Operação Custo Brasil: ex-ministro Paulo Bernardo é preso pela Polícia Federal

PF prende Paulo Bernardo em operação que apura contratos de R$ 100 milhões do Ministério do Planejamento.

PF prende Paulo Bernardo em operação que apura contratos de R$ 100 milhões do Ministério do Planejamento.

Ex-ministro Carlos Eduardo Gabas é conduzido coercitivamente a depor.

Ex-ministro Carlos Eduardo Gabas é conduzido coercitivamente a depor.

Denominada de ‘Custo Brasil’, a operação deflagrada pela Polícia Federal (PF), em conjunto com o Ministério Público Federal e a Receita Federal do Brasil, é um desdobramento do Caso Lava Jato e foi deflagrada na manhã de hoje (23/06/2016).

A PF cumpri 11 mandados de prisão preventiva, 40 de busca e apreensão e 14 de condução coercitiva nos estados de São Paulo, do Paraná, Rio Grande do Sul, de Pernambuco e do Distrito Federal. Os mandados foram expedidos pela 6ª Vara Criminal Federal em São Paulo e decorre de fatiamento da investigação que estava no Supremo Tribunal Federal (STF).

Investigação

A força-tarefa federal atua com a finalidade de apurar o pagamento de propina, proveniente de contratos de prestação de serviços de informática, na ordem de R$ 100 milhões, entre os anos de 2010 e 2015, à pessoas ligadas a servidores e agentes públicos ligados ao Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG).

As investigações indicam que 70% dos valores recebidos pela empresa citada na investigação (nome não foi divulgado, mas segundo revista Veja é a empresa Consist) eram repassados a pessoas ligadas a funcionários públicos ou agentes públicos com influência no Ministério do Planejamento por meio de outros contratos – fictícios ou simulados.

De acordo com nota divulgada pela PF, há “indícios de que o ministério direcionou a contratação de uma empresa de prestação de serviços de tecnologia e informática para a gestão do crédito consignado na folha de pagamento de funcionários públicos federais com bancos privados”, interessados na concessão desse tipo de crédito.

Os investigados responderão, de acordo com suas ações, pelos crimes de tráfico de influência, corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa, com penas de 2 a 12 anos de prisão.

Os presos e o material apreendido serão encaminhados à sede da Polícia Federal em São Paulo. As pessoas conduzidas coercitivamente são ouvidas nas instalações da PF mais próximas dos locais em que forem encontradas.

Prisão

No transcurso da operação, o ex-ministro Paulo Bernardo (Planejamento e Comunicações nos governos Lula e Rousseff), marido da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), foi preso em Brasília.

Condução coercitiva

O ex-ministro Carlos Gabas foi alvo de condução judicial da Polícia Federal – a condução judicial ocorre quando o investigado é questionado sobre o direito de ficar em silêncio ou o desejo de prestar esclarecimento, caso permaneça em silêncio, o investigado não é conduzido a depor – o ex-ministro optou por prestar esclarecimentos. Após depoimento, Carlos Gabas foi liberado pela equipe da PF, que investiga o caso.

Carlos Eduardo Gabas foi ministro-chefe da Secretaria de Aviação Civil (SAC) do Governo Dilma, ministro da Previdência Social e já ocupou o cargo de secretário especial da Previdência Social depois que a Pasta foi unida ao ministério do Trabalho.

Sede do PT é alvo

A Operação Custo Brasil também alcança a sede do diretório do PT em São Paulo. Membros da força-tarefa federal cumprem mandado de busca e apreensão.

Jornalista presta esclarecimento

O jornalista Leonardo Attuch, responsável pelo site jornalístico Brasil 247, é um dos que prestam esclarecimentos à PF. “Attuch foi convidado a prestar depoimento judicial, o que será atendido de forma voluntária e espontânea. As solicitações da Polícia Federal estão todas sendo atendidas de forma voluntária”, afirma o site, ao acrescentar que os investigadores apuram dúvidas a respeito de um contrato entre a editora e a empresa Jamp Engenheiros Associados. “A Editora 247 considera esta uma boa oportunidade para esclarecer quaisquer dúvidas relacionadas a sua atividade empresarial e jornalística.”

Denúncia contra casal Bernardo e Hoffmann

Em maio de 2016, o ex-ministro Paulo Bernardo Silva, a senadora e o empresário Ernesto Kugler Rodrigues, de Curitiba foram denunciados pela Procuradoria-Geral da República. Paulo Bernardo e Gleisi foram denunciados por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

O inquérito policial concluiu que os dois receberam R$ 1 milhão de propina de contratos firmados entre empreiteiras e a Petrobrás. O valor foi utilizado para custear as despesas da eleição dela ao Senado em 2010.

A Procuradoria sustenta que o então ministro solicitou a quantia em favor da mulher diretamente ao engenheiro Paulo Roberto Costa, na época diretor de Abastecimento da Petrobrás e um dos articuladores do esquema de corrupção na estatal indicado pelo PP. Preso em 2014, Paulo Roberto fez delação premiada.

O doleiro Alberto Youssef, que também fez delação, operacionalizou o pagamento. Segundo o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, o doleiro administrava o ‘caixa de propinas do PP de onde saíram os valores em questão’.

*Com informações do Estadão e da Agência Brasil.

Sobre o autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto Oliveira da Silva (Carlos Augusto) é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF). Atua como jornalista e cientista social. Telefone: (75)98242-8000 | E-mail: diretor@jornalgrandebahia.com.br.