Reportagem de Veja destaca produção de vanádio em Maracás

Vista panorâmica das instalações da mina de vanádio da Largo Resources em Maracás.

Localizada na Bahia, mina Maracás Menchen é operada pela empresa Largo Resources.

Reportagem da revista Veja, publicada no domingo (26/06/2016), destaca produção do minério vanádio, pela empresa Largo Resources.  O vanádio é utilizado para aumentar a resistência do aço.

A prospecção do minério ocorre no município de Maracas, Bahia. Segundo a reportagem, está ocorrendo a recuperação da demanda global pelo minério e a mina da Bahia tem a vantagem competitiva de produzir o vanádio mais puro do mundo.

Denominada Mina Maracás Menchen, ela é a única dessa categoria na América Latina. A mina produz 780 toneladas de vanádio, mas tem capacidade de produzir 9.700 toneladas. As reservas provadas são de 18,4 milhões de toneladas. A Largo Resources vende, atualmente, 100% da produção à multinacional de commodities anglo-suíça Glencore.

Confira a reportagem ‘Vanádio, uma aposta incomum entre as commodities brasileiras’

Recuperação da demanda pelo minério, utilizado para aumentar a resistência do aço, dá novo fôlego à única mina de vanádio da América Latina, localizada na Bahia

Um imenso balé de operários, gruas e caminhões trabalha em ritmo frenético no interior da Bahia, onde as entranhas da terra são reviradas para extrair, moer, derreter e prensar em lâminas o vanádio. Quase desconhecido se comparado com o minério de ferro, uma das principais commodities (os produtos básicos, matérias-primas da indústria) brasileiras, o vanádio é utilizado principalmente como aditivo para fortalecer o aço e reduzir seu peso. Com ele, é possível construir edifícios mais resistentes a terremotos ou automóveis mais seguros.

Os preços do vanádio caíram nos últimos tempos, assim como os de outras matérias-primas, descendo a 2,40 dólares a libra (413 gramas) em dezembro de 2015, seu menor valor já registrado. Muitos produtores quebraram ou abandonaram o negócio, mas uma demanda renovada pelo material deu fôlego adicional ao trabalho da mineradora canadense Largo Resources na Bahia. A companhia é responsável pela exploração da Maracás Menchen, a única mina de vanádio da América Latina.

Cerca de 500 pessoas trabalham na mina baiana, localizada a 400 quilômetros a oeste de Salvador. A Largo Resources é dona de 90% da propriedade.

Segundo a empresa, a Maracás Menchen tem o vanádio mais puro do mundo, extraído a um custo mais competitivo do que o do maior produtor mundial, a China. A mina baiana também tem essa vantagem em relação à Rússia e à África do Sul, outros grandes produtores, de acordo com a companhia.

O vanádio, um metal cinzento e brilhante, é usado na fabricação de aço inoxidável para material cirúrgico, na indústria aeroespacial, em componentes de reatores nucleares e imãs supercondutores. Em maio deste ano, a Maracás Menchen registrou uma produção recorde de 780 toneladas. A mina tem uma capacidade de 9.700 toneladas, reservas provadas de 18,4 milhões de toneladas e vende atualmente 100% de sua produção à multinacional de commodities anglo-suíça Glencore.

“Com uma pequena quantidade de vanádio – falo de 500 gramas por tonelada de aço -, melhoramos a qualidade da resistência do aço em 30%, o que significa que na construção de automóveis podemos reduzir a massa em 30%”, diz Paulo Misk, presidente da Largo Resources no Brasil. “Isso poupa combustível (porque o transporte é menor) e reduz o impacto ambiental de toda a cadeia de aço. É por isso que eu digo que é um metal verde.”

Depois de descer a seu mínimo histórico, o preço do metal começou a se recuperar. No momento, ele está na casa dos 4 dólares a libra, o que representa mais de 60% de valorização nos últimos seis meses.

“A escassez no abastecimento cria tensões no mercado, e isso faz que os preços subam”, disse Mark Smith, presidente global da companhia, em uma visita feita na semana passada à operação baiana. Ele acredita que haverá escassez de vanádio neste ano e em parte do ano que vem.

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Perfil do Autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518), Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia (SINJORBA), Associação Brasileira de Imprensa (ABI Nacional, Matrícula nº E-002907) e Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia).