Oftalmologista alerta para risco de acidentes oculares durante festas juninas

Fogos de artifício representam grande risco de acidentes oculares.

Fogos de artifício representam grande risco de acidentes oculares.

Traumas oculares e casos de comprometimento da visão costumam aumentar bastante durante os festejos juninos. Isso porque, nesse período, muitas pessoas ficam expostas a fumaça, se aproximam de fogueiras ou ainda manipulam fogos de artifício. Conforme o oftalmologista Antônio Nogueira, diretor técnico do Cenoe Hospital de Olhos, um problema muito frequente é o contato dos olhos com fragmentos provenientes da queima de fogueiras, provocando a sensação de areia e lacrimejamento. “Além do incômodo, esses corpos estranhos podem lesar a córnea, a parede ocular ou ainda aderir à parte interna das pálpebras. Outra causa de irritação ocular é o contato com a própria fumaça dos fogos, que pode resultar em conjuntivite e seus sintomas: ardência, vermelhidão e fotofobia”, esclarece o médico.

Entretanto, os problemas mais graves são causados pelos fogos de artifício, sobretudo para as pessoas que insistem em soltar foguetes segurando-os com as mãos ou soltar bombas. “Os fragmentos liberados durante as explosões podem perfurar o globo ocular e levar a transtornos oculares e comprometimento da visão”, pontua Antônio. Mesmo as estrelinhas, usadas para crianças e aparentemente inocentes, causam metade das lesões em crianças de cinco anos ou menos. O especialista explica que as estrelinhas emitem partículas finas de cinzas que podem ficar alojadas debaixo da pálpebra superior. “Se isso ocorrer, leve a criança a um oftalmologista imediatamente”, orienta.

As queimaduras, mesmo que leves, atingem a córnea e podem causar a diminuição da sua transparência e comprometer seriamente a visão. Casos mais graves, com opacidade total da córnea, causam cegueira e podem também exigir transplante da córnea para o restabelecimento da visão. “Acidentes envolvendo fogos de artifício podem causar desde queimaduras nas pálpebras até lesões extensas na superfície ocular e destruição do globo ocular”, alerta o oftalmologista.

Lentes

O uso de óculos comuns não protege das lesões que podem ser provocadas pelos fogos juninos. Em caso de explosão próxima aos olhos, os fragmentos das lentes podem, na verdade, contribuir para agravar as lesões. O mesmo vale para as lentes de contato, que costumam agravar os sintomas em caso de irritação ou corpo estranho. “Quem usa lentes de contato deve retirá-las assim que perceber qualquer desconforto nos olhos, como vermelhidão, sensação de areia ou mesmo visão embaçada e procurar imediatamente um oftalmologista”, aconselha Antônio Nogueira.

Orientações

No caso de contato de pólvora com os olhos, a orientação é lavar abundantemente com soro fisiológico ou água corrente, sem esfregar. Se os olhos forem atingidos por explosões de bombas, o melhor a fazer é tapar o olho com gaze e procurar um serviço de emergência geral ou oftalmológica. O uso de colírios ou pomadas por conta própria não é recomendável. “Pode piorar o quadro”, conclui o diretor do Cenoe.

O Cenoe Hospital de Olhos é considerado centro de referência em tratamento de glaucoma no estado da Bahia e possui unidades em Ilhéus, Jequié e Porto Seguro.

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