Em diferentes cidades do Brasil e no exterior, brasileiros promovem protestos com os temas impeachment, democracia, corrupção, Lava Jato, golpe e Governo Temer

Manifestantes fazem ato a favor do impeachment da presidenta afastada Dilma Rousseff, contra a corrupção e em apoio à operação Lava Jato, na praia de Copacabana.

Manifestantes fazem ato a favor do impeachment da presidenta afastada Dilma Rousseff, contra a corrupção e em apoio à operação Lava Jato, na praia de Copacabana.

Em Salvador, manifestantes pedem agilidade no julgamento do impeachment

Manifestantes que defendem a saída definitiva da presidenta afastada Dilma Rousseff se reuniram hoje (31/07/2016), no Farol da Barrra, em Salvador, para apoiar o impeachment. Na próxima terça-feira (02/07/2016), o relator da Comissão Processante do Impeachment, senador Antonio Anastasia (PSDB-MG), vai apresentar seu parecer sobre a denúncia contra Dilma.

O ato foi organizado pelo Movimento Vem Pra Rua Bahia, que pediu rapidez no julgamento da presidenta afastada. Um dos coordenadores do grupo, o médico César Leite, disse que a manifestação de hoje teve três pautas principais. “Além de defendermos o processo deimpeachment, prestamos apoio ao juiz Sérgio Moro com relação à Lava Jato, e ao Ministério Público Federal, principalmente com as dez medidas contra a corrupção.”

Acompanhados por um trio elétrico, manifestantes seguravam faixas e cartazes em apoio ao juiz federal Sério Moro – responsável pelas ações da Operação Lava Jato na primeira instância –, em defesa da prisão de quem pratica corrupção, do projeto Escola sem Partido, e até pela intervenção militar. Segundo Leite, apesar de o Vem Pra Rua apoiar a livre manifestação, o grupo não defende intervenção militar, mas é a favor do projeto Escola sem Partido.

“A rua a gente não censura, mas não defendemos a intervenção militar. Não precisamos passar a nossa responsabilidade para ninguém porque nós somos cidadãos e conseguimos resolver nossos problemas com eleições e cobrando dos políticos. Mas nas escolas, somos a favor do pluralismo de ideias. O que não pode haver é a tendência a uma ideologia e nem a partidos políticos”, disse.

A professora Maria Pina, que já participou de outras manifestações pró-impeachment, disse que vai aos atos porque considera a situação do país “insustentável”.

“Sou a favor da Lava Jato, porque corrupto tem que ser preso, independente do partido. Não aguentamos mais, não vejo nada que preste na política. Estamos revoltados. Nem feijão estou comprando por conta do alto preço da cesta básica”, criticou.

De acordo com a Polícia Militar, cerca de 500 pessoas participaram do ato. A organização não divulgou datas de novos protestos.

Em todo o país, movimentos favoráveis e contrários ao impeachment de Dilma Rousseff promovem manifestações neste domingo. Na capital baiana, um ato em defesa da presidenta afastada está previsto para as 14h.

De verde e amarelo, manifestantes anti-Dilma protestam na Avenida Paulista

O Movimento Vem pra Rua, organizador do evento, e a Polícia Militar não divulgaram estimativas sobre o número de participantes. A corporação informou apenas que mais de mil policiais, 225 viaturas e uma aeronave integram o esquema de segurança do evento da Paulista e do ato pró-Dilma que ocorre no Largo do Batata.

A manifestação favorável ao impeachment ocorre após o Movimento Brasil Livre ter optado por organizar outro protesto em uma data mais próxima do julgamento do impeachment no Senado, o que deve ocorrer no fim de agosto.

Ao longo da Paulista, em pelo menos cinco caminhões de som, representantes dos movimentos pró-impeachment discursavam com palavras de ordem como “Fora PT”, “Não vai ter golpe, vai ter impeachment” e frases de apoio ao juiz federal Sérgio Moro e à operação Lava-Jato. Um boneco gigante do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva vestido de presidiário, batizado de Pixuleco, e um de um militar, em referência ao Exército e ao retorno da ditadura militar no país, foram inflados.

O aposentado Paulo Alves, era um dos manifestantes que defendem a volta da ditadura. “Do jeito que está o nosso país, só a ditadura vai resolver. Mesmo sem liberdade, eu vivi na ditadura e não tinha corrupção, desemprego”, disse.

O radialista Rodrigo Assef protestou carregando um boneco em formato de mosquito e o rosto da presidenta afastada. “Estou protestando contra essa pouca-vergonha que virou a política no Brasil. A Dilma ainda não saiu, protestamos pelo fim da corrupção, para prender o Lula. Para ver se melhora a situação do Brasil, estamos indo para o buraco”, criticou.

Manifestantes protestam contra corrupção e em apoio à Lava Jato no Rio de Janeiro

Manifestantes fizeram um protesto na Praia de Copacabana, na manhã deste domingo (31/07/2016), contra a corrupção e em apoio à Operação Lava Jato. Vestidos de verde e amarelo, com cartazes e alguns com os rostos pintados, os ativistas se concentraram na altura do Posto 5 e tiveram o apoio de dois caminhões de som.

O alvo principal dos manifestantes foi a presidenta afastada, Dilma Rousseff, mas sobraram críticas também ao governo do presidente interino, Michel Temer. A Polícia Militar não informou o número de manifestantes.

“Eu vim à passeata em protesto contra a corrupção, a crise econômica e a crise política que estão assolando o país. O povo quer o afastamento definitivo da Dilma. O atual governo está menos pior. Não temos saúde, não temos educação nem segurança pública. Também não temos emprego, são mais de 12 milhões de desempregados”, declarou o comerciante Fernando Ribeiro, que carregava um cartaz escrito em inglês com seu protesto.

“Eu estou aqui porque sou contra a corrupção. Não basta a saída da Dilma, temos que ir em frente, dando apoio à Polícia Federal. Eu apoio o governo Temer, porque ele está tentando acertar”, disse a dona de casa Sileide de Sá Ribeiro.

“Sou a favor do impeachment da Dilma, porque ela quebrou o país. O Brasil precisa acabar com a corrupção generalizada. O atual governo me satisfaz em alguns aspectos, em outros não. No campo econômico, o Temer está fazendo a coisa certa”, disse o professor aposentado Luiz Carlos Ryff.

“Eu não quero mais a corrupção no meu país. Temos de ir além. A saída da Dilma é só o começo da mudança. Queremos um Brasil novo, com novos políticos e pessoas com mentes diferentes. Que a mudança venha melhorar a saúde e a educação. O atual governo não é o ideal, mas no momento está nos servindo”, disse o dentista Fábio Oliveira.

Por volta de 12h30, os líderes do protesto, ligados ao Movimento Vem Pra Rua, encerraram a passeata. Não foram registrado incidentes durante a manifestação, que também atraiu a atenção dos milhares de turistas e de jornalistas estrangeiros que estão na cidade para a Olimpíada e aproveitaram o dia de sol para passearem em Copacabana.

Em Porto Alegre, atos contra e a favor do impeachment ocupam parques da cidade

Manifestações favoráveis e contrárias ao impeachment da presidenta afastada Dilma Rousseff ocorrem hoje (31) a menos de dois quilômetros uma da outra em Porto Alegre. No Parque Moinhos de Vento, o Parcão, está o grupo que defende o afastamento definitivo de Dilma. No Parque Farroupilha, os manifestantes pró-Dilma protestam contra o que chamam de golpe. Os dois começaram por volta das 14h.

No Parcão, a manifestação ocupou parte da Avenida Goethe, que contorna o parque, com bandeiras do Brasil e faixas de protesto, além dos bonecos infláveis de Dilma e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Um terceiro personagem, o juiz federal Sérgio Moro, também ganhou uma versão de boneco, com roupa de super-herói.

O ato é organizado pelos movimentos Brasil Livre (MBL), Vem pra Rua e Brasil Melhor. A coordenadora estadual do MBL, Paula Cassol Lima, ressaltou que um dos objetivos é protestar contra um possível “acordão” dos políticos para enfraquecer a Operação Lava Jato. “Uma das questões principais é a delação premiada. Eles querem impedir que as pessoas que estão presas façam esse tipo de acordo. E nós sabemos que na operação se conseguiu muita informação sobre esquemas gigantes de corrupção envolvendo vários partidos.”

Entre os manifestantes favoráveis ao impeachment, havia pessoas que defendem a monarquia parlamentarista e o retorno da família real ao poder no Brasil. “Já que estamos em um momento de analisar as nossas instituições, que estão extremamente corroídas, nós hoje temos essa proposta de novamente analisar a nossa história e ver efetivamente o que funcionou no Brasil”, disse a advogada Maria Cristina Meneghini. Segundo ela, “os melhores IDH do mundo vêm de monarquias parlamentaristas”.

Contra o impeachment

No Parque Farroupilha, o ato contra o impeachment e o governo do presidente interino Michel Temer é organizado pela Frente Brasil Popular. A manifestação tem apresentações artísticas de músicos e grupos teatrais. Os participantes carregam bandeiras de movimentos sociais e organizações sindicais, além de faixas de apoio a Dilma e de denúncia ao que os manifestantes consideram um golpe.

A menos de um mês para o julgamento do impeachment no Senado Federal, os organizadores destacaram a importância de manter a população mobilizada para sensibilizar os senadores a votar contra o afastamento definitivo de Dilma. “Nós achamos que tem seis senadores que têm vergonha na cara e perceberam que o golpe não é contra a Dilma, mas contra os direitos sociais e trabalhistas”, disse o presidente da Frente Brasil Popular, Claudir Néspolo.

Para o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS), que participa do ato, o governo Temer está ficando enfraquecido pela necessidade de cumprir os acordos do impeachment. “Amanhã está prevista a votação da Medida Provisória 257, que atinge diretamente os servidores. Terça-feira está prevista a votação da mudança da regra de exploração do pré-sal. Cada parcela do golpe que o governo paga são mais setores da sociedade que se unem conosco”, destacou.

Em todo o país, movimentos favoráveis e contrários ao impeachment de Dilma Rousseff promovem manifestações neste domingo.

Ativistas brasileiros protestam a favor de Dilma em Lisboa

Um protesto internacional contra o afastamento da presidenta brasileira Dilma Rousseff reuniu hoje (31) dezenas de pessoas em Lisboa. Os manifestantes fizeram apelos “pela democracia” e gritaram palavras de ordem contra o presidente interino Michel Temer, classificando a sua chegada ao poder de “golpe de Estado”.

Por volta das 19h no horário local (15h em Brasília), a praça do Rossio, em Lisboa, começou a animar-se com a progressiva concentração de ativistas, alguns transeuntes e poucos turistas. Uns transportavam bandeiras do Brasil, de Portugal, outros escreviam palavras de ordem em cartazes de várias cores, desafiando um vento persistente.

“Pela democracia”, “Fora Temer”, numa referência ao antigo-vice-Presidente e atual Presidente interino Michel Temer, “Volta Querida”, numa alusão à ex-chefe de Estado, suspensa do cargo em 12 de maio.

As cerca de 60 pessoas presentes juntaram-se num pequeno cordão humano e enquadradas por uma grande faixa com a frase “Golpe nunca mais. Fora Temer”, enquanto se iniciavam os discursos de diversos representantes do Coletivo Andorinha – Frente Democrática Brasileira de Lisboa, e de outras associações.

“Já foi comprovado que nada há juridicamente contra a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, e mesmo assim foi perpetrado um golpe. É um problema que queremos resolvido e queremos o respeito pelo voto. A eleição foi feita, mas a vontade do povo não está a ser respeitada”, disse Newton de Souza, 51 anos, membro do Coletivo Andorinha e há um ano e meio em Portugal.

A concentração prosseguiu na Praça do Rossio, com intervenções de cidadãos brasileiros vindos de diversas cidades de Portugal, como Coimbra e Cidade do Porto. Por vezes, os manifestantes gritaram palavras de ordem como “Golpistas, fascistas, não passarão” e “Em Portugal e no Brasil, sempre em defesa dos valores de abril”.

Newton de Souza denunciou, com convicção, a “maioria das pessoas que hoje estão no Congresso e no Governo” e envolvidos em casos de “corrupção comprovada”, o “desmantelamento da economia e principalmente das riquezas naturais”. Ele citou a recente privatização de um campo de petróleo do pré-sal para a empresa norueguesa Statoil.

Parcialidade

O ativista denunciou ainda o que considera “parcialidade muito grande da Justiça” no processo de impeachment. Segundo ele, muitos partidos, além do PT, “estão envolvidos em casos de corrupção que não são nem noticiados e muito menos indiciados”. Ele contestou a decisão de um tribunal de Brasília que, na sexta-feira (29), abriu ação contra o ex-presidente Lula.

“É um estado de infabilidade jurídica que amanhã pode atingir todos nós. Aparentemente há um crescente movimento de perseguição que é algo que parece a ascensão de uma direita. Não é apenas um problema do Brasil, mas que está a acontecer pelo mundo”, ressalta.

“Convocamos a sociedade portuguesa, europeia, para prestar atenção ao que está a acontecer. Não tenho a certeza do que vou encontrar no meu país quando voltar”, acrescentou.

Os discursos prosseguiram pela noite no meio da praça e não pouparam a mídia comercial, também considerada pelos manifestantes cúmplices do chamaram de “golpe de Estado”.

Uma ativista distribuiu panfletos com uma lista alternativa de 63 blogs, sites e contas em redes socias.

“Espero que Dilma volte, cumpra o seu mandato e convoque um plebiscito para uma reforma política, que é algo fundamental no Brasil. Hoje, é claro e evidente que o sistema eleitoral está comprometido. E queremos que os direitos sociais sejam respeitados. Não se pode abrir mão”, destacou Newton da Silva, enquanto prosseguia o protesto coletivo.

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