. Agora, ACM Neto é um candidato em potencial.

Eu não posso falar de pesquisa, mas o sentimento das pessoas na rua é que ele vai se reeleger. Por quê que eles pensam dessa forma? Por conta da avaliação feita da administração. Quem anda hoje em Salvador e compara com o passado pode analisar que realmente a cidade mudou de cara. Tudo é uma questão da gestão que ele faz e do grupo que ele montou.

JGB – Com relação ao prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo?

Márcio Marinho – No momento em que o país passa por uma crise muito grande, aonde os entes federados mais prejudicados são os municípios, o prefeito José Ronaldo faz uma gestão exemplar. Mesmo com toda dificuldade para manter o funcionalismo público em dia, as escolas funcionando, a saúde funcionando.

Falta alguma coisa? Claro que falta alguma coisa. Mas, com toda crise, ainda assim, ele consegue fazer uma gestão positiva na cidade. Veja que outros que foram prefeitos em tempo diferenciado dele, que teve ajuda do governo do estado e do governo federal, não conseguiram fazer a gestão que o prefeito José Ronaldo está fazendo.

Então, a avaliação que eu faço é uma avaliação positiva. Até porque, o sentimento que percebo, das pessoas que andam na rua, é o de manter José Ronaldo na prefeitura.

Outras publicações

Governo da Bahia busca liberação de recursos federais para obras de saneamento Cassio Peixoto, secretário de Infraestrutura Hídrica e Saneamento (SIHS), busca recursos junto ao Ministério das Cidades. O secretário estadual de I...
Consolidação da cadeia produtiva do leite baiano pauta reunião Cadeia produtiva do leite na Bahia é tema de reunião. O deputado estadual e líder do Governo na Assembleia Legislativa da Bahia, Zé Neto acompanhou ...
Eleições 2014 | Governador Jaques Wagner avalia resultado Rui Costa e Jaques Wagner. Governador vence, pela terceira vez, no primeiro turno, eleição na Bahia. A realização do primeiro turno das eleições pre...

Sobre o autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto Oliveira da Silva (Carlos Augusto) é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF). Atua como jornalista e cientista social. Telefone: (75)98242-8000 | E-mail: diretor@jornalgrandebahia.com.br.