Um jovem negro é assassinado a cada 23 minutos no Brasil, diz relatório da CPI

Presidente da CPI, Lídice da Mata, afirmou que o relatório aponta três frentes como ações práticas.

Presidente da CPI, Lídice da Mata, afirmou que o relatório aponta três frentes como ações práticas.

Foi divulgado nesta quarta-feira (08/06/2016), o relatório final da CPI do Senado sobre Assassinato de Jovens, que foi presidida pela senadora baiana, Lídice da Mata (PSB). De acordo com o texto, apresentado pelo senador Lindbergh Farias (PT/RJ), um jovem negro é assassinado no Brasil a cada 23 minutos. A taxa de homicídios de jovens negros é quatro vezes maior que a referente a brancos da mesma faixa etária, entre 15 e 29 anos. A cada ano, no Brasil, cerca de 23,1 mil jovens negros são assassinados, segundo constatou o relatório.

A presidente da CPI, Lídice da Mata, afirmou que o relatório aponta três frentes como ações práticas: transparência de dados sobre segurança pública e violência e fim dos autos de resistência (termo utilizado por policiais que alegam estar se defendendo ao matar um suspeito), a unificação das Polícias Militar e Civil e um Plano Nacional de Redução de Homicídios de Jovens.

Para a senadora baiana, há um genocídio da juventude negra em curso e a maioria dos assassinatos ocorre na periferia das cidades.

“Ao todo, foram realizadas 29 reuniões, ao longo de sete meses, das quais 21 foram audiências públicas externas e internas. Nesse período, em diversos momentos, essas mulheres foram presença fundamental nas audiências, com suas palavras duras, lúcidas e impactantes”, afirmou o relator Lindbergh Farias, senador pelo Estado do Rio.

Para o parlamentar fluminense, a partir de denúncias que as mães levaram à CPI, se constatou a necessidade de se assumir que o Estado Brasileiro vem sistematicamente dizimando sua população jovem, em sua maioria negra e de origem pobre.

Dados do Mapa da Violência 2015 apontam que em 2012 Salvador foi a quarta capital brasileira com maior índice de mortes por armas de fogo, com uma taxa de 50 para cada 100 mil habitantes. Destes, a maioria era negro, sexo masculino e morador da periferia. Lauro de Freitas e Simões Filho também figuram entre as cidades mais violentas do País.

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