Encontro de Filarmônicas e Baile da Independência celebram 2 de julho em Salvador

Filarmônica Minerva Cachoeirana.

Filarmônica Minerva Cachoeirana.

Há 25 anos o maestro Fred Dantas, o cantor e compositor Moraes Moreira e o mestre de bandas Zinho de Aramari decidiram que era preciso chamar a atenção para o estado de esquecimento em que se encontravam as filarmônicas na Bahia. Objetivando despertar a atenção da sociedade, realizam uma grande apresentação na capital. Assim nasceu o Encontro de Filarmônicas no 2 de Julho, que em seu Jubileu de Prata reúne no próximo sábado, dia 2 de Julho de 2016, das 17h às 21h, em pleno Campo Grande, sete filarmônicas e bandas – Filarmônica Ambiental (Camaçari), Banda de Música Maestro Wanderley (Polícia Militar), Banda Filarmônica do Projeto Neojibá, Filarmônica União dos Artistas (Ilha de Bom Jesus dos Passos), Filarmônica Minerva Cachoeirana (Cachoeira), Filarmônica 4 de Janeiro (Itiúba) e a Oficina de Frevos e Dobrados. A promoção é da Fundação Gregório de Mattos e a realização da Oficina de Frevos e Dobrados, com coordenação do maestro Fred Dantas.

No dia seguinte, ao pé do caboclo, tendo como salão o próprio Campo Grande, duas orquestras realizam o “Baile da Independência”, um baile público de pura comemoração popular. Promovida pela Fundação Gregório de Mattos, e realizada pela Orquestra Fred Dantas, a partir das 18h, a festa conta na abertura com a Orquestra Paulo Primo. Logo em seguida a Orquestra Fred Dantas toca para a população.

No “Baile da Independência” será realizado o resgate do “Hino à Cidade do Salvador”, composição de Oswaldo Leal, serão tocadas composições relacionadas à nossa cidade –  obras de Ari Barroso, Dorival Caymmi, Riachão e Moraes Moreira, entre outros – haverá muita música dançante para que casais possam se exibir na mais pura dança de salão, e subirá ao palco a cantora convidada, a diva  Claudete Macedo, considerada “a inventora da mulher baiana”, porque projetou, nos seus anos de sucesso na Rádio Nacional e nas emissoras locais, o “samba no pé”, a louvação aos elementos simbólicos da religiosidade afro-descendente e a exaltação do orgulho feminino.

A parte final do Baile é dedicada à dança livre, ao som das músicas que mais representaram a Bahia recentemente –do trio elétrico à internacionalmente conhecida Axé Music, passando pela musicalidade dos blocos afro-baianos. Tudo isso realizado com arranjos exclusivos utilizando todo o instrumental da orquestra, projetando a nível nacional as novas possibilidades que a formação instrumental alcança nesse novo milênio.

Um antigo Baile da Independência, criado pela classe média soteropolitana no século XIX originou a Festa da Mocidade, que se deslocou para o Campo da Pólvora, e durou até início dos anos 1950. No final do século passado, por iniciativa da Fundação Gregório de Mattos, o maestro Fred Dantas foi convidado a idealizar um novo “Baile da Independência” em um palco próximo ao Monumento aos Heróis do 2 de julho e dos carros alegóricos dos Caboclos.

XXV Encontro de Filarmônicas no 2 de Julho

Devido ao seu Jubileu de Prata, pela primeira vez sete grupos farão parte do encontro de Filarmônicas no Campo Grande. No dia 2 de Julho de 2016, uma hora mais cedo que os anos anteriores e seguindo imediatamente após os eventos relacionados ao Fogo Simbólico, o palco montado no Campo Grande será ocupado por grupos que representam os diversos aspectos que o Encontro de Filarmônicas levantou ao longo dos seus 25 anos.

Programa

17:00 – Abertura com a Filarmônica Ambiental (homenagem aos 20 anos da Escola Ambiental), regência do mestre Fernando Hamilton.

17:30 – Banda de Música Maestro Wanderley, da Polícia Militar da Bahia, regência Tte Marcelo Sarmento.

18:20 – Banda Filarmônica do Projeto Neojibá, regência professor Helder Passinho.

19:00 – Filarmônica União dos Artistas, da Ilha de Bom Jesus dos Passos, regência mestre Josias Monteiro.

19:45 – Filarmônica Minerva Cachoeirana, da cidade de Cachoeira, regência mestre Clarício Marques. Regente decano: Felisberto José da Silva.

20:25 – Filarmônica 4 de Janeiro, da cidade de Itiúba, regência mestre Egnaldo Paixão.

21:00 – Oficina de Frevos e Dobrados, de Salvador, regência do Maestro Fred Dantas.

Histórico – O Encontro de Filarmônicas, que contou nos seus primeiros três anos com a presença do próprio Moraes Moreira no palco, completa 25 anos graças à obstinação do maestro Fred Dantas, que conseguiu, junto à Fundação Gregório de Mattos, que o Encontro passasse a fazer parte do Calendário Oficial das Comemorações da Independência na Bahia.

Ao longo de sua programação anual, sem que houvesse nenhuma interrupção, o Encontro de Filarmônicas ofereceu ao público ao longo dos anos a oportunidade de ouvir corporações tradicionais, centenárias, se apresentando na capital; bandas militares oferecendo um repertório de concerto; bandas renovadas apresentando crianças e adolescentes lendo partituras e executando instrumentos profissionais e ainda, nos dois últimos anos, a participação de artistas envolvidos com a causa, como Margareth Menezes (condecorada “a Rainha das Filarmônicas”) e o artista Armandinho, que executou peças do repertório fundamental de Dodô e Osmar, acompanhado tão somente com sopros e percussão, com arranjos exclusivos do maestro Fred Dantas.

No processo de reconhecimento e valorização das filarmônicas da Bahia, o Encontro de Filarmônicas tem sido uma vanguarda, na Capital, da grande vitrine que é o Festival de Filarmônicas do Recôncavo, na cidade de São Félix. Os dois eventos têm sido fundamentais não só para a valorização das sociedades musicais, mas também para revelar e preservar o repertório precioso dos mestres-compositores, adormecidos nos arquivos de partituras manuscritas.

Sobre as bandas e filarmônicas

Filarmônica Ambiental: renascendo com crianças e adolescentes, traz a notícia dos 20 anos da Escola Ambiental, em Barra do Pojuca, Camaçari, Bahia, e seu trabalho com crianças da região e com o repertório típico do Litoral Norte.

Banda Maestro Wanderley, da Polícia Militar da Bahia: Recorda que a música sempre foi parte do trabalho de relacionamento da Corporação com a comunidade baiana, como a atual Patrulha do Bem e que a música militar sempre esteve presente, sem gerar despesas ou honorários, no Encontro de Filarmônicas no 2 de Julho.

Banda de Música do Projeto Neojiba: a grande iniciativa de inclusão social através da música de concerto teve como consequência a incorporação de muitos músicos que se iniciaram nas filarmônicas do interior e da capital. Agora estes se reuniram para apresentar um repertório representativo das filarmônicas, convidando um solista internacional.

Filarmônica União dos Artistas: representa a ação social de todas as filarmônicas da Bahia, no momento em que se torna o centro da vida social de uma comunidade humilde, a Ilha de Bom Jesus dos Passos, congregando pelo amor da música, as crianças e jovens com seus familiares.

Filarmônica Minerva Cachoeirana: o grande movimento revolucionário que culminou na vitória dos brasileiros consolidando a Independência do Brasil teve seu início na cidade de Cachoeira, e seu primeiro mártir foi um músico, atingido por um morteiro. A Minerva vem ao nosso encontro representando a grande tradição musical e histórica do Recôncavo, que a tornou celeiros de filarmônicas e a Cidade Heroica do movimento de libertação.

Filarmônica 4 de Janeiro de Itiúba: vencedora do grupo emergente do Festival do Recôncavo de 2016, comparece aos 25 anos do encontro de filarmônicas representando o grande progresso que tem sido demonstrado pelas filarmônicas do Sertão da Bahia, mas também pelo reencontro da Filarmônica com a literatura e a poesia.

Oficina de Frevos e Dobrados: a banda criada por Fred Dantas foi responsável, segundo o sociólogo Pedro Archanjo, por “colocar a filarmônica na contemporaneidade, em convivência com o ambiente universitário”. Além disso a Oficina tem sido abrigo para músicos vindos do interior, banda atuante nos momentos de comemoração em Salvador e lugar de experimentos musicais, como a estreia, neste dois de julho, em apresentação conjunta com a Filarmônica 4 de Janeiro de Itiúba, da peça “São Domingos de Gusmão”, composta por Fred Dantas em homenagem aos 100 anos da Filarmônica São Domingos, da cidade de Saubara, no Recôncavo da Bahia.

Agenda

XXV Encontro de Filarmônicas no 2 de Julho

2 de julho de 2016, no Campo Grande, das 17h às 21h45

Promoção: Fundação Gregório de Mattos

Realização: Oficina de Frevos e Dobrados, com coordenação do Maestro Fred Dantas.

Baile da Independência

3 de julho de 2016, no Campo Grande, a partir das 18h

Promoção: Fundação Gregório de Mattos

Realização: Orquestra Fred Dantas

Abertura: Orquestra Paulo Primo

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